04 setembro 2003

71 - COM SORTE, ESTAREMOS CÁ PARA VER (II)


O défice orçamental previsto para 2003 será de 2,944 % do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Uma vez que "pegou" a moda do “careca” de fazer previsões precisas a mais de dois anos de distância, arrisco prever um défice orçamental de 1,7834656743 % para 2005.

ANS

70 - COM SORTE, ESTAREMOS CÁ PARA VER (I)


No Independente da passada sexta-feira (29 de Agosto), Vítor Cunha (VC) escreveu que o representante da direita portuguesa nas próximas eleições presidenciais será Cavaco Silva. Segundo VC, Santana Lopes apenas “entrará na corrida” se Cavaco Silva recusar candidatar-se às presidenciais. Para VC, uma candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) será dificilmente aceite pelos partidos que formam o actual governo de coligação. Para tal contribuem os episódios que ditaram, há quatro anos atrás, o fim da Aliança Democrática.
Ainda de acordo com a última edição do Independente, Fernando Ruas tem uma posição oposta à de VC, admitindo que, entre Cavaco Silva e Santana Lopes, talvez o último tenha a vantagem de “dificilmente sair de moda”. Fernando Ruas descartou a hipótese de uma candidatura de MRS às presidenciais mas não negou que MRS daria um bom cabeça-de-lista nas eleições para o Parlamento Europeu.
Na edição do Expresso de Sábado passado (30 de Agosto), José Sócrates não mencionou a hipótese de uma candidatura de MRS às presidenciais mas previu uma disputa interna no Partido Social Democrata, nomeadamente entre Cavaco Silva e Santana Lopes.
José Sócrates assumiu ainda que António Guterres, recentemente convidado pela Organização das Nações Unidas para actuar como consultor para a política social junto do governo brasileiro, é o melhor candidato do centro-esquerda. Desta forma, José Sócrates respondeu às propostas de Mário Soares relativamente a uma viragem à esquerda do Partido Socialista (PS) e tentou enquadrar a melhor posição do PS numa luta contra a “direita radical” imaginada por Ferro Rodrigues. As declarações de José Sócrates funcionaram também como uma resposta à proposta de João Cravinho relativamente à possibilidade de uma candidatura de António Guterres como cabeça-de-lista nas eleições para o Parlamento Europeu. Convém lembrar que esta proposta já tinha merecido uma resposta de João Soares, o qual afirmou (no dia 28 de Agosto) que António Guterres será o candidato do centro-esquerda às presidenciais de 2006. Será que aqueles que vislumbravam a hipótese de uma nova candidatura presidencial de Mário Soares esperavam uma afirmação deste tipo por parte do filho do ex-Presidente da República?
A conclusão desta série de afirmações e previsões sobre o tema dos candidatos presidenciais foi efectuada por MRS, na sua habitual intervenção na emissão de Domingo do Jornal Nacional da TVI.
MRS eliminou as hipotéticas candidaturas presidenciais de Mota Amaral e de Freitas do Amaral e contou que “olhou para o espelho mas não descortinou um Presidente da República”. Com estas palavras, MRS assumiu que não tem perfil para o cargo e descartou a hipótese da sua própria candidatura. MRS afirmou ainda que, quando um político recomenda outro para o Parlamento Europeu, está apenas a tentar afastá-lo da cena política nacional. Parece que foi isso que lhe fizeram José Luís Arnaut (o “careca”) e, talvez, Fernando Ruas. Finalmente, MRS aceitou a tese de que os únicos candidatos possíveis à direita são Cavaco Silva e Santana Lopes. No entanto, para MRS, Cavaco Silva tem algumas vantagens sobre Santana Lopes (tem um “timing” mais adequado para o lançamento da sua eventual candidatura, tem um perfil político “menos ambicioso”, tem menos a perder e tem maior probabilidade de vencer António Guterres).
Quanto aos candidatos da esquerda, MRS entendeu as afirmações de João Soares como uma evidência de que Mário Soares desistiu de uma eventual candidatura às eleições presidenciais. Desta forma, MRS voltou a mostrar-se convicto de que António Guterres é o único candidato provável da esquerda porque “é o que mais facilmente entrará no eleitorado de direita”. Será esta outra forma de dizer que António Guterres é um candidato do centro-esquerda?
Enfim, parece que, a dois anos e quatro meses de distância das eleições presidenciais, já está tudo decidido no que se refere aos dois candidatos principais, os quais serão Cavaco Silva e António Guterres. Como disse MRS, “estaremos cá para ver” se assim será. No entanto, “não lembra nem ao careca” que a esta distância daquelas eleições se possam fazer cenários tão precisos. A não ser que estes cenários definam algo mais do que o Presidente da República.
De facto, estes cenários são de extrema importância para a definição da próxima liderança do PS. MRS afirmou que João Soares já demonstrou, com as suas manifestações de apoio a António Guterres, a sua vontade de liderar o partido. José Sócrates (que perdeu recentemente a capacidade de expor semanalmente as suas opiniões na RTP) não quis ficar atrás de João Soares e imitou-o nas suas declarações. Será que também está na corrida pela liderança do PS? De acordo com o Expresso, António Costa não quer continuar a ser líder da bancada parlamentar socialista (apesar de, segundo o Independente, Ferro Rodrigues já ter anunciado a sua continuidade nessas funções) e parece estar a “ser afastado da cena política nacional” pois poderá ser o cabeça-de-lista do PS nas eleições para o Parlamento Europeu. De acordo com o Público, António Vitorino, o actual Comissário Europeu da Justiça e Assuntos Internos, só sairá da Comissão Europeia por vontade própria. Uma vez que as possibilidades de António Vitorino vir a ser o próximo secretário-geral da NATO parecem remotas, Durão Barroso parece preferir manter este “desejado” do PS na Comissão Europeia, ou seja, “afastado da cena política nacional” (como diria MRS).
Será que se o tema da liderança do PS passasse a ser discutido abertamente na comunicação social, sem o disfarce das eleições europeias e presidenciais, poderíamos assistir a uma renovação mais rápida do PS? Era importante que assim fosse porque, neste momento, não há oposição.

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69 - OPUS GAY: CONOTAÇÕES


Se ONG é a sigla para Organização Não Governamental, então OG é a sigla para... Organização Governamental (ou Opus Gay). Será que está correcta a (já velha) tese de Alberto João Jardim sobre o "lobby gay"?

ANS

68 - MAIS AGRADECIMENTOS VI


Antes de mais, aqui ficam os meus agradecimentos ao Cristovão-de-Moura por voltar atrás nas suas promessas.
Agradeço as intervenções do Alfacinha, de Carlos Vaz Marques e de Jiminy Cricket na questão do sufrágio universal (ver post 65 do Carimbo) e de António Torres na questão do desemprego (ver post 66 do Carimbo).
Agradeço o elogio que Manuel Alçada faz ao nome que escolhi para o meu blog (O Carimbo). Até tenho vergonha de contar que este era, talvez, o décimo nome da lista. Os outros nove já estavam atribuídos.
Agradeço também os “pius” que O Pintainho dedica ao Carimbo.
Aproveito para agradecer também a alguns novos blogs que já incluíram O Carimbo nas suas listas de blogs recomendados. São eles o Gatopardo (mais um gato para fazer companhia ao Fedorento), o Bugue, o Oliveira de Figueira (só tem um post publicado) e o Blogdemocracia (que é apenas uma semana mais novo do que O Carimbo). Agradeço também ao Inventário de Web Logs pela inclusão do Carimbo na secção dos “Fazedores de Palavras”, embora me pareça que essa é uma classificação lisonjeira para O Carimbo.
Finalmente aqui fica um agradecimento ao Grupo de Amigos de Olivença pelos e-mails que todos os dias enviam para O Carimbo. Peço-lhes apenas que abrandem o ritmo porque a conta hotmail do Carimbo tem pouca capacidade de armazenamento. Obrigado.

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67 - OS PERIGOS DAS ANÁLISES SUPERFICIAIS II


No post anterior referi a necessidade de evitar as análises de âmbito geral e superficial. Apontei, como exemplo, a questão do desemprego. No entanto, existem outros exemplos onde este tipo de análises é frequente. É o que acontece com os acidentes rodoviários.
Fala-se constantemente do número de mortos e feridos na totalidade das estradas nacionais. As conclusões são sempre as mesmas. A culpa é sempre dos condutores que circulam ébrios ou em excesso de velocidade. De vez em quando, são apontadas algumas estradas perigosas. No entanto, todas estas explicações apresentam o mesmo defeito. Generalizam o que não deve ser generalizado.
Mesmo que muitos acidentes tenham sido provocados por condutores que beberam “em excesso”, que ultrapassaram o limite de velocidade estabelecido para a estrada em que circulavam ou que infringiram qualquer outra regra de trânsito, não se pode afirmar que a culpa é sempre dos condutores. Seria útil ver (sempre) discriminado o número de acidentes comprovadamente provocados por excesso de álcool ou velocidade.
Mesmo que muitos acidentes tenham ocorrido em troços de estrada mal concebidos ou mal sinalizados, não se deve afirmar que há estradas perigosas (pois esta afirmação engloba a totalidade do traçado). Durante anos assisti a inúmeros acidentes na Estrada Nacional 125 e no Itinerário Complementar nº 1. Entretanto, foram construídas a Via do Infante e a Auto-Estrada do Sul (A2) e deixei de assistir à ocorrência de acidentes. Seria útil ver (sempre) discriminado o número de acidentes ocorridos em estradas nacionais e em auto-estradas.
Mesmo que todos os veículos sejam submetidos a inspecções anuais obrigatórias, não se pode ignorar a possibilidade de os acidentes ocorrerem como consequência de falhas mecânicas dos automóveis. Se os acidentes aéreos podem ocorrer devido a problemas mecânicos ou electrónicos, porque razão serão os automóveis imunes a esse tipo de problemas? Que eu saiba, os aviões são inspeccionados várias vezes por ano e isso não elimina a probabilidade de acidente. Seria útil ver (sempre) discriminado o número de acidentes com pesados, automóveis ou motociclos. Seria útil ver (sempre) discriminado o número de acidentes envolvendo veículos sujeitos a inspecção há mais de seis meses.
Se os órgãos de comunicação social divulgassem este tipo de dados seria possível discutir a questão dos acidentes rodoviários com maior racionalidade, sem generalizações e sem demagogias como as que levaram à criação de “estradas com tolerância zero”. Os portugueses gostam de encarar as leis como simples indicações dos caminhos que devem ser seguidos, mas sem muito rigor porque há sempre uma larga margem de tolerância. As consequências desta atitude são o incumprimento do código da estrada e a evasão fiscal, entre outras. As autoridades não ajudam e criam estradas sem tolerância zero e perdões fiscais.
Já que menciono o código da estrada, lembro que há uma regra (que aprendi nos últimos anos de condução em Lisboa) que não está referida no código. De facto, se o condutor puder escolher entre estacionar o veículo numa zona com parquímetro ou numa zona de estacionamento proibido, deve optar pela última hipótese. Não pagará o estacionamento e não será multado. Os empregados da EMEL (Empresa Pública Municipal de Estacionamento de Lisboa), mesmo quando são polícias (fardados e, supostamente, em serviço) contratados por aquela empresa, não têm autoridade para multar os veículos estacionados em zonas proibidas. Isto é Portugal no seu melhor.

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66 - OS PERIGOS DAS ANÁLISES SUPERFICIAIS I


O Faccioso, no post “Novamente o desemprego...”, parte do exposto no post 61 do Carimbo para tecer algumas considerações sobre o desemprego. Para o Faccioso, apesar do tão discutido aumento do desemprego, a oferta de emprego em Portugal ainda é considerável. No entanto, são os imigrantes (menos exigentes do que os desempregados portugueses) que acabam por ocupar os postos de trabalho disponíveis (e dignos).
Lembro que não gosto de generalizar e que acredito na existência de inúmeros casos de cidadãos nacionais que querem trabalhar, que estão disponíveis para qualquer trabalho (digno) e que, mesmo assim, não conseguem arranjar trabalho. São esses que merecem as pensões sociais, os subsídios de desemprego e o rendimento social de inserção.
Os outros desempregados, aqueles que não querem trabalhar (não são a maioria, mas também existem), devem, como recomenda o Faccioso, seguir o exemplo dos imigrantes que têm vindo para o nosso país.
Para que não me acusem de falta de humanidade para com os desempregados por afirmar que existe gente que não quer trabalhar, permitam-me que ilustre a minha posição com um pequeno exemplo (o qual não pretende ser generalizador).
Os meus pais possuem uma quinta no sul do país. Para a manutenção dessa quinta, com uma área de cerca de 10 hectares, foi necessário contratar um trabalhador a tempo inteiro. Durante alguns anos, os meus pais procuraram (sem sucesso) alguém que aceitasse aquele emprego, até que, há cerca de dois anos, apareceu um imigrante ucraniano a perguntar se podia trabalhar. Claro que podia. Esse imigrante conseguiu fugir à acção das "máfias" (que ainda tentaram controlá-lo) e agora (já completamente legalizado) tem casa (na quinta), alimentação e um ordenado superior a mais do dobro do ordenado mínimo nacional (o que equivale a vários salários médios ucranianos). A família deste imigrante (mulher, filha e neto) vive bastante bem, na Ucrânia, com o dinheiro que lhe é enviado todos os meses de Portugal e, daqui a um ano ou dois, virá para Portugal.
Será que este emprego não era suficientemente bom (e digno) para os desempregados portugueses?
Parece-me que não se deve falar do desemprego focando apenas o número total de desempregados inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional. É muito importante que se diga à população qual a distribuição do desemprego por distritos, ou até por concelhos. A mobilidade das populações deve ser estimulada. Esta mobilidade não tem que estar sempre associada ao “êxodo rural”. Talvez tenha chegado a hora de estimular um “êxodo urbano”, para o que será necessário mostrar à população desempregada que existe trabalho à sua espera no interior do país.

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65 - POSTS APAGADOS


Parece que Paulo Varela Gomes (PVG), do Cristovão-de-Moura, se arrependeu de ter considerado o tema do sufrágio universal “uma grande chatice” e de ter prometido declarar “uma verdadeira guerra” ao Carimbo. É assim que interpreto o facto de PVG ter apagado o post em que fazia essas afirmações. Para não parecer que ando a colocar palavras fictícias nos blogs dos outros, recomendo uma leitura do post “Voto” de Carlos Vaz Marques.
Se o leitor quiser seguir as discussões sobre o direito de voto, sobre o significado da abstenção e do voto em branco e, de uma forma mais geral, sobre as questões da cidadania, recomendo uma leitura do post “Breve incursão pelos blogs” do Ter Voz, onde encontrará várias hiperligações a outros blogs que têm vindo a discutir estes temas.

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64 - O VÍCIO BLOGUÍSTICO


Já não blogo desde o dia 30 de Agosto. Hoje não resisti ao vício e aqui estou eu, pronto para publicar uma série de posts.
Estes posts devem ser encarados como uma espécie de terapia de grupo, na qual exponho o meu problema aos outros “blogoólicos” que fazem parte da ABA (Associação dos Blogoólicos Anónimos, vulgarmente conhecida por blogosfera). Como escreveu JPN do Complot, “admitir o problema é o primeiro passo para a cura”.

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