27 setembro 2003

94 – EXISTE OPOSIÇÃO? (II)


O post 91 do Carimbo foi alvo de uma série de comentários (via e-mail) e mereceu também a colocação de diversos posts (série “Carimbadelas de Liverpool”) no Ter Voz. Uma vez que os comentários efectuados por e-mail receberam já a sua resposta (também por e-mail), o presente post responde apenas aos posts do Ter Voz. Num desses posts pode ler-se que “um blog sem [um sistema de] comentários (prática comum nos blogs de direita) é tão interactivo como um jornal em papel”. Não concordo. Quem quiser comentar os posts do Carimbo pode sempre fazê-lo no seu próprio blog ou através de e-mail. Estes canais de comunicação são suficientes e evitam a eventual a publicação de textos despropositados e irreflectidos, os quais são muitas vezes estimulados pela existência de um sistema de comentários.
O Ter Voz afirma ainda que se o tal sistema de comentários existisse no Carimbo, seria possível, “com meia dúzia de palavras”, provar que o post 91 do Carimbo mostra que afinal existe oposição. Era este o tipo de resposta que eu esperava por parte do Ter Voz. De facto, esperava que o Ter Voz optasse por aproveitar as pistas deixadas no post 91 sobre as divergências existentes entre o programa do Governo e o programa do Partido Socialista (PS) relativamente às políticas económicas e sociais. Esperava que o Ter Voz optasse por explicar a viabilidade das soluções apresentadas pelo PS e também esperava que o fizesse de uma forma mais objectiva do que aquela que é adoptada no programa do PS (insisto que este programa me parece demasiado geral e superficial). Se quase meia dúzia de posts, publicados pelo Ter Voz para responder ao post 91 do Carimbo, não foram suficientes para estruturar uma resposta deste tipo, duvido que tal fosse possível com apenas meia dúzia de palavras.
De facto, o Ter Voz preferiu estruturar a sua resposta em acusações e referências à irresponsabilidade (a qual “não é digna de um cidadão que se preze”) dos que “zurzem [o que é sinónimo de admoestar asperamente, criticar acerbamente, castigar severamente, açoitar, fustigar, azorragar, vergastar, flagelar, espancar, maltratar, molestar ou ainda, simplesmente, bater] no PS com tanta dedicação”. O Ter Voz mostra-se, outra vez, surpreendido e afirma que “seria de esperar, pelo menos a história assim o parecia determinar, que os cidadãos criticassem o Governo na sua actuação”. Devo esclarecer que o Governo foi, é e será, por mim, criticado sempre que o merecer. A questão não é essa. O que deve ser aqui discutido é a forma actual de confrontação política. Já antes, no Carimbo e noutros blogs, se discutiu a demagogia e a superficialidade do debate político, as quais são aproveitadas pelos meios de comunicação social e, através destes, pelos partidos políticos (na sua generalidade). Posso estar enganado, mas parece-me que, cada vez mais, o eleitor deverá conhecer, em detalhe, as opções políticas dos diversos partidos. Isto significa que o eleitor deverá conhecer os custos económicos e sociais, as vantagens e as hipóteses de implementação das políticas propostas pelos diversos partidos. Por isso é que as responsabilidades de quem faz oposição são, para o cidadão, tão importantes como as do Governo em exercício. Por isso é que a questão da liderança do PS é tão importante. Por isso é que as respostas vagas do Ter Voz, como as que a seguir se transcrevem, são de evitar:

O PS com Ferro Rodrigues é perigoso para o PSD. É fácil perceber porquê:

É o PS que cumpre a solidariedade.
É o PS que combate a fuga aos impostos.
É o PS que combate a irresponsabilidade (já sabemos que a política actual é deixar arder até que nada mais exista para arder, atingindo assim o objectivo de que o problema se resolva por si).
É o PS que quer que se cumpram os preceitos constitucionais em matéria de relações internacionais.
É o PS que homenageia com a ONU a memória de Sérgio Vieira de Mello que morreu ao serviço dos direitos humanos na sequência de actos de mentecaptos que nos Açores decidiram dar caça a um mentecapto que reinava na Mesopotâmia.
É o PS que tantas e tantas vezes tem apresentado na Assembleia da República alternativas às políticas de terra queimada do actual governo, onde a direita radical ... marca terreno e submete a vontade de um líder fraco, à sua estratégia.
É o PS que defende a ciência e a formação e que quer os seus cientistas e técnicos em Portugal e ao serviço dos portugueses em vez de os mandar para o exterior em busca de trabalho.


Por isso é que artigos como o que Augusto Santos Silva publicou hoje no Público não trazem nada de construtivo.

Por isso é que devem ser evitadas referências demagógicas como a que é feita no Ter Voz aos submarinos que, supostamente, “Paulo Portas teve a ideia de comprar”. Aliás, tal como já escrevi no post 48 do Carimbo, não deve ser esquecido que a nova Lei de Programação Militar (que contempla um plano de reequipamento ajustado ao controle do défice orçamental) foi aplaudida e apoiada pelo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e pelos Chefes de Estado-Maior dos ramos. Também não deve ser esquecido que, na proposta de Lei de Programação Militar apresentada pelo Governo socialista, se destacavam, pelos seus custos, os programas de aquisição de submarinos para a Marinha, de helicópteros para o Exército e de aviões F16 para a Força Aérea. Em 1998, a aquisição de três submarinos era justificada pelo Governo socialista com a necessidade de substituição de três submarinos que, em 1999, completaram trinta anos de vida útil. Em 1998, o PS afirmava que os submarinos, “vulgarmente apelidados de a arma dos pobres, são, apesar de tudo, armas caras” que não podem ser dispensadas por duas razões principais:

1ª) “Se por uma má avaliação das nossas necessidades eventualmente influenciada por não termos de momento ameaças à vista desistíssemos deste sistema de armas, mais tarde para as readquirirmos teríamos de recomeçar do zero, com dificuldades acrescidas na preparação de recursos humanos”;
2ª) O que desaconselha “a perda deste sistema de armas, de importante poder dissuasor, é a grande extensão marítima que temos necessidade de defender quer numa perspectiva de defesa autónoma quer para atendermos às responsabilidades de defesa que assumimos no âmbito das alianças e acordos internacionais”.


O actual Ministro da Defesa reduziu o número de submarinos a adquirir e, aparentemente, conseguiu um contrato vantajoso. No entanto, é acusado de ter tido a infeliz “ideia de comprar os submarinos”. É contra esta forma de discussão política, em que o que serve hoje para um partido no governo já não serve amanhã para o mesmo partido na oposição, que eu me insurjo. O Ter Voz preferiria que eu me limitasse a escrever sobre engenharia porque quando abordo temas políticos, “é o que se vê”. Agradeço o elogio e aproveito para citar Aristóteles: "o homem é, por natureza, um animal político". Por isso pergunto o que é que se vê quando eu abordo temas de carácter político? A única coisa que eu vejo é alguém que escreve abertamente sobre assuntos que incomodam o PS e, em particular, alguns "soaristas" e os militantes da secção de Benfica, os quais, desde já, saúdo e cumprimento pelo esforço que têm feito, internamente, no sentido de estimular uma oposição mais efectiva. Espero, sinceramente, que sejam bem sucedidos. Entretanto, a julgar pelos jornais de hoje, parece que a questão da liderança do PS e da estratégia do partido continua viva e veio para ficar. Será que a estratégia adoptada por Ferro Rodrigues na rentrée do PS se virou contra ele?

Finalmente, agradeço as canções de John Lennon e dos The Beatles que o Ter Voz, de uma forma simpática, me dedica. No entanto, tenho a obrigação de lembrar que a ambição por um mundo perfeito e socialmente justo não é uma característica exclusiva da esquerda.

ANS

93 – CANÇÕES DE 1973 (VII)


Prometi, na passada sexta-feira (19 de Setembro), lembrar uma canção lançada no ano de 1973 por um autor cujo nome começasse pela terceira letra do alfabeto. Hoje, com uma semana de atraso, cumpro finalmente essa promessa. No entanto, não o farei sem, primeiro, lembrar Billy Paul e Bette Midler, cujas canções Me And Mrs Jones e Boogie Woogie Bugle Boy (ou ainda Do You Want To Dance) constituíram verdadeiros sucessos em 1973. Uma vez cumprido este dever, passo então à tal promessa e recordo Carly Simon e a sua canção You’re So Vain, a qual já foi objecto de muita especulação em torno da pessoa a quem é dedicada. Enquanto uns afirmam tratar-se de Mick Jagger, outros garantem que a canção é dedicada a Cat Stevens e outros ainda acreditam tratar-se de Warren Beatty. A cantora nunca revelou a verdadeira identidade dessa pessoa, se é que ela existe.


YOU’RE SO VAIN

You walked into the party
Like you were walking onto a yacht
Your hat strategically dipped below one eye
Your scarf it was apricot
You had one eye in the mirror
As you watched yourself gavotte
And all the girls dreamed that they'd be your partner
They'd be your partner, and

You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you?

You had me several years ago
When I was still quite naive
Well, you said that we made such a pretty pair
And that you would never leave
But you gave away the things you loved
And one of them was me
I had some dreams they were clouds in my coffee
Clouds in my coffee, and

You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you?

[instrumental interlude]

I had some dreams they were clouds in my coffee
Clouds in my coffee, and

You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you?

Well, I hear you went up to Saratoga
And your horse naturally won
Then you flew your Lear jet up to Nova Scotia
To see the total eclipse of the sun
Well, you're where you should be all the time
And when you're not, you're with
Some underworld spy or the wife of a close friend
Wife of a close friend, and

You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you? Don't you?

[instrumental interlude]

You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
You probably think this song is about you

You're so vain (so vain)
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you? Don't you?

By Carly Simon



Desta vez, apenas prometo que a série “Canções de 1973” irá continuar e que, sempre que tiver a possibilidade de escrever no Carimbo, aproveitarei para recordar mais uma canção.

ANS

92 – SOU BLOGO-CALMO


Já aqui referi as características extremamente viciantes dos blogs. São características que eu sinto fortemente e, por esse motivo, foi muito difícil não poder escrever durante toda a semana. Pois é, fui obrigado a trabalhar todos os dias até tarde e, por isso, não sobrou muito tempo para blogar. Ainda consegui ir acompanhando o que foi sendo escrito nos blogs que fazem parte da (já muito longa) lista que podem ver na coluna da esquerda do Carimbo, mas não consegui arranjar tempo para escrever. É que eu tenho esta incorrigível tendência para escrever posts muito longos, os quais consomem um tempo considerável. Como o ritmo de trabalho não irá diminuir tão cedo, apenas poderei escrever nos fins-de-semana (e apenas naqueles que forem passados em casa).
Enfim, adaptando as auto-denominações de Paulo Portas (o “euro-calmo”) e António Costa (o “luso-calmo”), eu assumo-me como blogo-calmo durante os dias úteis. Nos fins-de-semana, pelo contrário, serei um blogador inveterado ou, como diriam Paulo Portas e António Costa, um blogo-nervoso ou um blogo-stressado, ou ainda um blogo-inquieto ou até mesmo um blogo-animado. Aceitam-se outras sugestões.

ANS