30 julho 2003
28 - SISMOS
O território nacional tem já uma longa história no que diz respeito a sismos. Por exemplo, no século XX ocorreram três sismos importantes: o sismo de Benavente (1909), o sismo de Fevereiro de 1969 e o sismo da Terceira (1980). Quanto aos sismos de maior magnitude, dos quais o mais importante foi o sismo de 1 de Novembro de 1755, é possível verificar uma periodicidade de cerca de 200 anos visto que os outros grandes sismos ocorreram em 1353 e 1531. Este panorama sismológico, com um período de retorno aparentemente grande entre sismos de elevada magnitude, contribui para que a população se "esqueça" da forte probabilidade de uma ocorrência deste tipo.
Só assim se justifica que as campanhas de prevenção (sobre as medidas a tomar por cada indivíduo durante um sismo) apenas ganhem notoriedade depois de os sismos (ainda que pequenos) ocorrerem. Recordo o que aconteceu há alguns atrás, quando ocorreram os sismos de Northridge (nos EUA, a 17 de Janeiro de 1994) e de Kobe (no Japão, a 17 de Janeiro de 1995). O grande impacto desses sismos deu início a uma discussão sobre a segurança das construções face à acção sísmica. Além do carácter mediático dessa discussão (nos primeiros tempos após a ocorrência dos sismos), verificou-se também (felizmente) um fortalecimento da discussão que já existia ao nível técnico e científico. Na sequência dessa discussão (patrocinada pelo Serviço Nacional de Protecção Civil) foram propostas em 1995 as seguintes acções prioritárias para a redução dos riscos sísmicos em Portugal:
1 - Inventariação das pontes e viadutos mais importantes para assegurar os fluxos de tráfego e trajectos de emergência nas áreas metropolitanas;
2 - Estabelecimento de um programa de actuação para as Estruturas Importantes, Perigosas e Especiais (hospitais por exemplo);
3 - Formação de pessoal e preparação de material de apoio necessário a fazer face à ocorrência de um sismo;
4 - Revisão, por parte das autoridades administrativas, da situação do licenciamento das obras;
5 - Estabelecimento, por parte das autoridades administrativas, de cenários de desastre que orientem a preparação de Planos de Emergência.
Este trabalho tem sido feito e, na sequência do mesmo, algumas obras de reforço já tiveram lugar (dou como exemplo alguns viadutos da 2ª Circular em Lisboa). No entanto, embora estas medidas sejam muito importantes para diminuir o risco sísmico, elas aplicam-se essencialmente a infra-estruturas e a equipamentos públicos.
Por outro lado, temos o património edificado de âmbito privado, o qual se baseia, em grande parte dos casos, em projectos de estabilidade baratos, incompletos e de qualidade duvidosa ou até em ausência de projecto. É praticamente impossível prever o comportamento destas construções na eventualidade de um sismo de grande magnitude.
De facto, todos conhecemos alguém que construiu ou está a construir um edifício (pode ser uma simples vivenda). Se lhes perguntarem como escolheram o projectista, a resposta será algo como: "Escolhi um que era muito mais barato que os outros e, ainda por cima, fazia o projecto muito mais depressa e com garantias de uma rápida aprovação camarária". A Engenharia Civil é uma actividade que envolve um risco muito grande e não pode conviver com esta imoralidade.
Relativamente a isto, parece-me que a Ordem dos Engenheiros ainda tem muito a fazer. A Ordem dos Arquitectos, por exemplo, conseguiu recentemente fazer aprovar a obrigatoriedade da inscrição como membro efectivo daquela entidade para se ser autorizado a desenvolver projectos de Arquitectura. Na Ordem dos Engenheiros, em particular no que se refere à especialidade de Engenharia Civil, essa medida não é suficiente. O facto de a Engenharia Civil ser multidisciplinar (Estruturas, Construção, Geotecnia, Hidráulica, etc...) tem de ser considerado. Por outro lado, a Engenharia Civil é uma actividade de carácter técnico-científico, o que obriga a uma constante actualização de conhecimentos. Não me parece que isto se consiga apenas assistindo a um ou outro seminário, ao qual se vai para evitar um dia de trabalho, rever colegas e almoçar de borla. É necessário controlar a qualidade dos projectos porque os termos de responsabilidade exigidos actualmente aos projectistas não resolvem tudo (e se forem termos de irresponsabilidade?). Sugiro que todos os projectistas tenham, em cada ano, pelo menos um dos seus projectos (seleccionado aleatoriamente) sujeito a revisão por uma entidade competente composta por profissionais muito qualificados.
ANS
27 - MAIS AGRADECIMENTOS
É com muita satisfação que verifico que JMF do Terras do Nunca refere no post ESTADO DAS COISAS que gostou de visitar O Carimbo. Aproveito para sugerir o termo "chamada" como substituto da palavra post.
Agradeço ao Ter Voz por incluir O Carimbo na sua rubrica Toma Lá... Dá cá... e registo ainda a chamada de atenção do Adufe no post FLEXÕES NA BLOGOESFERA (não será na blogosfera?), o qual reproduzo por inteiro:
"O Blogger, o IExplorer ou um qualquer desígnio do todo poderoso html obriga-nos, habitantes da blogoesfera, a um exerciciozinho periódico:
Vai de fazer flexões! O estranho é que em vez do acima-a-abaixo temos um: restaurar, maximizar, restaurar, maximizar...
Esta é perfeitamente original. E são cada vez mais os blogues a oferecerem dicas de ginástica.
N'O Carimbo, por exemplo, já temos informação no template:
Se não conseguir ver a totalidade da página vá ao canto superior direito da janela e faça restaurar seguido de maximizar."
Caro Rui, um pouco de ginástica faz sempre bem e, por essa razão, mantenho a recomendação mas altero a frase em questão para um menos original "se não conseguir ver a totalidade da página pressione o botão de maximização/restauro do tamanho da janela". De qualquer forma, aceito outras sugestões.
ANS
29 julho 2003
26 - A PRIMEIRA SEMANA
O Carimbo inicia hoje a sua segunda semana de existência. Para trás ficam 7 dias de uma agradável experiência. Tomei conhecimento do mundo dos blogs (tenho alguma dificuldade em utilizar termos como "blogosfera") através da reportagem da Visão, mas só comecei a ler os ditos blogs a partir da segunda quinzena de Julho. Li e gostei tanto que, na noite de 21 para 22 de Julho, resolvi criar o meu próprio blog.
Uma nova leitura das sugestões da Visão foi suficiente para me orientar nos passos iniciais. Depois começaram os problemas, como por exemplo a escolha de um nome para o blog (não é fácil encontrar nomes disponíveis). Uma vez ultrapassado este problema, passei efectivamente à construção do Carimbo: escolhi o template adequado, abri uma nova conta hotmail exclusiva do Carimbo e instalei um contador de visitas. Só mais tarde me iria deparar com o problema da inclusão de imagens, o qual ficou resolvido depois de uma pesquisa de propriedades nas imagens de O Latinista Ilustre, o qual me lembrava ter sido referido por Pacheco Pereira no Abrupto relativamente a esta questão.
Finalmente estava em condições de publicar o primeiro post, ao qual dei o título de INAUGURAÇÃO. Nesse post refiro-me ao Carimbo como um blog colectivo. De facto, quando iniciei o blog convidei alguns amigos a participar e eles aceitaram o convite. Infelizmente, até hoje só eu contribuí com textos para O Carimbo. Confesso que os primeiros textos foram difíceis. De facto, não é a mesma coisa escrever artigos de carácter técnico (dirigidos a uma comunidade muito restrita de pessoas) e escrever num blog sobre aquilo que pensamos da actualidade. Escrever neste blog é como pensar em voz alta, tão alta que pode ser ouvida por todos aqueles que (em qualquer lugar do mundo de língua portuguesa) se deparem com o Carimbo. E isso pode acontecer hoje, amanhã ou depois. No entanto, os meus pensamentos de hoje não são necessariamente os mesmos de amanhã. Por exemplo, há dias em que, olhando para trás e analisando os posts que deixei no Carimbo, tenho vontade de apagar tudo. Também há outros dias em que os textos voltam a fazer sentido. Não sei o que se passa com os outros bloggers, mas este sentimento é estranho para mim.
Parece que existe um código de conduta para bloggers, no qual se assume que texto postado não é apagado. No entanto, como o Expresso (quando for grátis incluo a hiperligação) já demonstrou, os códigos de conduta existem para ser quebrados. Quero com isto dizer que no Carimbo mando eu e, se eu achar que determinado post deve desaparecer, desaparece mesmo. O meu código de conduta resume-se a ser cordial para com os outros bloggers, os quais faço questão de avisar (via e-mail) sempre que são referidos no Carimbo. A propósito disto, quero aproveitar para agradecer a forma cordial como Luís Camilo Alves, Miguel Góis, Carlos Antunes e Leonel Vicente responderam a esses e-mails.
Já que estou em maré de agradecimentos, aproveito para referir que é com muito agrado que vejo O Carimbo incluído na lista de blogs recomendados pelo Aviz (excelente blog), Fumaças e aaanumberone. Quanto aos blogs recomendados pelo Carimbo só posso afirmar que são aqueles que, de uma forma original, abordam temas que me interessam (e a Arquitectura é indiscutivelmente um deles - parêntese dirigido à simpática autora do Amostra de Arquitectura).
Para finalizar este resumo (nada breve) da minha experiência com O Carimbo, resta-me referir que, à medida que os dias vão passando, me vou sentindo mais à vontade com a blogosfera (estou a esforçar-me por adquirir este vocabulário) e que, talvez por isso, os meus textos passem a revelar mais de mim. Entretanto, ficam para trás 25 textos lidos por cerca de 200 visitantes do Carimbo. É agradável constatar que aquilo que pensamos pode chegar a tanta gente. Quando me refiro ao número de visitas não estou a medir o pirilau (como escreve Pedro Mexia no post MEDIR O PIRILAU), embora o pudesse fazer pois O Carimbo só agora começa a sair da adolescência. Esta analogia (bem conseguida) de Pedro Mexia lembra-me um filme (muito, muito fraquinho) de 1980, o Porky's. Não consigo deixar de pensar naquele obsessivo Pee Wee que exclama "It's getting shorter!" depois de actualizar o seu gráfico de erecções matinais. Ainda a propósito do Porky's: a homenagem que este filme faz àquele machismo que é típico de adolecentes, mas que muitas vezes nos acompanha o resto da vida, obriga-me a ver o Pipi como uma das suas personagens. Poderia ser o Meat, por exemplo. Já estou a imaginar os bonitos epítetos que o Pipi me vai atribuir...
Enfim, já me dispersei. Hoje começa uma nova fase da vida do Carimbo. É o início da idade adulta, a qual espero que seja descontraída.
Bem-vindos ao Carimbo.
ANS
25 - NOVA MODALIDADE OLÍMPICA
Agora que se começa a considerar a hipótese de lançar uma candidatura nacional à organização dos Jogos Olímpicos de 2016, penso que deveria ser aproveitada a oportunidade de incluir mais uma modalidade: o "Rally das Tascas". É que, depois de consumir em 60 "tasquinhas" consecutivas, Alberto João Jardim (AJJ) provou estar à altura de super-homens como Lance Armstrong e Michael Phelps. Duvido que AJJ consiga manter a forma por mais 12 anos, mas se o Comité Olímpico de Portugal realizar os esforços necessários para o desenvolvimento desta nova modalidade, talvez possamos vir a ter alguém capaz de atingir sem problemas a marca histórica de 100 barraquinhas.
ANS
24 - ESCUTAS TELEFÓNICAS III
Eu já tinha reparado que a maioria dos madeirenses não consideravam Alberto João Jardim (AJJ) como uma pessoa normal. Havia qualquer coisa que os obrigava a defender sempre as acções de AJJ. Agora já sei que o motivo para tal atitude é o facto (confessado) de o líder do governo regional da Madeira ser omnipresente ("Ele" está no meio de nós).
O que eu estranho é que AJJ tenha atribuído aos portugueses continentais o epíteto de "cubanos" quando é a Madeira que está cada vez mais parecida com Cuba. De facto, a Madeira é uma ilha (que não sobrevive isolada) com um líder forte e omnipresente (que tudo vê e tudo sabe). Cuba também é uma ilha (que não sobrevive isolada) com um líder forte e omnipresente (que tudo vê e tudo sabe). Assim não há oposição que resista na Madeira.
Se a direcção do Partido Socialista estiver mesmo interessada em saber o que a Polícia Judiciária escutou, pode contratar os serviços de AJJ. O problema devem ser os valores da transferência de tamanha estrela para o "clube" rival.
Agora a sério. Há cerca de 7 anos atrás visitei Cuba e pude perceber o medo da população quando se mencionava o nome de Fidel Castro. Também pude perceber a pobreza extrema em que vivem os cubanos (e não me venham tentar convencer que aquela é uma "pobreza feliz"). A nossa Madeira não é nem nunca será assim!
ANS
28 julho 2003
23 - PÚBLICO EM LINHA
Às vezes o tempo pára para a edição online do Público. Ontem foi um dia assim e o Público sugeriu que lêssemos novamente a edição de Sábado. No entanto, hoje (segunda-feira) o Público redime-se e oferece-nos uma das suas melhores edições dos últimos tempos. Escrevo isto porque são de facto muitos os temas com interesse: a Justiça Portuguesa e o escândalo da Casa Pia e afins (a "conspiração" para destruir o PS e o caso CIDEC); o "novo" modelo de financiamento do sistema rodoviário (comentarei certamente este assunto quando conhecer as propostas do governo); o ministro da defesa, o Exército Português e Carlos Carvalhas (que critica o estilo populista de Paulo Portas e, ao mesmo tempo, diz não alimentar especulações mas devia estar a referir-se apenas àquelas que estão relacionadas com o Movimento de Renovação Comunista e com Fidel Castro); a crise no governo italiano, a intervenção americana na reconstrução do Afeganistão e do Iraque, o roteiro para a paz no Médio Oriente e os conflitos na África Ocidental; a liberdade da mulher africana (muito interessante) e, por fim, os super-homens Lance Armstrong (em português seria Lança BraçoForte, o que parece ser um nome adequado) e Michael Phelps. A anedota do dia (embora tenha ocorrido ontem) é sem dúvida Alberto João Jardim e o seu "projecto federal".
Obrigado Público, foi uma boa leitura.
ANS
22 - ESCUTAS TELEFÓNICAS II
Eu já suspeitava que o crime compensava, mas não tinha a certeza. Porém, na passada sexta-feira fiquei convencido de que pelo menos o crime de Inside Trading compensa. A condenação de Miguel Sousa Cintra (MSC) ao pagamento de apenas meio milhão de euros é a prova que me faltava.
É verdade que os insiders incorrem sempre em muitas despesas, como por exemplo: o pagamento (incluindo juros) do empréstimo de "alto" risco que possam ter contraído (como fez MSC para adquirir as acções da Vidago antes da OPA lançada pela Jerónimo Martins); o pagamento de honorários aos advogados que possam eventualmente vir a ser contratados para conduzir a sua defesa no caso de serem identificados pela CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários); e, finalmente, a eventual "multa" a que possam ser condenados em Tribunal. No entanto, mesmo com tanta despesa, MSC conseguiu certamente guardar para si uma boa parte das mais valias de quase 4 milhões de euros obtidas com a venda das acções da Vidago.
Só espero que entre os milhares de alvos de escutas telefónicas da Polícia Judiciária (PJ) não se incluam pessoas com uma posição privilegiada (ou com acesso a informações confidenciais) em determinadas empresas. É que agora os funcionários da PJ sabem que é fácil conseguir rapidamente uma reforma dourada sem incorrer em penas de prisão efectiva e com a possibilidade de contribuir generosamente para instituições de carácter humanitário (desde que obrigados a tal). A tentação é grande...
ANS
27 julho 2003
21 - UNIVERSOS PARALELOS
Depois de ler o post UMA CARTA DO DR. FREUD no Aviz, comecei a questionar se teria sido possível evitar (algures na história) o chorrilho de desgraças enunciadas por Francisco José Viegas (FJV), nomeadamente "... o 11 de Setembro, o regime talibã, o empobrecimento das sociedades do Médio Oriente e uma geração de bombistas-suicidas."?
Eu concordo com FJV quando ele afirma que "O estado palestiniano nunca existiu por exclusiva responsabilidade dos países árabes da região, que não o permitiram ..." ao iniciarem em Maio de 1948 a Guerra da Independência, a qual terminou com uma retumbante vitória israelita (considerada apenas como um acidente de percurso pelos países árabes). De facto, desde essa data, os conflitos israelo-árabes foram muitos: 1967 (Guerra dos 6 Dias); 1978 (invasão israelita do sul do Líbano para garantir a segurança fronteiriça); 1982-1985 (novo conflito no Líbano para forçar a retirada da OLP); 1991 (1ª Guerra do Golfo); 1996 (conflitos com a Síria e o Líbano motivados por ataques do Hamas e do Hezbollah, respectivamente). Ao mesmo tempo, o terrorismo (iniciado pelos palestinianos em 1972) tem sido uma constante, tendo adquirido uma maior expressão com o início da Intifada em 1987 e com o início dos ataques suicidas pelo Hamas em 1996. Esta pequena cronologia ilustra (de uma forma simplista) a impossibilidade da criação do Estado Palestiniano. No entanto, além dos Estados Árabes, também os judeus ortodoxos contribuiram, em 1996, para impedir a aplicação dos acordos de Oslo.
Será que esta cronologia poderia ser diferente?
Suponhamos que, após a 1ª Guerra Mundial, a transição para a independência da Palestina teria sido efectuada directamente, sem interferência da administração franco-britânica ao abrigo da Sociedade das Nações. Nessa altura existiam menos de 90.000 judeus no território. Será que, com base nesta hipótese, o fortalecimento do nazismo na Alemanha nos anos 30 teria levado centenas de milhares de judeus a fugirem para a Palestina, ou teriam eles escolhido outros locais? É verdade que o Fundo Nacional Judaico já adquiria terras na Palestina desde o início do século, mas a população judaica na Palestina cresceu de repente para cerca de 400.000 habitantes, sendo já 650.000 (cerca de 40% da população do território) quando Ben-Gurion declarou o Estado de Israel em 1948. Teria isto sido possível? Ou será que o resto do Mundo teria sido obrigado a partilhar as reponsabilidades no acolhimento da população judaica destruída pelo nazismo?
E o que dizer da possibilidade de entrega, após a 2ª Guerra Mundial, de parte do território alemão ao povo judaico? Será que teríamos agora na Europa o ambiente explosivo que encontramos no Médio Oriente? Será que teríamos assistido a um alastramento do fundamentalismo cristão na Europa?
Consideremos agora uma outra hipótese, a qual assume a manutenção da cronologia antes referida até 1991 (1ª Guerra do Golfo). Será que se a Operação Tempestade no Deserto tivesse sido continuada por uma segunda operação militar do género daquela a que estamos agora a assistir no Iraque, teria sido possível evitar o alastramento do fundamentalismo islâmico? Será que teria sido possível aplicar as ideias que Shimon Peres apresenta em O Novo Médio Oriente (1993)? Poderíamos ter hoje no Médio Oriente uma efectiva cooperação entre Estados e povos, com o consequente desenvolvimento económico e humano? Poderíamos hoje assistir a uma utilização inteligente dos recursos do petróleo naquela região, garantindo (como sugere Shimon Peres) por exemplo uma equitativa distribuição de água e, portanto, de riqueza? Se assim for, então Bush (pai) perdeu uma excelente oportunidade de salvar muitas vidas. Quero acreditar que Bush (filho) não desperdiçará esta oportunidade, embora agora seja muito mais difícil porque o fundamentalismo islâmico se enraizou, o terrorismo atingiu proporções inimagináveis e os habitantes da região parecem não se conseguir libertar do ódio que lhes foi incutido ao longo de 90 anos de conflito.
Isto faz-nos pensar, não faz?
ANS
26 julho 2003
20 - BSE: BLOCO DOS SEGUIDORES DE ESTALINE
Concordo plenamente com o que Pedro Mexia escreve no post O PCP É O PCP do Dicionário do Diabo. Primeiro, Bernardino Soares e Ruben de Carvalho manifestaram as suas dúvidas sobre a não existência de uma democracia na Coreia do Norte e sobre a ilegitimidade das execuções decretadas pelo regime de Cuba. Agora só já falta ouvir um terceiro elemento da ala conservadora do Partido Comunista Português (PCP) colocar as suas dúvidas sobre a prova da existência de um regime de terror na URSS desde 1920 até aos acontecimentos que levaram ao seu desmembramento. Só falta justificar a necessidade do Terror Estalinista (em particular, entre 1937 e 1941).
Isto já parece uma obsessão religiosa... será que estão à espera do Messias (leia-se Iossif Vissarionovitch Djugatchvilli Júnior)? Talvez a espantosa recepção à reencarnação de Estaline imaginada por Robert Harris em Archangel pudesse ter lugar entre os comunistas conservadores portugueses.
Não concordo com o Movimento da Renovação Comunista. Devia ser ao contrário. Deveriam permanecer no PCP aqueles que, embora acreditando na utopia marxista, assumem e condenam os erros cometidos pelos regimes comunistas em todo o mundo. Os outros que criem um outro partido assumidamente extremista e radical. Não deve ser difícil encontrar siglas...
ANS
19 - SÉRIE: OS ESTRANGEIROS QUE EU CONHEÇO (I)
Todos temos opiniões pré-concebidas (para evitar a carga negativa da palavra preconceito) sobre as várias nacionalidades que existem no Mundo. Eu tenho as minhas opiniões (vá-se lá saber onde, como e porque é que as adquiri?) e é engraçado constatar, à medida que vou conhecendo pessoas dos mais diversos países, que embora algumas vezes elas se encaixem na minha expectativa, também não são poucas as vezes em que as surpresas acontecem. Assim, dou hoje início à série Os Estrangeiros Que Eu Conheço. Vou começar pelos países atravessados pelo meridiano de Greenwich e depois avançarei para leste até chegar novamente ao local de partida.
OS INGLESES
Pensava que os ingleses viviam no passado; tinham o seu humor controlado pelo tempo; não eram vaidosos ou, pelo menos, eram desleixados; eram pouco asseados; gostavam de beber; e não falavam línguas estrangeiras. Penso que esta é uma ideia mais ou menos generalizada, a qual é até aceite pelos próprios.
No entanto, os ingleses que eu conheço não são todos assim.
Se é verdade que a maioria deles assume um forte nacionalismo e fala como se ainda vivesse na metrópole do Império, pensando que o resto do Mundo se resume às antigas colónias britânicas mais os EUA, a França e a Alemanha (pelas razões que são óbvias), também existem aqueles que percebem que a Inglaterra é hoje um país diferente, menos poderoso economicamente e mais dependente da Europa continental. Estes são os que abraçam a adesão à União Monetária e fazem um esforço por aprender uma língua estrangeira (em geral o espanhol) porque sentem a concorrência dos europeus continentais no mercado de trabalho.
Os ingleses são muito vaidosos! Mas as referências de moda que eles têm é que, para mim, são um problema. Para aqueles que, em Portugal, criticam os ambientes sociais facilmente identificáveis pela sua forma de vestir, como por exemplo os betos, os surfistas, os roqueiros e outros, endereço o convite para visitarem a Inglaterra (que não se resume a Londres). Os jovens ingleses vestem fato-de-treino durante quase toda a semana (às vezes usam calça de ganga, mas mantêm a camisola do fato-de-treino) e na sexta-feira é obrigatório usar calça preta e camisa cinzenta (se for brilhante é ideal) por fora da calça. Os sapatos devem ser tão extravagantes quanto possível e o cabelo igual ao de Mr. Beckham. As jovens inglesas vestem o mesmo que eles durante o dia-a-dia e à sexta-feira calçam os sapatos de salto mais alto que encontram no roupeiro da mãe e uma mini-saia muito curta. A peça superior de um biquíni funciona normalmente como top (independentemente da dimensão da pança da senhora). Não sei o que colocam na rosto, mas andam bronzeadas o ano inteiro como Mrs. Victoria Posh. Também há ingleses que não são assim mas isso não quer dizer que não se preocupem com a sua aparência. Preocupam-se muito e eu fiquei surpreendido com isso.
Quanto à falta de asseio, ao gosto pela bebida e ao sorriso estampado no rosto quando o sol aparece, só posso afirmar que são características que assentam que nem uma luva aos ingleses que eu conheço.
Goste-se ou não do inglês que eu aqui caracterizei, a verdade é que tenho bons amigos neste país. Os ingleses dão muito valor à amizade e quando nos consideram como amigos, sentem-no verdadeiramente.
Cenas do próximo capítulo: Pensava que os franceses...
ANS
18 - JOHN COOPER CLARKE
Ao ver a programação da BBC3 para amanhã deparei com o novo programa Whine Gums sobre a moderna poesia britânica. Fiquei surpreso por constatar que Johnny Clarke é uma referência constante do programa. De facto, é uma surpresa verificar este regresso aos 54 anos de idade depois de mais de 20 anos de ausência (eu pelo menos não tive notícias), os quais foram dedicados a um desgastante estilo de vida punk.
Aqui vos deixo Evidently, Chicken Town do álbum Snap, Crackle & Bop (1980):
the fucking cops are fucking keen
to fucking keep it fucking clean
the fucking chief's a fucking swine
who fucking draws a fucking line
at fucking fun and fucking games
the fucking kids he fucking blames
are nowhere to be fucking found
anywhere in chicken town
the fucking scene is fucking sad
the fucking news is fucking bad
the fucking weed is fucking turf
the fucking speed is fucking surf
the fucking folks are fucking daft
don't make me fucking laugh
it fucking hurts to look around
everywhere in chicken town
the fucking train is fucking late
you fucking wait you fucking wait
you're fucking lost and fucking found
stuck in fucking chicken town
the fucking view is fucking vile
for fucking miles and fucking miles
the fucking babies fucking cry
the fucking flowers fucking die
the fucking food is fucking muck
the fucking drains are fucking fucked
the colour scheme is fucking brown
everywhere in chicken town
the fucking pubs are fucking dull
the fucking clubs are fucking full
of fucking girls and fucking guys
with fucking murder in their eyes
a fucking bloke is fucking stabbed
waiting for a fucking cab
you fucking stay at fucking home
the fucking neighbors fucking moan
keep the fucking racket down
this is fucking chicken town
the fucking train is fucking late
you fucking wait you fucking wait
you're fucking lost and fucking found
stuck in fucking chicken town
the fucking pies are fucking old
the fucking chips are fucking cold
the fucking beer is fucking flat
the fucking flats have fucking rats
the fucking clocks are fucking wrong
the fucking days are fucking long
it fucking gets you fucking down
evidently chicken town
ANS
25 julho 2003
17 - PRODUTIVIDADE
Não sei como é com os outros bloggers, mas eu tinha O Carimbo como home page do meu computador. Não era por egoísmo. Era só porque me dava mais jeito usar as hiperligações do Carimbo aos blogs que eu leio com mais frequência. No entanto, acabava por varrer aquela lista de hiperligações algumas vezes por dia, e não era raro verificar que apenas um ou outro blog tinha entretanto sido actualizado (por falar nisso, eu não sei o que havia na cerveja que Francisco José Viegas do Aviz bebeu, mas já começo a ficar preocupado).
Pois é, eu não conhecia os blogs que prestam serviço público, como por exemplo o bloco-notas, que nos permite ver quais os blogs que foram actualizados mais recentemente. É que O Carimbo ainda está na infância (completa hoje 4 diazitos), mas já consta na coluna da direita do bloco-notas.
É fantástico, na blogosfera até os blogs de serviço público apresentam qualidades excepcionais. Estes blogs apresentam não só uma elevada produtividade (são mesmo rápidos na inclusão de novos blogs no sistema) como também uma apurada capacidade de apreciação do carácter dos novos blogs (só ainda não percebi como é que o bloco-notas descobriu que é à direita que me sinto mais confortável; pensava que estava a ser bastante imparcial nos meus posts, mas afinal tenho que ser menos directo).
ANS
16 - BENFICA
Parece que o meu clube vai ter dificuldades na pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões. Mas mesmo assim espero que o reencontro com a Lázio de Roma corra tão bem ao Benfica como aconteceu no jogo de apresentação da equipa na temporada de 2000/01, o qual foi ganho pelo Glorioso por 4-2. A Caderneta da Bola que me corrija se eu estiver enganado. O problema é que desta vez o jogo é a sério e não temos o Mantorras para destruir a defesa italiana. Além desse contratempo, o Tiago está lesionado e ainda não temos defesa esquerdo. Ou seja, todos os sectores da equipa se encontram desfalcados. O Camacho tem que encontrar uma boa solução e, se não se lembrar de nenhuma, sugiro que peça conselhos ao Mourinho que humilhou os italianos na Taça Uefa (como é que alguém com este nome pode ser treinador do Futebol Clube do Porto e alinhar com o presidente do clube quando este atiça a fogueira da rivalidade norte-sul?). O Sr. Luís Filipe Vieira (LFV) também podia ajudar o coitado do treinador comprando um lateral esquerdo. Tem é que ser barato porque, como diz LFV, o dinheiro fala mais alto na escolha de um reforço para a equipa. E eu subscrevo:
That money talks,
I'll not deny.
I heard it once.
It said "Goodbye".
por Richard Armour
ANS
15 - TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
Já estou a ficar cansado de ler em todo o lado sobre as suspeitas do Dr. Ferro Rodrigues relativamente à existência de uma entidade oculta, misteriosa (tese da cabala) e poderosa que tem por objectivo a aniquilação por qualquer meio do líder da oposição e até da própria oposição. Se as suspeitas de Ferro Rodrigues são tão fortes, então porque é a sua resposta tão silenciosa quando lhe perguntam a quem ou a que entidade se está a referir em concreto? Qualquer dia, à falta de melhor desculpa, começa a dizer que o Partido Socialista (PS) não consegue fazer oposição ao governo porque tem de lutar contra o "sistema".
Sim, estou a falar do tal "sistema" que animou as eruditas conversas sobre futebol durante a última década. Esse "sistema" era sempre controlado por alguém invisível e poderoso que favorecia aqueles clubes que, em determinado momento, apresentavam melhores resultados desportivos. Tenho que dar razão a Rui Rio. A promiscuidade entre futebol e política foi de tal ordem que o PS já não sabe fazer oposição política e limita-se a disparar para o chão, na tentativa de nos jogar poeira para os olhos e mostrar que está lá (ainda que apenas de corpo presente). Esta técnica é útil para quem não sabe o que está a fazer, como a maioria dos dirigentes desportivos da última década (embora pareça que a atitude destes começa agora a mudar), mas conduz sempre, mais cedo ou mais tarde, a maus resultados (como aconteceu com algumas modalidades desportivas).
Caro Dr. Ferro Rodrigues, exponha publicamente aquilo que sabe (sem receios). Se não sabe de nada, então não invente. A oposição (que também foi eleita) existe para agir, para trabalhar pelo país e melhorar a governação. Aposto que os portugueses estão muito interessados nas alternativas que o PS tem (ou terá) a apresentar para melhorar a sua vida.
Já agora, o PS não é Paulo Pedroso, nem Paulo Pedroso personifica o PS. Paulo Pedroso é apenas um cidadão (que por acaso era deputado pelo PS) que foi constituído arguido num processo crime (que podia ser de pedofilia ou de outro tipo qualquer). Se houver mais pessoas no PS (ou num outro Partido) nestas condições, só há uma coisa a fazer: levá-las a julgamento como aconteceria com qualquer outro cidadão. As instituições não podem ser afectadas pelos crimes eventualmente cometidos por indivíduos a elas ligados. As instituições têm de continuar a trabalhar para o país pois foi para isso que foram criadas. Este princípio é basilar e o PS assume-o muitas vezes, mas depois actua de uma forma completamente oposta. Parece que os rapazes do PS se esqueceram dos motivos pelos quais foram eleitos e têm agora como único objectivo provar que o amigo Paulo Pedroso está inocente. Eu espero que Paulo Pedroso esteja, de facto, inocente e louvo a atitude de camaradagem dos seus colegas de Partido. Mas a disponibilidade para prestar declarações e ceder documentos que sejam porventura requeridos por aqueles que investigam o caso, é o máximo que os colegas de Paulo Pedroso podem fazer. É inadmissível que tragam o caso para o campo da política.
ANS
14 - OS NOSSOS FILMES PREFERIDOS
Apercebi-me, desde que vivo em Inglaterra, que os britânicos (para generalizar) têm uma grande apetência por listas. Fazem listas dos britânicos mais ricos, das canções que os britânicos preferem, dos filmes que os britânicos mais gostaram, etc. Tenho tomado conhecimento dessas listas pelos jornais mas nunca as guardo. Depois de uma rápida pesquisa no Google, encontrei a lista dos 100 filmes preferidos pelos britânicos. Esta lista é de Novembro de 2001, por isso, caros leitores, não se admirem se não encontrarem filmes como O Fabuloso Destino de Amélie Poulin, só para dar um exemplo. Gostaria de saber se, de acordo com as preferências lusas, os filmes Guerra das Estrelas - O Império Contra-Ataca, Padrinho II e Condenados de Shawshank também seriam os melhores filmes? É que este é sempre um bom tema de conversa para quem não possui a verbosidade e as capacidades sedutoras do Pipi.
ANS
13 - A PRIMEIRA REFERÊNCIA
Apercebi-me com agrado da referência (que pena não ser comentada) ao Carimbo por João Carvalho Fernandes num dos seus posts da série MAIS BLOGS do Fumaças.
Gostei de ver a figura de Churchill no cabeçalho do Fumaças, embora eu o aprecie mais pelo grande estadista que foi do que pelo facto de ser um dos mais famosos fumadores de charutos de todos os tempos. Entretanto, dedico ao Fumaças uma das frases utilizadas por Sir Winston Churchill para motivar os britânicos durante a 2ª guerra mundial:
ANS
12 - DESENVOLVIMENTO
No post PORTUGAL... ONDE FICA? referi-me à Alemanha, à Itália, ao Reino Unido e à França como países pertencentes ao grupo dos mais desenvolvidos da União Europeia (UE). No entanto após uma consulta rápida ao relatório anual do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), motivada pela leitura dos posts HUMAN DEVELOPMENT INDEX de Leonel Vicente no blog aaanumberone, pude verificar que não é bem assim.
Em termos de desenvolvimento económico, avaliado pelo Produto Interno Bruto per capita, verifica-se que estes países ocupam, respectivamente, as 7ª, 8ª, 11ª e 12ª posições. Ou seja, pertencem todos à segunda metade do ranking de produtividade da Europa dos 12. Como tinha referido, os países do alargamento a 15 ainda se encontram na cauda deste ranking. No entanto, de acordo com a informação divulgada pela revista Economist, com base em dados da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económicos), a Grécia é a segunda classificada no índice de aproveitamento do potencial de crescimento enquanto que Portugal ocupa a última posição.
No que se refere ao desenvolvimento humano, as conclusões são semelhantes e verifica-se que, dos países por mim referidos, apenas o Reino Unido aparece colocado nas primeiras 6 posições do ranking. Salienta-se ainda o facto de a Itália já ter sido ultrapassada pela Espanha, que ocupa agora o 12º posto. Tal como suspeitava, a Suécia lidera o ranking de desenvolvimento humano da UE.
A conclusão a tirar é que embora, por razões culturais, nós tenhamos o hábito de considerar a Alemanha, a França, a Itália e o Reino Unido como países muito mais desenvolvidos do que Portugal, tal só é verdade em termos económicos e não em termos de desenvolvimento humano, onde registamos um atraso muito pequeno.
No entanto, ao contrário do que fazem Jorge Coelho e José Sócrates, não podemos olhar apenas para este aspecto. De acordo com o relatório anual do PNUD, Portugal é o terceiro país da União Europeia no que se refere ao índice que confronta o desenvolvimento humano com o desenvolvimento económico, sendo apenas ultrapassado pela Suécia (como é óbvio) e pela Grécia. Logo atrás de Portugal vêm o Reino Unido e a Espanha. A França é a 7ª classificada e a Itália e a Alemanha aparecem nas 11ª e 12ª posições, respectivamente. O problema, para Portugal, é que a economia grega está a crescer bem acima do seu potencial de desenvolvimento e a economia espanhola está a crescer ao dobro da velocidade da portuguesa. Estamos a caminhar para o fundo da tabela de desenvolvimento económico da UE como consequência dos desastrosos governos do Partido Socialista.
Enquanto que o desenvolvimento humano parece sustentar e estimular as economias da Grécia e da Espanha, em Portugal acontece uma situação insólita. Temos um desenvolvimento humano que é visível e uma economia em recessão. É este um problema de mentalidades? Não pode ser só isso. É também um problema de desperdício. O desperdício pelos governos socialistas da oportunidade de ouro que tiveram para efectuar as reformas que todos sabíamos serem necessárias.
ANS
24 julho 2003
10 - CRUZANDO INFORMAÇÃO
Foi finalmente divulgado o relatório sobre os ataques terroristas de 11 de Setembro em Nova Iorque. Parece que, se a CIA e o FBI tivessem cruzado as informações disponíveis, os ataques poderiam ter sido evitados. Este facto, aliado às provas apresentadas pelos serviços secretos para justificar a intervenção militar no Iraque, as quais assumem hoje um carácter duvidoso, conduzirá certamente a uma restruturação dos serviços secretos americanos. Em que moldes será feita essa restruturação? Irá apenas do sentido da promoção do cruzamento de informação? Talvez.
Em Portugal também existem dois serviços de informações: o Serviço de Informações de Segurança (SIS) e o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa e Militares (SIEDM). No entanto, no nosso caso, o combate ao terrorismo é sem dúvida uma matéria da competência do SIS. Mas mesmo assim, penso que o cruzamento de informações entre estes dois serviços também deve existir. Estou a pensar por exemplo na segurança das nossas embaixadas ou do contingente de tropas da GNR que foi (ou será) enviado para o Iraque.
Generalizando, o cruzamento de informações é essencial em todos os sectores da sociedade, sejam eles controlados pelo Estado ou não. Só cruzando informação se conhece verdadeiramente a dimensão dos problemas. É por isso que é urgente a utilização de meios informáticos que possibilitem um rápido e fácil cruzamento de informação, com o objectivo de combater a fraude fiscal, de reduzir as listas de espera na saúde, de facilitar a entrada dos jovens no mercado de trabalho, etc. Resumindo a ideia, o cruzamento de informação também é um factor de aumento da produtividade. Estou curioso para ver essa reforma da administração pública...
ANS
9 - PINTO DA COSTA
Eu nem sequer sabia que que o Sr. Pinto da Costa era casado. Não é que isso me interessasse mas acabei por tomar conhecimento da situação no dia da final da Taça de Portugal, quando a repórter de uma estação de televisão (penso que da TVI) tentava entrevistar o presidente do Futebol Clube do Porto (FCP) após a vitória deste clube sobre a União de Leiria. Tal entrevista estava a revelar-se de difícil concretização porque Pinto da Costa estava visivelmente muito emocionado. Eu não sou adepto do FCP e confesso que também me emocionei (ligeiramente) com a campanha desportiva daquela equipa na época de 2002/03. Para não perder o tempo de antena, a repórter resolveu entrevistar primeiro a "namorada" de Pinto da Costa, tendo sido esta a forma como a apresentou perante as câmaras. A dita "namorada" corrigiu e referiu-se a Pinto da Costa como o seu "marido".
Alguns dias depois li uma notícia sobre a possibilidade de o Benfica vir a ter um novo dirigente do departamento de Relações Públicas. Esse dirigente poderia ser Filomena Pinto da Costa (ainda mulher de Pinto da Costa). Confesso que embora não seja muito dado a raciocínios deste tipo, o meu primeiro pensamento quando li aquele comentário entre parênteses foi algo como "o Pinto da Costa é bígamo!?". Depois pensei melhor e concluí que devia ser apenas mais um daqueles divórcios mal resolvidos.
Nunca mais pensei no assunto. Mas no sábado, graças ao Expresso (que não li porque a versão em linha também é cobrada) vim a descobrir que o divórcio do casal Pinto da Costa está extremamente mal resolvido, inclui cenas de violência e é mediático! Ainda que ninguém tenha nada que saber os pormenores do divórcio daquelas duas pessoas, ninguém a não ser a filha de ambos (coitada), este é um divórcio mediático.
Já aqui escrevi que três dos valores culturais do nosso tempo são o futebol, o álcool e o Big Brother. Se a combinação dos dois primeiros já era explosiva ("hooliganismo"), agora Pinto da Costa veio introduzir o Big Brother na equação. O Sr. Pinto da Costa é presidente de uma grande instituição desportiva do país e tem tido um desempenho brilhante na condução do clube à obtenção de importantes resultados desportivos, ainda que recorra demasiadas vezes a um estilo trauliteiro (para usar uma expressão do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa) mas também cirúrgico (é este o pormenor do qual se esquecem todos aqueles que tentam imitar Pinto da Costa). Se o FCP se tornou numa referência do país e, em particular, da cidade do Porto, também Pinto da Costa se tornou numa referência da cidade (o que não é razão suficiente para que Rui Rio tenha de andar de mãos dadas com ele) e tem portanto a obrigação de resolver os seus assuntos pessoais de uma forma mais discreta. Sem pretender ser moralista, julgo que Pinto da Costa deve resistir à tentação de usar a imprensa como faz frequentemente para resolver os problemas do FCP.
ANS
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