11 setembro 2003

77 - OS ATAQUES TERRORISTAS DE 11 DE SETEMBRO DE 2001


Tinha decidido não escrever sobre o segundo aniversário dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001. No entanto, tenho estado a ver o documentário da CNN sobre o que se passou naquele dia (e durante os últimos dois anos) e não é possível ficar indiferente a tamanha brutalidade e violência.
Já há dois anos atrás, quando os ataques aconteceram, tinha sentido a mesma incredulidade. Pensei que, por já conhecer os factos e a violência das imagens, poderia agora assistir ao programa da CNN sem me emocionar. Puro engano. Parece que estou a assistir a tudo pela primeira vez. Não, minto. Estou consciente de já ter visto as imagens. Mas, na primeira vez que as vi, as explosões e a nuvem de pó causada pela queda do World Trade Center dominavam as imagens (que eu "via"). Agora é pior. Agora consigo ver os pormenores. Consigo ver as pessoas.
No início do programa pensei ser redundante a repetição de imagens tão violentas. Puro engano. Não é, nem nunca será redundante. São estas imagens que nos mostram as terríveis possibilidades do terrorismo. São estas imagens que nos lembram porque razão temos de combater o terrorismo. Temos apenas de ser cuidadosos e evitar repeti-las com demasiada frequência. Isso poderia gerar uma indesejada insensibilidade (defensiva) perante estas imagens.
Só espero que muitos futuros terroristas suicidas possam ver este documentário. Talvez eles acabem por perceber que existem outros caminhos (pacíficos) para resolver os problemas, por mais desesperados que estes sejam.

ANS

76 – CANÇÕES DE 1973 (I)


Aqui começa mais uma série do Carimbo: Canções de 1973.
É verdade que a primeira série (“Os estrangeiros que eu conheço”) nunca mais foi actualizada. No entanto, essa série não está esquecida e brevemente conhecerá novos desenvolvimentos. Entretanto, aqui fica a recomendação do livro “The English” de Jeremy Paxton, para o caso de quererem confirmar algumas das características que atribuí aos ingleses que eu conheço.
Esta nova série que hoje se inicia pretende recordar algumas canções (apenas as letras para não violar os direitos de autor) lançadas no “glorioso” ano de 1973, como eu e muitos dos meus amigos (principalmente os benfiquistas) gostamos de dizer.
De facto, o ano de 1973, além de ser o ano de nascimento de todos aqueles que atingem os trinta anos de idade em 2003, foi também o melhor ano de sempre do Benfica no campeonato nacional de futebol. Nessa época (1972/73), o Benfica conseguiu terminar o campeonato sem qualquer derrota, tendo cedido apenas dois empates. Marcou 101 golos e sofreu apenas 13 em apenas 30 jogos. O segundo classificado, o Belenenses, ficou a 18 pontos de distância, o que, hoje em dia, corresponderia a “apenas” 32 pontos. Notável. O ano de 1973 foi também o ano da despedida de Eusébio dos jogos da selecção nacional, o que aconteceu no Estádio da Luz num jogo contra a Bulgária para apuramento para o Campeonato Europeu de 1974. Foi também em 1973 que Eusébio marcou o seu último golo, pelo Benfica, em jogos da Taça dos Campeões Europeus. Foi nesse ano que Borges Coutinho (o presidente do clube) homenageou Eusébio perante um Estádio da Luz completamente cheio.
Confesso que sinto inveja da geração dos meus pais (agora entre os cinquenta e os sessenta anos de idade) porque eles tiveram oportunidade de assistir a jogos de um Benfica realmente glorioso. Eles podem recordar esses momentos sempre que algum portista ou sportinguista se diverte a comentar o actual Benfica. Eu não posso recorrer a essa estratégia de defesa. Não consigo recordar nada do que me aconteceu antes dos três anos de idade, mas não preciso de recorrer a qualquer hipnose regressiva para saber que sou benfiquista desde que nasci.
Enfim, não posso recordar os jogos do Glorioso mas posso recordar as canções da época. Ouço muitas delas de vez em quando, como é o caso das canções de Al Green. Escolhi este cantor do estilo soul para iniciar esta série musical apenas com base em critérios alfabéticos, embora tenha “esquecido” os Abba e os Aerosmith, entre outros, os quais também já tinham discos editados em 1973.
Entre as canções de Al Green lançadas em 1973, seleccionei Call Me (Come Back Home) por razões que já aqui expliquei mais do que uma vez.


CALL ME (COME BACK HOME)

Call me...
Call me...
Call me...

What a beautiful time we had together,
now it's getting late and we must leave each other,
just remember the time we had,
and how right I tried to be,
it's all in a day's work,
Call me...
Losing your love, acting foolishly,
go on and take your time,
you're already losing me,
love is a long ways from here,
'cause it's all in the way you feel,
If love is real, come to me.

Call me...
Call me...
Call me... (Come back home)

The best thing I can do is give you your love,
that you're going away feeling as free as a dove,
And if you find you's a long way from home,
and if somebody's doin' you wrong,
Just call me baby... (Come back home)

Call me...
Call me...
Call me... (Come back home)

...Ain't things going right.
It's all in a day's work
Call me...
You can call me when you're feelin' sad, baby...

It's all in a day's work...
Come back home...

By Mitchell, Green and Jackson


Amanhã há mais.

ANS

10 setembro 2003

75 – TRINTA ANOS


Na passada terça-feira (dia 2 de Setembro), uma prima minha completou trinta anos de idade. Telefonei-lhe para a felicitar e constatei que ela não estava nada contente. Fiquei surpreendido. Não consegui perceber porque estava ela tão triste por se transformar numa jovem de trinta anos de idade. O que mudou na vida dela no seu dia de aniversário? O que desapareceu nesse dia? O que temos aos vinte e nove anos de idade que deixamos de ter aos trinta?
Eu também completei trinta anos durante este ano e nem sequer pensei no assunto. Uma outra prima nossa também atingiu esta idade durante este Verão e não me pareceu ter ficado triste por isso. A maior parte dos meus amigos e amigas têm celebrado os seus trinta anos de idade durante os últimos dois anos e marcaram a data com pompa e circunstância. Uma pessoa que me é muito especial também já tem trinta anos e sente-se muito bem com essa idade.
Pensei que a minha prima estava a evidenciar receios exagerados (e infundados) do envelhecimento. Na sexta-feira (dia 5 de Setembro) fui a casa dela e verifiquei, com satisfação, que ela estava muito bem disposta. No entanto, como não queria que ela voltasse a ficar triste, receei perguntar-lhe se já gostava da sua nova idade. O problema é que fiquei sem saber porque razão o número trinta a incomodava tanto.
No dia seguinte voei para Manchester e, durante a viagem, li a crónica de Faíza Hayat na revista XIS do Público. O título (A arte de fazer anos) era sugestivo e as primeiras frases também: “Faço amanhã, domingo, trinta anos. Ao contrário de muitas das minhas amigas, igualmente balzaquianas, cada vez gosto mais de fazer anos. Faço-os melhor agora do que nunca. Quando era criança aquilo que mais apreciava na festa do meu aniversário era, claro está, a própria festa.
Faíza Hayat explica que a idade não se vence simplesmente, ela constrói-se dia a dia e é feita de histórias e de conquistas.
O outro argumento de Faíza Hayat baseia-se na ideia do desconforto das constantes mutações dos corpos jovens. Tem razão. Embora continuemos a envelhecer, para nós que temos trinta anos de idade, esse envelhecimento será menos nítido durante os próximos vinte anos.
Mesmo que a minha prima tenha lido esta crónica, ela nunca passará a gostar da sua festa de aniversário. Nunca gostou. Nem quando era criança ou adolescente. Eu, pelo contrário, sempre adorei festas de aniversário. Não me importo nada de ver a idade a avançar desde que a possa celebrar com festas de arromba.

ANS

74 - CONFIANÇA NAS OBRAS PÚBLICAS


Enquanto esperava pela divulgação do relatório sobre as causas da queda do tabuleiro de uma passagem superior de peões sobre o IC19, li diversas notícias e comentários sobre esse acidente.
No Público de ontem pude ler que as “pontes pedonais do tipo da que caiu são estruturas relativamente frágeis e com um coeficiente de segurança baixo. Calculadas para permitir apenas a travessia de peões, estas pontes funcionam por gravidade: o tabuleiro é assente sobre os pilares, não estando preso a eles por estruturas solidárias construídas de raiz. Para esta opção de construção muito contribui o facto destas pontes se situarem em estradas de grande movimento e de terem de ser construídas perturbando o menos possível o trânsito. Por isso, os pilares de apoio são construídos primeiro e, quando ficam prontos, as vigas pré-fabricadas que constituem a ponte em si mesma são meramente ‘pousadas’ sobre esses pilares. Por vezes procura reforçar-se a estrutura ligando o tabuleiro aos pilares com a ajuda de parafusos, mas essa solução é sempre de alguma fragilidade.
A obra determinada pelo Instituto das Estradas de Portugal destinava-se não apenas a reparar a passagem superior dos danos provocados pelo embate de uma grua, mas a elevá-la cerca de vinte centímetros. Esta elevação do tabuleiro visava minorar o risco de novos embates, já que situando-se a passagem a uma altura superior à permitida aos veículos pesados, há muitos que não cumprem a lei e circulam com cargas que acabam por embater em estruturas como aquela ponte.
O Instituto das Estradas de Portugal considerou ontem prematuro dar qualquer explicação sobre o que terá ocorrido, preferindo esperar pelo resultado do inquérito em curso. No entanto, testemunhos recolhidos no local dão algumas pistas para as causas do acidente. Aparentemente, o empreiteiro encarregue da obra terá começado por desprender o tabuleiro dos pilares, tirando os parafusos, e, depois, utilizado macacos hidráulicos para altear a estrutura, que pesava 52 toneladas. Os novos apoios não terão sido concluídos durante a intervenção, ficando por isso o tabuleiro assente numa estrutura provisória que apenas aguentou seis
[horas?] de trepidação. Esta possível explicação para o ocorrido levanta a questão de saber em que condições foi autorizada a reabertura do trânsito e qual o responsável técnico por ter considerado suficientemente sólida uma estrutura cujos restos, visíveis no local, aparentavam evidente fragilidade.
O problema ocorrido com a passagem superior do IC 19 deverá chamar a atenção para a circunstância de existirem muitas pontes semelhantes em todo o país, construídas também em vias de grande movimento e com base em estruturas que parecem bem preparadas para os esforços verticais a que são sujeitas (a passagem de peões), mas que não terão a necessária solidez para resistir a vibrações, ao embate de viaturas ou a sismos que as sujeitem a fortes abanões.

Confesso que fiquei impressionado com tanto conhecimento técnico. No entanto, sinto que devo prestar alguns esclarecimentos adicionais.
1 – As pontes pedonais não são estruturas relativamente frágeis com um coeficiente de segurança baixo. As pontes pedonais, como qualquer outra estrutura, são calculadas com um coeficiente de segurança adequado, o qual é aliás imposto pelas normas e regulamentos em vigor.
2 – As pontes pedonais não “funcionam por gravidade”. Se não existisse gravidade não precisaríamos de pontes e estas nunca cairiam.
3 – As pontes pedonais, como inúmeras outras estruturas (entre as quais se incluem pontes rodoviárias e ferroviárias), podem ser projectadas e construídas de modo a funcionarem com tabuleiros simplesmente apoiados (em pilares ou encontros). Nem sempre as ligações monolíticas (expressão utilizada no caso de pontes de betão armado) são as mais indicadas.
4 – Não estou a ver a que “parafusos” se refere a notícia do Público. Nos apoios simples são geralmente utilizados dentes em betão armado (nos encontros), aparelhos de apoio ou simples ferrolhos (em aço) para evitar os deslocamentos transversais do tabuleiro. Os deslocamentos longitudinais do tabuleiro podem ser permitidos ou não, dependendo da solução estrutural adoptada. Se forem permitidos, têm de existir apoios de largura compatível.
5 – O recurso a tabuleiros pré-fabricados e simplesmente apoiados justifica-se, de facto, pela maior rapidez de execução.
6 – Se existem veículos pesados que não cumprem o que está legislado relativamente à altura máxima permitida, porque não são os seus condutores responsabilizados pela reparação das estruturas danificadas? Porque tem de ser o Estado a pagar as reparações e a altear tabuleiros que já satisfazem o “gabarit” mínimo (ou seja, cumprem a lei)?
7 – Como já estava em Liverpool quando ocorreu o acidente, não pude ver imagens do tabuleiro que caiu. Também não consegui ler qualquer notícia que explicasse como caiu o tabuleiro. Caiu lateralmente? Rodou? Caiu só de um lado? Os apoios ficaram em bom estado ou também partiram? Estas são pistas importantes para averiguar as causas da queda. Espero que a velocidade com que os bombeiros desobstruíram a via para permitir a circulação rodoviária no IC19 não tenha impossibilitado a recolha destas pistas por parte da comissão de inquérito constituída pelo IEP.
8 – Não me parece que a queda desta passagem superior de peões esteja relacionada com falta de resistência a vibrações, choques ou sismos. Estas acções são normalmente consideradas no dimensionamento destas estruturas. As normas e regulamentos em vigor obrigam a tal procedimento. Aproveito para lembrar que as pontes são, muitas vezes, estruturas muito flexíveis, pelo que se tornam muito mais sensíveis à acção do vento do que à acção dos sismos ou das vibrações introduzidas pelo tráfego. Se a passagem superior de peões caiu imediatamente após a conclusão da obra de reparação, o mais natural é que tal tenha acontecido na sequência de uma falha do projecto de alteamento/reparação/reforço ou de uma falha do empreiteiro na execução da obra.

Ainda na mesma edição do Público, José Manuel Fernandes faz comparações com a queda da ponte de Entre-os-Rios. Recordo que, após a queda dessa ponte, se verificou uma extensa campanha de inspecções coordenada pelo extinto Instituto para a Conservação e Exploração da Rede Rodoviária (ICERR), a qual tem sido continuada pelo IEP. Na sequência dessas inspecções foram realizadas diversas intervenções inicialmente coordenadas pelo ICERR e também pelo extinto ICOR (Instituto para a Construção Rodoviária) e agora coordenadas pelo IEP. Não posso acreditar que as inspeções às passagens desniveladas de peões tenham sido esquecidas.
José Manuel Fernandes refere também um passado glorioso da Engenharia Civil portuguesa, transmitindo a ideia de que as empresas portuguesas de projectistas e de construção já não são capazes de executar grandes obras e, por isso, não são reconhecidas internacionalmente. Não posso concordar com esta afirmação.
Já que José Manuel Fernandes refere a obra do Eng. Edgar Cardoso, lembro aqui a Ponte da Arrábida, no Porto, a qual constituiu na altura da sua construção (1963) o maior arco de betão armado e pré-esforçado do mundo (270 metros). Hoje, podemos olhar para a Ponte do Infante e admirar o seu arco abatido de 380 metros. Esta ponte foi construída por um consórcio luso-espanhol.
Parece que José Manuel Fernandes também desconhece que a Ponte Vasco da Gama (que é a maior da Europa) foi projectada por um consórcio de quatro empresas (duas das quais portuguesas). O projecto foi verificado por outro consórcio de quatro empresas (duas das quais portuguesas). A obra foi executada pelo consórcio Lusoponte constituído por empresas portuguesas (50,4 %), francesas (24,8 %) e inglesas (24,8 %).
Outras pontes famosas construídas durante a última década são a Ponte da Amizade (nova ligação entre Macau e Taipa, construída por um consórcio liderado por empresas portuguesas) e a Ponte Internacional do Guadiana (ligação entre Vila Real de Santo António e Ayamonte, em Espanha), as quais foram projectadas pelo Eng. Câncio Martins.
A Ponte do Freixo, no Porto, e a Ponte José Gomes (com pilares de 105 metros de altura), no Funchal, projectadas pelo Eng. António Reis, também são obras marcantes.
A Ponte do Arade (em Portimão) e a Ponte Miguel Torga (na Régua), da autoria do Eng. Armando Rito, também não devem ser esquecidas.
Finalmente, lembro a obra de ampliação do Aeroporto Internacional do Funchal, da autoria do Eng. Segadães Tavares, a qual foi construída por um consórcio de três empresas (uma portuguesa, uma francesa e uma brasileira).
Penso que estes exemplos são suficientes para ilustrar a saúde da Engenharia Civil portuguesa, pelo menos no domínio das Estruturas (em geral) e das Pontes (em particular). Será que José Manuel Fernandes pensa que os portugueses confiariam mais nas obras públicas se elas fossem projectadas e executadas exclusivamente por estrangeiros?

Li agora na TSF que, de acordo com os resultados do relatório do IEP, "os riscos nas obras da ponte pedonal do IC19 não terão sido avaliados convenientemente". Já o esperava.

ANS

73 – DIÁLOGO REVELADOR


O Telejornal de ontem abriu com notícias sobre a pedofilia. Essas notícias ocuparam apenas vinte e seis minutos do programa. Talvez isto seja uma consequência directa da notícia do Expresso sobre as duradouras ligações da empresa à rede de pedofilia da Casa Pia. Por arrasto, outras situações de envolvimento da RTP com a pornografia são agora lembradas. É o caso das cassetes didácticas sobre o 25 de Abril que continham também imagens pornográficas. Este caso ocorreu há quatro anos atrás e mereceu ontem uma entrevista de José Rodrigues dos Santos a Alfredo Trofa (um antigo responsável pelos arquivos da RTP). A parte final do diálogo (que a seguir transcrevo) apresenta algumas curiosidades.

JRS: Alfredo Trofa, viu as imagens?
AT: Eu não vi mas suponho, porque mandei ver e esse é o motivo porque não vi, que se tratava de uma gravação de uma emissão de cabo que se chamava Canal 18 ou... suponho que era assim.
JRS: E, portanto, não envolvia crianças...
AT: Não, não envolvia crianças.
JRS: Então nós temos uma situação em que o vídeo não é de pedofilia. Foi feito um inquérito. Foi despedido um responsável. Tudo se passou fora da RTP. Porque é que, na sua opinião, este caso se levanta agora?
AT: Eu tenho a impressão, mas isto é a minha impressão e não é mais do que isso, que a RTP é exímia em dar tiros nos pés.
(A expressão facial de José Rodrigues dos Santos, ao minuto 13:40 do Telejornal, merece ser vista.) Eu não percebo porque é que se está a levantar este problema dentro da RTP. Porque é que juntaram agora este problema ao caso da pedofilia? Este é um problema que devia ter sido sanado. Digamos [que houve] mau trabalho de um trabalhador, que nem sequer era da RTP, mas que a empresa sanou. E agora porque é que juntam a história da pedofilia? Eu não consigo perceber.
JRS: Alfredo Trofa, muito obrigado.


Para mim, este pequeno diálogo revela muito sobre a nossa sociedade.

ANS

72 – REGRESSO


A palavra “regresso” tem-me acompanhado nos últimos dias. Regressei a Liverpool, regressei ao trabalho e regressaram as saudades. Só cá estou há quatro dias e já é muito difícil estancar a vontade de regressar a Portugal.
O clima de Inglaterra não ajuda a contrariar este desejo. Enquanto que, em Portugal, estão cerca de 30 ºC, em Liverpool, a chuva e o frio já regressaram (a temperatura máxima prevista para hoje é de apenas 15 ºC).
Talvez eu queira apenas “regressar” ao período de férias que gozei em Portugal e esquecer que já estou em Liverpool (a trabalhar). Infelizmente, a realidade é cruel e não me permite esse luxo. Pelo contrário, força-me a regressar às aventuras burocráticas (às vezes penso que a burocracia inglesa é pior do que a nossa) e à chatice dos compromissos. Foram a obrigações do trabalho (longas reuniões que se estenderam pela noite dentro) que me impediram de ir ontem ao Goodison Park para assistir ao jogo de futebol entre a selecção nacional portuguesa de sub-21 e a sua congénere inglesa. Fiquei triste por não ter assistido ao regresso dos rapazes às vitórias.
Já que não posso regressar fisicamente a Portugal, faço-o virtualmente através do Carimbo. Depois de um mês, durante o qual apenas publiquei vinte e três posts (antes tinha publicado quarenta e oito posts em apenas dezanove dias), regresso à blogosfera com a promessa de contribuições regulares durante as próximas seis semanas.
Já agora, aproveito para vos avisar a todos que o ornitólogo da blogosfera já identificou definitivamente (num bonito post com o título Die Voëgel) a que espécie zoológica pertence o Carimbo. Espero que não se trate de uma espécie rara e em vias de extinção para que me possam ver a "voar" pelos vossos blogs e a regressar com frequência.

ANS