16 setembro 2003

83 - CANÇÕES DE 1973 (III)


Tal como ontem prometi, cá está um exemplo de rock'n'roll californiano concebido na Europa. Trata-se de uma canção dos The Beach Boys lançada no álbum Holland. Escolhi esta canção por causa da sua história. Aparentemente, os The Beach Boys gastaram "rios de dinheiro" para produzir o álbum Holland numa quinta na Holanda e, apesar do montante investido, a Warner Brothers rejeitou o álbum por considerar que este não tinha nenhuma canção que fornecesse garantias de sucesso. Assim, sem a participação de Brian Wilson, uma das canções que originalmente fazia parte do álbum foi substituída por esta:


SAIL ON SAILOR

I sailed an ocean, unsettled ocean
Through restful waters and deep commotion
Often frightened, unenlightened
Sail on, sail on sailor

I wrest the waters, fight Neptune's waters
Sail through the sorrows of life's marauders
Unrepenting, often empty
Sail on, sail on sailor

Caught like a sewer rat alone but I sail
Bought like a crust of bread, but oh do I wail

Seldom stumble, never crumble
Try to tumble, life's a rumble
Feel the stinging I've been given
Never ending, unrelenting
Heartbreak searing, always fearing
Never caring, persevering
Sail on, sail on, sailor

I work the seaways, the gale-swept seaways
Past shipwrecked daughters of wicked waters
Uninspired, drenched and tired
Wail on, wail on, sailor

Always needing, even bleeding
Never feeding all my feelings
Damn the thunder, must I blunder
There's no wonder all I'm under
Stop the crying and the lying
And the sighing and my dying

Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor

By Brian Wilson, Tandyn Almer, Jack Rieley and Ray Kennedy



Para amanhã está reservado um pouco da história do Far West.

ANS

15 setembro 2003

82 – RETRATO DE UM FIM-DE-SEMANA


Fui passar o fim-de-semana a Oxford. Saí de Liverpool na sexta-feira à tarde e, desta vez, tive sorte com o comboio (post 50 do Carimbo). Não houve atrasos e o comboio era novo, limpo e confortável. Também tive sorte porque apanhei o comboio numa estação terminal (Lime Street Station). Os passageiros que apanharam o comboio nas estações seguintes (Runcorn, Crewe, Wolverhampton, Birmingham e Banbury) viajaram em pé ("apenas" duas horas meia) até Oxford. No entanto, devem ter pago pouco menos do que eu (75 euros). Esta situação deve ser normal porque não ouvi ninguém reclamar.
Fiquei em casa de um amigo, nos arredores de Oxford, numa zona rural, onde todas as pessoas se conhecem e gostam de falar do tempo. Principalmente quando o tempo está como esteve neste fim-de-semana, ou seja, óptimo. Aproveitei para conhecer o local e fiz algumas caminhadas agradáveis através dos campos de cereais e das pastagens. Só não gostei do choque que apanhei quando, desprevenido, me agarrei a uma cerca de arame. Às vezes não percebo estes ingleses. Parecem estar sempre muito preocupados com a segurança, mas depois permitem que se possa entrar e sair dos autocarros quando estes estão em andamento, permitem que os passageiros dos comboios excedam largamente a lotação das carruagens em viagens longas e não avisam as pessoas quando colocam cercas electrificadas a delimitar as suas propriedades.
Irritado, voltei para casa, ou melhor, para a cottage. Esta é uma daquelas casas com telhados de colmo protegidos por uma rede metálica. As paredes são muito espessas e são feitas com uma argamassa (mistura de lama, cal, estrume, canas, palha, saibro, areia e pedra) que cobre pranchas de madeira. Segundo o meu amigo, a casa original (com mais de quatro séculos de existência) foi aumentada e remodelada há cerca de trinta anos. Desde então, a manutenção da casa tem implicado custos consideráveis. Mas, pelo que eu vi, vale a pena. De facto, se esquecer o facto de ter batido com a cabeça na verga das portas mais de dez vezes (mais um problema de segurança), posso garantir que a casa é muito confortável e convidativa. O mais estranho é ouvir, durante a noite, os animais que vivem no interior do telhado de colmo (thatch). Ainda bem que as obras de remodelação incluíram a construção de um tecto falso.
O dia seguinte (sábado) foi dedicado à cultura. A tarde foi passada com um grupo de amigos no Kassam Stadium (Estádio do Oxford United Football Club) a assistir ao jogo da Third Division (corresponde à quarta divisão, se incluirmos a Premier League) entre o Oxford United e o Mansfield Town. O jogo foi mau (como seria de esperar) e não justificou os 25 euros pagos pelo bilhete. O mais interessante foi verificar que os clubes da quarta divisão inglesa de futebol já encaram, desde há alguns anos, a sua actividade de uma forma empresarial. O estádio do Oxford United é novo, está apoiado por um centro comercial bastante grande e situa-se numa zona limítrofe da cidade, junto a diversos hotéis.
À noite, depois de uma “bela” refeição num restaurante chinês (as outras opções disponíveis eram um indiano, paquistanês ou tailandês), fomos assistir a uma peça de Shakespeare (The Tempest) ao ar livre. Os actores não eram maus e, à excepção de um que era péssimo, mereceram os 40 euros pagos pelo bilhete. Depois da peça fomos para um pub irlandês, cujas paredes estão totalmente revestidas com imagens de Collins e de De Vallera. A vantagem dos pubs irlandeses é que ficam a funcionar (com as portas fechadas) até às duas ou três da manhã.
A tarde de domingo foi também passada entre amigos num pub (com esplanada) perto do cruzamento da Broad Street com a Cattle Street, ou seja, perto da Ponte dos Suspiros e da espectacular Radcliffe Camera (sala de leitura da Bodleian Library). A conversa, bem regada por inúmeras pints de bitter e stout, durou até às seis horas da tarde (hora da partida do comboio de regresso a Liverpool). Falámos de inúmeros assuntos e o referendo para a adesão da Suécia à unidade monetária da União Europeia também esteve presente. Este é um tema com o qual os britânicos se identificam, até na preferência pelo “Não”. A sua desconfiança relativamente às implicações políticas da adesão à união monetária é enorme. Além da desconfiança política, os britânicos, tal como os suecos, estão contentes com as políticas monetárias que têm. De facto, nestes países, a inflação está controlada. O desemprego é bem menor do que a média da zona Euro e o crescimento do Produto Interno Bruto é também maior do que a média da zona Euro. Em equipa que ganha não se mexe, dizem eles. Por outro lado, os sinais de fraqueza que a Comissão Europeia vem demonstrando perante o desrespeito francês (e, talvez, alemão) pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento também não ajudam. De uma forma pragmática, os suecos e os britânicos acabarão por aderir ao Euro quando a economia da zona Euro apresentar um desempenho médio igual ou melhor do que o apresentado pelas suas próprias economias. Nessa altura, as pressões económicas farão esquecer os receios políticos, os quais continuarão a existir.
Foi com esta conclusão que regressei a Liverpool. É impressionante a forma como a paisagem muda entre Oxford e Liverpool. Essas mudanças não são naturais. De facto, o dinheiro consegue dar à região entre Oxford e Birmingham uma beleza que é impossível encontrar nos arredores de Liverpool. A pobreza desta região a norte de Gales é muito acentuada e isso reflecte-se na paisagem e nas pessoas. Estava a pensar nisto quando encontrei, na revista The Economist, um artigo com o título “The politics of behaviour”.
Neste artigo, é referido que, antigamente, a maioria dos problemas colocados aos deputados do Partido Trabalhista pelos seus constituintes relacionava-se com questões de segurança social, habitação, emprego. Estes problemas, embora complicados, acabavam por ter solução. Hoje em dia já não é assim. O deputado Frank Field (representante de Birkenhead, que fica junto a Liverpool, do outro lado do rio Mersey) queixa-se da dificuldade em encontrar soluções para os problemas actuais, os quais se baseiam em comportamentos anti-sociais como a falta de civismo, a desordem e o incómodo provocados por um cada vez maior número de pessoas. Como diria Shakespeare na sua peça The Tempest, “O brave new world, That has such people in’t.
Não me parece nada extraordinário que isto tenha acontecido. Para mim, os problemas de hoje são exactamente os mesmos de ontem. A população do Merseyside continua a lutar por segurança social, habitação e emprego. No entanto, após anos de queixas infrutíferas, é natural que muitas pessoas (já desesperadas) tenham desistido de escrever aos deputados que as representam. Será que os comportamentos anti-sociais não são apenas um reflexo dos mesmos problemas básicos que, desde os anos 70, afectam estas populações? Não sei. O que eu sei é que os comportamentos anti-sociais são evidentes para quem, como eu, vive em Liverpool. A imagem da cidade ressente-se deles. A destruição dos equipamentos urbanos é constante. A degradação também. Vai ser difícil transformar a imagem de Liverpool até 2008, ano em que esta cidade será a Capital Europeia da Cultura. No entanto, os trabalhos já começaram. Até parece o Porto.

ANS

81 - O PODEROSO BATER DE ASAS DA BORBOLETA


Um leitor do Carimbo, a quem desde já agradeço, enviou um e-mail com uma hiperligação para uma notícia do Diário de Notícias, na qual se pode ler que o IEP sugeriu a teoria do caos para explicar a queda da passagem superior de peões no IC19.
Se a estrutura colapsou devido ao bater de asas de uma borboleta em Pequim, então isso aconteceu porque a estrutura estava muito, mas mesmo muito fragilizada. Se a estrutura foi submetida a trabalhos de reparação/alteamento do tabuleiro, então isso aconteceu porque antes dos referidos trabalhos a passagem superior de peões se encontrava ainda em piores condições de segurança. Mas não caiu. Talvez porque a borboleta não bateu as asas em Pequim. Que sorte...
Como é óbvio, a estrutura colapsou como resultado das obras realizadas. Não sei se os trabalhos de alteamento envolveram a reparação e/ou reforço da estrutura. Mas como todos afirmam que a estrutura estava visivelmente danificada como consequência de vários embates de veí­culos, assumo que uma intervenção de reparação foi também efectuada.
Li algures que o empreiteiro não terá entendido completamente a solução estrutural daquela passagem superior de peões. Talvez. Mas o projecto era suficientemente explí­cito? Apontava os cuidados a ter? Existiu acompanhamento técnico da obra? Se o risco de colapso era tão grande, será que se justificava a reparação? Não teria sido melhor substituir a estrutura por uma mais nova? Será que estas questões foram contempladas pelo dono de obra, pelo projectista e pelo empreiteiro? Como foi realizada a fiscalização da obra? Estas são outras questões que deveriam ser abordadas no relatório do Instituto de Estradas de Portugal. Não sei se o foram. O que eu já sei (e os portugueses, em geral, também já sabem) é que o bater de asas das borboletas pode ser muito poderoso.
Só espero que nenhuma borboleta voe perto da "ponte" (um cabo) com cerca de 100.000 quilómetros de comprimento que o The Guardian anunciou no passado sábado. Este cabo funcionará como um carril vertical (elevador) que permitirá uma mais fácil e barata colocação de satélites, veículos e pessoas no Espaço. O cabo será constituído por nanotubos de carbono e será construído a partir de uma estação orbital geo-estacionária (localizada a uma altura de cerca de 36.000 quilómetros). Nas extremidades do cabo existirão contrapesos que manterão o cabo tenso. No Espaço, esse contrapeso deverá ser um satélite. Na Terra, existirá uma plataforma flutuante localizada algures no Oceano Pacífico.
Além do bater de asas da borboleta em Pequim, este projecto enfrenta outras dificuldades, como os ventos, as ondas e as rotas de tráfego aéreo (na Terra) e o lixo espacial (no Espaço).

"... [Arthur C.] Clarke - who once said a space elevator would only be built "about 50 years after everyone stops laughing" - was due to address the scientists at the Santa Fe conference today by satellite link from his home in Sri Lanka.
The American space agency Nasa is no longer laughing. It is putting several million dollars into the project under its advanced concepts programme.
"

ANS

80 - NASCIMENTO: UM ACONTECIMENTO MUITO TRAUMÁTICO


O The Guardian publicou, no passado sábado, uma notícia com o título "New hi-tech scans show babies smiling and crying before birth".
Transcrevo três parágrafos da notícia, nos quais percebemos que as nossas primeiras seis semanas de vida (após o nascimento) devem ser muito difíceis de ultrapassar.

"Images published for the first time yesterday seem to suggest that unborn babies can smile, blink and cry weeks before they leave the womb.
The pictures of foetuses about 26 weeks after conception have been captured by state-of-the-art scanning equipment now being employed at some clinics and teaching hospitals.
...
Obstetrician Stuart Campbell, who has been using the Austrian-developed equipment at the private Create Health Clinic, London, for two years, said: It is remarkable that a newborn baby does not smile for about six weeks after birth. But before birth, most babies smile frequently. This may indicate the baby's trouble-free existence in the womb and the relatively traumatic first few weeks after birth when the baby is reacting to a strange environment.
"

Imagem emprestada pelo Valete Fratres!.

Por muito traumático que o nascimento possa ser, está provado (ou talvez não) que é um trauma facilmente ultrapassável. Talvez a experiência do nascimento não seja mais do que um primeiro contacto com a adversidade, provocado com o objectivo de nos preparar melhor para o futuro. Seria bom que os pais não se esquecessem disto e evitassem proteger os filhos de tudo e mais alguma coisa.

ANS

79 - AGRADECIMENTOS E NÃO SÓ


Antes de mais, aqui ficam os agradecimentos a Paulo Varela Gomes (post "Acabou a Guerra do Meu Avô. Aleluia!") por voltar a reconhecer a participação do Carimbo (blog pacífico e não beligerante) na discussão (é apenas isso e nunca será uma batalha) sobre o sufrágio universal.
Agradeço também ao Alfacinha a solidariedade demonstrada no e-mail que me enviou. Também o Jiminy Cricket, talvez preocupado com a reduzida quantidade de informação sobre Portugal que eu recebo aqui em Liverpool, enviou um e-mail que eu agradeço imenso. Fiquei a saber que, actualmente, é possível ver as emissões da SIC e da TVI on-line, praticamente "em directo" e sem encargos. É uma pena que o serviço público garantido pela RTP não explore esta possibilidade técnica de difusão da cultura portuguesa.
Constatei que Miguel Nogueira de A Origem do Amor ainda conserva o Carimbo no seu grupo de aves por classificar. Devo referir que não me importo nada de ser, como ele já escreveu, um cuco (a companhia dos outros cucos é óptima), desde que tal não seja associado a estes versos de Shakespeare:

When daisies pied and violets blue
And lady-smocks all silver white,
And cuckoo-buds of yellow hue,
Do paint the meadows with delight,
The cuckoo, then on every tree
Mocks married men, for thus sings he,
Cuckoo,
Cuckoo, cuckoo: o word of fear,
Unpleasing to a married ear.


Pois é, posso ser um cuckoo, mas nunca um cuckold. Já agora, acho que o Desejo Casar nunca discutiu esta questão. Ou já?
Agradeço também a João Carvalho Fernandes do Fumaças por considerar o post "Os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001" do Carimbo digno de constar na sua excelente compilação com o título "Blogs de 11 de Setembro de 2003".
Paulo Gorjão, comentou o post 70 do Carimbo (sobre as eleições presidenciais) nos posts 130/09 e 131/09 do Bloguítica Nacional. Agradeço os comentários e respondo (mais vale tarde do que nunca) que, neste caso, talvez uma oposição renovada corresponda, necessariamente, a uma melhor oposição. Penso que uma nova liderança do Partido Socialista (PS), cujo futuro político não esteja hipotecado ao caso Casa Pia, poderá ser capaz de realizar uma oposição mais construtiva e empreendedora. Enquanto isso não acontece, são os pequenos partidos da esquerda quem vai conduzindo a oposição, limitando-se o PS a repetir o mote. Não sei se os resultados que o PS obterá nas próximas eleições serão melhores ou piores do que os obtidos em 2002. No entanto, penso que, em qualquer dos casos, o partido sairá a perder por atrasar a renovação da sua liderança. De facto, se o PS piorar os seus resultados eleitorais, Ferro Rodrigues deixará o partido numa situação de difícil recuperação. Se, pelo contrário, o PS melhorar os seus resultados estará criado um problema interno no partido. Quem terá legitimidade para substituir o corajoso Ferro Rodrigues (o único que, mesmo sabendo que iria ser "queimado", aceitou liderar o partido durante o sempre complicado período de oposição que se sucede a um ciclo governativo terminado)? Será que Ferro Rodrigues só depende de bons resultados eleitorais para manter a liderança do PS?
No post 70 do Carimbo referi a possibilidade de António Vitorino vir a reclamar para si a liderança do PS. Hoje, leio o aviso de Paulo Gorjão (post 235/09) sobre uma notícia do Público onde se pode ler que o Governo Português não apoiará a candidatura de António Vitorino ao cargo se Secretário-Geral da NATO. Concordo com Paulo Gorjão. As desculpas apresentadas por Martins da Cruz não convencem ninguém.
Após esta breve incursão pela política nacional, regresso aos agradecimentos, desta vez dirigidos aos blogs Replicar , Artista Anónimo e Campo de Afectos, os quais incluiram O Carimbo nas respectivas listas de blogs recomendados. Só gostaria de saber porque razão Carlos Alberto Machado incluiu O Carimbo no grupo dos blogs que fornecem "serviços"? Sei que a minha lista de blogs recomendados é muito longa, mas não creio que possa funcionar como um apontador de blogs. Um blog que pode ter essa função é o Blogo Esfera, o qual incluiu O Carimbo no grupo dos blogs in da blogosfera. Agradeço a colocação do Carimbo entre tão ilustre companhia, mas espero que "ser in" não signifique "estar na moda".
O Amostra de Arquitectura e o Causidicus agradecem ao Carimbo. Não quero criar aqui um ciclo infinito de agradecimentos e, por isso, respondo com um simples "de nada".

ANS

78 - CANÇÕES DE 1973 (II)


Depois de Al Green, só mesmo um pouco mais de soul. Que tal Aretha Franklin com Until You Come Back To Me (That’s What I’m Gonna Do)?


UNTIL YOU COME BACK TO ME

Though you don´t call anymore
I sit and wait in vain
I guess I´ll rap on your door
Tap on your window pane

I want to tell you Baby
The changes I´ve been going through
Missing you.
Listen you

´till you come back to me
That´s what I´m gonna do

Why did you have to decide
You had to set me free
I´m gonna swallow my pride
I´m gonna beg you to (please baby please) see me
I´m gonna walk by myself
Just to prove that my love is true
Oh, for you baby

´till you come back to me
That´s what I´m gonna do

Living for you my dear
Is like living in a world of constant fear
In my plea, I´ve got to make you see
That our love is dying

Although your phone you ignore
Somehow I must explain
I´m gonna rap on your door
Tap on your window pane
I´m gonna camp on your step
Until I get through to you
I´ve got to change your view baby
´till you come back to me
That´s what I´m gonna do

By Stevie Wonder, Clarence Paul and Morris Broadnax



Para amanhã está reservado um pouco de rock'n'roll californiano concebido na Europa.

ANS

11 setembro 2003

77 - OS ATAQUES TERRORISTAS DE 11 DE SETEMBRO DE 2001


Tinha decidido não escrever sobre o segundo aniversário dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001. No entanto, tenho estado a ver o documentário da CNN sobre o que se passou naquele dia (e durante os últimos dois anos) e não é possível ficar indiferente a tamanha brutalidade e violência.
Já há dois anos atrás, quando os ataques aconteceram, tinha sentido a mesma incredulidade. Pensei que, por já conhecer os factos e a violência das imagens, poderia agora assistir ao programa da CNN sem me emocionar. Puro engano. Parece que estou a assistir a tudo pela primeira vez. Não, minto. Estou consciente de já ter visto as imagens. Mas, na primeira vez que as vi, as explosões e a nuvem de pó causada pela queda do World Trade Center dominavam as imagens (que eu "via"). Agora é pior. Agora consigo ver os pormenores. Consigo ver as pessoas.
No início do programa pensei ser redundante a repetição de imagens tão violentas. Puro engano. Não é, nem nunca será redundante. São estas imagens que nos mostram as terríveis possibilidades do terrorismo. São estas imagens que nos lembram porque razão temos de combater o terrorismo. Temos apenas de ser cuidadosos e evitar repeti-las com demasiada frequência. Isso poderia gerar uma indesejada insensibilidade (defensiva) perante estas imagens.
Só espero que muitos futuros terroristas suicidas possam ver este documentário. Talvez eles acabem por perceber que existem outros caminhos (pacíficos) para resolver os problemas, por mais desesperados que estes sejam.

ANS

76 – CANÇÕES DE 1973 (I)


Aqui começa mais uma série do Carimbo: Canções de 1973.
É verdade que a primeira série (“Os estrangeiros que eu conheço”) nunca mais foi actualizada. No entanto, essa série não está esquecida e brevemente conhecerá novos desenvolvimentos. Entretanto, aqui fica a recomendação do livro “The English” de Jeremy Paxton, para o caso de quererem confirmar algumas das características que atribuí aos ingleses que eu conheço.
Esta nova série que hoje se inicia pretende recordar algumas canções (apenas as letras para não violar os direitos de autor) lançadas no “glorioso” ano de 1973, como eu e muitos dos meus amigos (principalmente os benfiquistas) gostamos de dizer.
De facto, o ano de 1973, além de ser o ano de nascimento de todos aqueles que atingem os trinta anos de idade em 2003, foi também o melhor ano de sempre do Benfica no campeonato nacional de futebol. Nessa época (1972/73), o Benfica conseguiu terminar o campeonato sem qualquer derrota, tendo cedido apenas dois empates. Marcou 101 golos e sofreu apenas 13 em apenas 30 jogos. O segundo classificado, o Belenenses, ficou a 18 pontos de distância, o que, hoje em dia, corresponderia a “apenas” 32 pontos. Notável. O ano de 1973 foi também o ano da despedida de Eusébio dos jogos da selecção nacional, o que aconteceu no Estádio da Luz num jogo contra a Bulgária para apuramento para o Campeonato Europeu de 1974. Foi também em 1973 que Eusébio marcou o seu último golo, pelo Benfica, em jogos da Taça dos Campeões Europeus. Foi nesse ano que Borges Coutinho (o presidente do clube) homenageou Eusébio perante um Estádio da Luz completamente cheio.
Confesso que sinto inveja da geração dos meus pais (agora entre os cinquenta e os sessenta anos de idade) porque eles tiveram oportunidade de assistir a jogos de um Benfica realmente glorioso. Eles podem recordar esses momentos sempre que algum portista ou sportinguista se diverte a comentar o actual Benfica. Eu não posso recorrer a essa estratégia de defesa. Não consigo recordar nada do que me aconteceu antes dos três anos de idade, mas não preciso de recorrer a qualquer hipnose regressiva para saber que sou benfiquista desde que nasci.
Enfim, não posso recordar os jogos do Glorioso mas posso recordar as canções da época. Ouço muitas delas de vez em quando, como é o caso das canções de Al Green. Escolhi este cantor do estilo soul para iniciar esta série musical apenas com base em critérios alfabéticos, embora tenha “esquecido” os Abba e os Aerosmith, entre outros, os quais também já tinham discos editados em 1973.
Entre as canções de Al Green lançadas em 1973, seleccionei Call Me (Come Back Home) por razões que já aqui expliquei mais do que uma vez.


CALL ME (COME BACK HOME)

Call me...
Call me...
Call me...

What a beautiful time we had together,
now it's getting late and we must leave each other,
just remember the time we had,
and how right I tried to be,
it's all in a day's work,
Call me...
Losing your love, acting foolishly,
go on and take your time,
you're already losing me,
love is a long ways from here,
'cause it's all in the way you feel,
If love is real, come to me.

Call me...
Call me...
Call me... (Come back home)

The best thing I can do is give you your love,
that you're going away feeling as free as a dove,
And if you find you's a long way from home,
and if somebody's doin' you wrong,
Just call me baby... (Come back home)

Call me...
Call me...
Call me... (Come back home)

...Ain't things going right.
It's all in a day's work
Call me...
You can call me when you're feelin' sad, baby...

It's all in a day's work...
Come back home...

By Mitchell, Green and Jackson


Amanhã há mais.

ANS

10 setembro 2003

75 – TRINTA ANOS


Na passada terça-feira (dia 2 de Setembro), uma prima minha completou trinta anos de idade. Telefonei-lhe para a felicitar e constatei que ela não estava nada contente. Fiquei surpreendido. Não consegui perceber porque estava ela tão triste por se transformar numa jovem de trinta anos de idade. O que mudou na vida dela no seu dia de aniversário? O que desapareceu nesse dia? O que temos aos vinte e nove anos de idade que deixamos de ter aos trinta?
Eu também completei trinta anos durante este ano e nem sequer pensei no assunto. Uma outra prima nossa também atingiu esta idade durante este Verão e não me pareceu ter ficado triste por isso. A maior parte dos meus amigos e amigas têm celebrado os seus trinta anos de idade durante os últimos dois anos e marcaram a data com pompa e circunstância. Uma pessoa que me é muito especial também já tem trinta anos e sente-se muito bem com essa idade.
Pensei que a minha prima estava a evidenciar receios exagerados (e infundados) do envelhecimento. Na sexta-feira (dia 5 de Setembro) fui a casa dela e verifiquei, com satisfação, que ela estava muito bem disposta. No entanto, como não queria que ela voltasse a ficar triste, receei perguntar-lhe se já gostava da sua nova idade. O problema é que fiquei sem saber porque razão o número trinta a incomodava tanto.
No dia seguinte voei para Manchester e, durante a viagem, li a crónica de Faíza Hayat na revista XIS do Público. O título (A arte de fazer anos) era sugestivo e as primeiras frases também: “Faço amanhã, domingo, trinta anos. Ao contrário de muitas das minhas amigas, igualmente balzaquianas, cada vez gosto mais de fazer anos. Faço-os melhor agora do que nunca. Quando era criança aquilo que mais apreciava na festa do meu aniversário era, claro está, a própria festa.
Faíza Hayat explica que a idade não se vence simplesmente, ela constrói-se dia a dia e é feita de histórias e de conquistas.
O outro argumento de Faíza Hayat baseia-se na ideia do desconforto das constantes mutações dos corpos jovens. Tem razão. Embora continuemos a envelhecer, para nós que temos trinta anos de idade, esse envelhecimento será menos nítido durante os próximos vinte anos.
Mesmo que a minha prima tenha lido esta crónica, ela nunca passará a gostar da sua festa de aniversário. Nunca gostou. Nem quando era criança ou adolescente. Eu, pelo contrário, sempre adorei festas de aniversário. Não me importo nada de ver a idade a avançar desde que a possa celebrar com festas de arromba.

ANS

74 - CONFIANÇA NAS OBRAS PÚBLICAS


Enquanto esperava pela divulgação do relatório sobre as causas da queda do tabuleiro de uma passagem superior de peões sobre o IC19, li diversas notícias e comentários sobre esse acidente.
No Público de ontem pude ler que as “pontes pedonais do tipo da que caiu são estruturas relativamente frágeis e com um coeficiente de segurança baixo. Calculadas para permitir apenas a travessia de peões, estas pontes funcionam por gravidade: o tabuleiro é assente sobre os pilares, não estando preso a eles por estruturas solidárias construídas de raiz. Para esta opção de construção muito contribui o facto destas pontes se situarem em estradas de grande movimento e de terem de ser construídas perturbando o menos possível o trânsito. Por isso, os pilares de apoio são construídos primeiro e, quando ficam prontos, as vigas pré-fabricadas que constituem a ponte em si mesma são meramente ‘pousadas’ sobre esses pilares. Por vezes procura reforçar-se a estrutura ligando o tabuleiro aos pilares com a ajuda de parafusos, mas essa solução é sempre de alguma fragilidade.
A obra determinada pelo Instituto das Estradas de Portugal destinava-se não apenas a reparar a passagem superior dos danos provocados pelo embate de uma grua, mas a elevá-la cerca de vinte centímetros. Esta elevação do tabuleiro visava minorar o risco de novos embates, já que situando-se a passagem a uma altura superior à permitida aos veículos pesados, há muitos que não cumprem a lei e circulam com cargas que acabam por embater em estruturas como aquela ponte.
O Instituto das Estradas de Portugal considerou ontem prematuro dar qualquer explicação sobre o que terá ocorrido, preferindo esperar pelo resultado do inquérito em curso. No entanto, testemunhos recolhidos no local dão algumas pistas para as causas do acidente. Aparentemente, o empreiteiro encarregue da obra terá começado por desprender o tabuleiro dos pilares, tirando os parafusos, e, depois, utilizado macacos hidráulicos para altear a estrutura, que pesava 52 toneladas. Os novos apoios não terão sido concluídos durante a intervenção, ficando por isso o tabuleiro assente numa estrutura provisória que apenas aguentou seis
[horas?] de trepidação. Esta possível explicação para o ocorrido levanta a questão de saber em que condições foi autorizada a reabertura do trânsito e qual o responsável técnico por ter considerado suficientemente sólida uma estrutura cujos restos, visíveis no local, aparentavam evidente fragilidade.
O problema ocorrido com a passagem superior do IC 19 deverá chamar a atenção para a circunstância de existirem muitas pontes semelhantes em todo o país, construídas também em vias de grande movimento e com base em estruturas que parecem bem preparadas para os esforços verticais a que são sujeitas (a passagem de peões), mas que não terão a necessária solidez para resistir a vibrações, ao embate de viaturas ou a sismos que as sujeitem a fortes abanões.

Confesso que fiquei impressionado com tanto conhecimento técnico. No entanto, sinto que devo prestar alguns esclarecimentos adicionais.
1 – As pontes pedonais não são estruturas relativamente frágeis com um coeficiente de segurança baixo. As pontes pedonais, como qualquer outra estrutura, são calculadas com um coeficiente de segurança adequado, o qual é aliás imposto pelas normas e regulamentos em vigor.
2 – As pontes pedonais não “funcionam por gravidade”. Se não existisse gravidade não precisaríamos de pontes e estas nunca cairiam.
3 – As pontes pedonais, como inúmeras outras estruturas (entre as quais se incluem pontes rodoviárias e ferroviárias), podem ser projectadas e construídas de modo a funcionarem com tabuleiros simplesmente apoiados (em pilares ou encontros). Nem sempre as ligações monolíticas (expressão utilizada no caso de pontes de betão armado) são as mais indicadas.
4 – Não estou a ver a que “parafusos” se refere a notícia do Público. Nos apoios simples são geralmente utilizados dentes em betão armado (nos encontros), aparelhos de apoio ou simples ferrolhos (em aço) para evitar os deslocamentos transversais do tabuleiro. Os deslocamentos longitudinais do tabuleiro podem ser permitidos ou não, dependendo da solução estrutural adoptada. Se forem permitidos, têm de existir apoios de largura compatível.
5 – O recurso a tabuleiros pré-fabricados e simplesmente apoiados justifica-se, de facto, pela maior rapidez de execução.
6 – Se existem veículos pesados que não cumprem o que está legislado relativamente à altura máxima permitida, porque não são os seus condutores responsabilizados pela reparação das estruturas danificadas? Porque tem de ser o Estado a pagar as reparações e a altear tabuleiros que já satisfazem o “gabarit” mínimo (ou seja, cumprem a lei)?
7 – Como já estava em Liverpool quando ocorreu o acidente, não pude ver imagens do tabuleiro que caiu. Também não consegui ler qualquer notícia que explicasse como caiu o tabuleiro. Caiu lateralmente? Rodou? Caiu só de um lado? Os apoios ficaram em bom estado ou também partiram? Estas são pistas importantes para averiguar as causas da queda. Espero que a velocidade com que os bombeiros desobstruíram a via para permitir a circulação rodoviária no IC19 não tenha impossibilitado a recolha destas pistas por parte da comissão de inquérito constituída pelo IEP.
8 – Não me parece que a queda desta passagem superior de peões esteja relacionada com falta de resistência a vibrações, choques ou sismos. Estas acções são normalmente consideradas no dimensionamento destas estruturas. As normas e regulamentos em vigor obrigam a tal procedimento. Aproveito para lembrar que as pontes são, muitas vezes, estruturas muito flexíveis, pelo que se tornam muito mais sensíveis à acção do vento do que à acção dos sismos ou das vibrações introduzidas pelo tráfego. Se a passagem superior de peões caiu imediatamente após a conclusão da obra de reparação, o mais natural é que tal tenha acontecido na sequência de uma falha do projecto de alteamento/reparação/reforço ou de uma falha do empreiteiro na execução da obra.

Ainda na mesma edição do Público, José Manuel Fernandes faz comparações com a queda da ponte de Entre-os-Rios. Recordo que, após a queda dessa ponte, se verificou uma extensa campanha de inspecções coordenada pelo extinto Instituto para a Conservação e Exploração da Rede Rodoviária (ICERR), a qual tem sido continuada pelo IEP. Na sequência dessas inspecções foram realizadas diversas intervenções inicialmente coordenadas pelo ICERR e também pelo extinto ICOR (Instituto para a Construção Rodoviária) e agora coordenadas pelo IEP. Não posso acreditar que as inspeções às passagens desniveladas de peões tenham sido esquecidas.
José Manuel Fernandes refere também um passado glorioso da Engenharia Civil portuguesa, transmitindo a ideia de que as empresas portuguesas de projectistas e de construção já não são capazes de executar grandes obras e, por isso, não são reconhecidas internacionalmente. Não posso concordar com esta afirmação.
Já que José Manuel Fernandes refere a obra do Eng. Edgar Cardoso, lembro aqui a Ponte da Arrábida, no Porto, a qual constituiu na altura da sua construção (1963) o maior arco de betão armado e pré-esforçado do mundo (270 metros). Hoje, podemos olhar para a Ponte do Infante e admirar o seu arco abatido de 380 metros. Esta ponte foi construída por um consórcio luso-espanhol.
Parece que José Manuel Fernandes também desconhece que a Ponte Vasco da Gama (que é a maior da Europa) foi projectada por um consórcio de quatro empresas (duas das quais portuguesas). O projecto foi verificado por outro consórcio de quatro empresas (duas das quais portuguesas). A obra foi executada pelo consórcio Lusoponte constituído por empresas portuguesas (50,4 %), francesas (24,8 %) e inglesas (24,8 %).
Outras pontes famosas construídas durante a última década são a Ponte da Amizade (nova ligação entre Macau e Taipa, construída por um consórcio liderado por empresas portuguesas) e a Ponte Internacional do Guadiana (ligação entre Vila Real de Santo António e Ayamonte, em Espanha), as quais foram projectadas pelo Eng. Câncio Martins.
A Ponte do Freixo, no Porto, e a Ponte José Gomes (com pilares de 105 metros de altura), no Funchal, projectadas pelo Eng. António Reis, também são obras marcantes.
A Ponte do Arade (em Portimão) e a Ponte Miguel Torga (na Régua), da autoria do Eng. Armando Rito, também não devem ser esquecidas.
Finalmente, lembro a obra de ampliação do Aeroporto Internacional do Funchal, da autoria do Eng. Segadães Tavares, a qual foi construída por um consórcio de três empresas (uma portuguesa, uma francesa e uma brasileira).
Penso que estes exemplos são suficientes para ilustrar a saúde da Engenharia Civil portuguesa, pelo menos no domínio das Estruturas (em geral) e das Pontes (em particular). Será que José Manuel Fernandes pensa que os portugueses confiariam mais nas obras públicas se elas fossem projectadas e executadas exclusivamente por estrangeiros?

Li agora na TSF que, de acordo com os resultados do relatório do IEP, "os riscos nas obras da ponte pedonal do IC19 não terão sido avaliados convenientemente". Já o esperava.

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73 – DIÁLOGO REVELADOR


O Telejornal de ontem abriu com notícias sobre a pedofilia. Essas notícias ocuparam apenas vinte e seis minutos do programa. Talvez isto seja uma consequência directa da notícia do Expresso sobre as duradouras ligações da empresa à rede de pedofilia da Casa Pia. Por arrasto, outras situações de envolvimento da RTP com a pornografia são agora lembradas. É o caso das cassetes didácticas sobre o 25 de Abril que continham também imagens pornográficas. Este caso ocorreu há quatro anos atrás e mereceu ontem uma entrevista de José Rodrigues dos Santos a Alfredo Trofa (um antigo responsável pelos arquivos da RTP). A parte final do diálogo (que a seguir transcrevo) apresenta algumas curiosidades.

JRS: Alfredo Trofa, viu as imagens?
AT: Eu não vi mas suponho, porque mandei ver e esse é o motivo porque não vi, que se tratava de uma gravação de uma emissão de cabo que se chamava Canal 18 ou... suponho que era assim.
JRS: E, portanto, não envolvia crianças...
AT: Não, não envolvia crianças.
JRS: Então nós temos uma situação em que o vídeo não é de pedofilia. Foi feito um inquérito. Foi despedido um responsável. Tudo se passou fora da RTP. Porque é que, na sua opinião, este caso se levanta agora?
AT: Eu tenho a impressão, mas isto é a minha impressão e não é mais do que isso, que a RTP é exímia em dar tiros nos pés.
(A expressão facial de José Rodrigues dos Santos, ao minuto 13:40 do Telejornal, merece ser vista.) Eu não percebo porque é que se está a levantar este problema dentro da RTP. Porque é que juntaram agora este problema ao caso da pedofilia? Este é um problema que devia ter sido sanado. Digamos [que houve] mau trabalho de um trabalhador, que nem sequer era da RTP, mas que a empresa sanou. E agora porque é que juntam a história da pedofilia? Eu não consigo perceber.
JRS: Alfredo Trofa, muito obrigado.


Para mim, este pequeno diálogo revela muito sobre a nossa sociedade.

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72 – REGRESSO


A palavra “regresso” tem-me acompanhado nos últimos dias. Regressei a Liverpool, regressei ao trabalho e regressaram as saudades. Só cá estou há quatro dias e já é muito difícil estancar a vontade de regressar a Portugal.
O clima de Inglaterra não ajuda a contrariar este desejo. Enquanto que, em Portugal, estão cerca de 30 ºC, em Liverpool, a chuva e o frio já regressaram (a temperatura máxima prevista para hoje é de apenas 15 ºC).
Talvez eu queira apenas “regressar” ao período de férias que gozei em Portugal e esquecer que já estou em Liverpool (a trabalhar). Infelizmente, a realidade é cruel e não me permite esse luxo. Pelo contrário, força-me a regressar às aventuras burocráticas (às vezes penso que a burocracia inglesa é pior do que a nossa) e à chatice dos compromissos. Foram a obrigações do trabalho (longas reuniões que se estenderam pela noite dentro) que me impediram de ir ontem ao Goodison Park para assistir ao jogo de futebol entre a selecção nacional portuguesa de sub-21 e a sua congénere inglesa. Fiquei triste por não ter assistido ao regresso dos rapazes às vitórias.
Já que não posso regressar fisicamente a Portugal, faço-o virtualmente através do Carimbo. Depois de um mês, durante o qual apenas publiquei vinte e três posts (antes tinha publicado quarenta e oito posts em apenas dezanove dias), regresso à blogosfera com a promessa de contribuições regulares durante as próximas seis semanas.
Já agora, aproveito para vos avisar a todos que o ornitólogo da blogosfera já identificou definitivamente (num bonito post com o título Die Voëgel) a que espécie zoológica pertence o Carimbo. Espero que não se trate de uma espécie rara e em vias de extinção para que me possam ver a "voar" pelos vossos blogs e a regressar com frequência.

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04 setembro 2003

71 - COM SORTE, ESTAREMOS CÁ PARA VER (II)


O défice orçamental previsto para 2003 será de 2,944 % do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Uma vez que "pegou" a moda do “careca” de fazer previsões precisas a mais de dois anos de distância, arrisco prever um défice orçamental de 1,7834656743 % para 2005.

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70 - COM SORTE, ESTAREMOS CÁ PARA VER (I)


No Independente da passada sexta-feira (29 de Agosto), Vítor Cunha (VC) escreveu que o representante da direita portuguesa nas próximas eleições presidenciais será Cavaco Silva. Segundo VC, Santana Lopes apenas “entrará na corrida” se Cavaco Silva recusar candidatar-se às presidenciais. Para VC, uma candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) será dificilmente aceite pelos partidos que formam o actual governo de coligação. Para tal contribuem os episódios que ditaram, há quatro anos atrás, o fim da Aliança Democrática.
Ainda de acordo com a última edição do Independente, Fernando Ruas tem uma posição oposta à de VC, admitindo que, entre Cavaco Silva e Santana Lopes, talvez o último tenha a vantagem de “dificilmente sair de moda”. Fernando Ruas descartou a hipótese de uma candidatura de MRS às presidenciais mas não negou que MRS daria um bom cabeça-de-lista nas eleições para o Parlamento Europeu.
Na edição do Expresso de Sábado passado (30 de Agosto), José Sócrates não mencionou a hipótese de uma candidatura de MRS às presidenciais mas previu uma disputa interna no Partido Social Democrata, nomeadamente entre Cavaco Silva e Santana Lopes.
José Sócrates assumiu ainda que António Guterres, recentemente convidado pela Organização das Nações Unidas para actuar como consultor para a política social junto do governo brasileiro, é o melhor candidato do centro-esquerda. Desta forma, José Sócrates respondeu às propostas de Mário Soares relativamente a uma viragem à esquerda do Partido Socialista (PS) e tentou enquadrar a melhor posição do PS numa luta contra a “direita radical” imaginada por Ferro Rodrigues. As declarações de José Sócrates funcionaram também como uma resposta à proposta de João Cravinho relativamente à possibilidade de uma candidatura de António Guterres como cabeça-de-lista nas eleições para o Parlamento Europeu. Convém lembrar que esta proposta já tinha merecido uma resposta de João Soares, o qual afirmou (no dia 28 de Agosto) que António Guterres será o candidato do centro-esquerda às presidenciais de 2006. Será que aqueles que vislumbravam a hipótese de uma nova candidatura presidencial de Mário Soares esperavam uma afirmação deste tipo por parte do filho do ex-Presidente da República?
A conclusão desta série de afirmações e previsões sobre o tema dos candidatos presidenciais foi efectuada por MRS, na sua habitual intervenção na emissão de Domingo do Jornal Nacional da TVI.
MRS eliminou as hipotéticas candidaturas presidenciais de Mota Amaral e de Freitas do Amaral e contou que “olhou para o espelho mas não descortinou um Presidente da República”. Com estas palavras, MRS assumiu que não tem perfil para o cargo e descartou a hipótese da sua própria candidatura. MRS afirmou ainda que, quando um político recomenda outro para o Parlamento Europeu, está apenas a tentar afastá-lo da cena política nacional. Parece que foi isso que lhe fizeram José Luís Arnaut (o “careca”) e, talvez, Fernando Ruas. Finalmente, MRS aceitou a tese de que os únicos candidatos possíveis à direita são Cavaco Silva e Santana Lopes. No entanto, para MRS, Cavaco Silva tem algumas vantagens sobre Santana Lopes (tem um “timing” mais adequado para o lançamento da sua eventual candidatura, tem um perfil político “menos ambicioso”, tem menos a perder e tem maior probabilidade de vencer António Guterres).
Quanto aos candidatos da esquerda, MRS entendeu as afirmações de João Soares como uma evidência de que Mário Soares desistiu de uma eventual candidatura às eleições presidenciais. Desta forma, MRS voltou a mostrar-se convicto de que António Guterres é o único candidato provável da esquerda porque “é o que mais facilmente entrará no eleitorado de direita”. Será esta outra forma de dizer que António Guterres é um candidato do centro-esquerda?
Enfim, parece que, a dois anos e quatro meses de distância das eleições presidenciais, já está tudo decidido no que se refere aos dois candidatos principais, os quais serão Cavaco Silva e António Guterres. Como disse MRS, “estaremos cá para ver” se assim será. No entanto, “não lembra nem ao careca” que a esta distância daquelas eleições se possam fazer cenários tão precisos. A não ser que estes cenários definam algo mais do que o Presidente da República.
De facto, estes cenários são de extrema importância para a definição da próxima liderança do PS. MRS afirmou que João Soares já demonstrou, com as suas manifestações de apoio a António Guterres, a sua vontade de liderar o partido. José Sócrates (que perdeu recentemente a capacidade de expor semanalmente as suas opiniões na RTP) não quis ficar atrás de João Soares e imitou-o nas suas declarações. Será que também está na corrida pela liderança do PS? De acordo com o Expresso, António Costa não quer continuar a ser líder da bancada parlamentar socialista (apesar de, segundo o Independente, Ferro Rodrigues já ter anunciado a sua continuidade nessas funções) e parece estar a “ser afastado da cena política nacional” pois poderá ser o cabeça-de-lista do PS nas eleições para o Parlamento Europeu. De acordo com o Público, António Vitorino, o actual Comissário Europeu da Justiça e Assuntos Internos, só sairá da Comissão Europeia por vontade própria. Uma vez que as possibilidades de António Vitorino vir a ser o próximo secretário-geral da NATO parecem remotas, Durão Barroso parece preferir manter este “desejado” do PS na Comissão Europeia, ou seja, “afastado da cena política nacional” (como diria MRS).
Será que se o tema da liderança do PS passasse a ser discutido abertamente na comunicação social, sem o disfarce das eleições europeias e presidenciais, poderíamos assistir a uma renovação mais rápida do PS? Era importante que assim fosse porque, neste momento, não há oposição.

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69 - OPUS GAY: CONOTAÇÕES


Se ONG é a sigla para Organização Não Governamental, então OG é a sigla para... Organização Governamental (ou Opus Gay). Será que está correcta a (já velha) tese de Alberto João Jardim sobre o "lobby gay"?

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68 - MAIS AGRADECIMENTOS VI


Antes de mais, aqui ficam os meus agradecimentos ao Cristovão-de-Moura por voltar atrás nas suas promessas.
Agradeço as intervenções do Alfacinha, de Carlos Vaz Marques e de Jiminy Cricket na questão do sufrágio universal (ver post 65 do Carimbo) e de António Torres na questão do desemprego (ver post 66 do Carimbo).
Agradeço o elogio que Manuel Alçada faz ao nome que escolhi para o meu blog (O Carimbo). Até tenho vergonha de contar que este era, talvez, o décimo nome da lista. Os outros nove já estavam atribuídos.
Agradeço também os “pius” que O Pintainho dedica ao Carimbo.
Aproveito para agradecer também a alguns novos blogs que já incluíram O Carimbo nas suas listas de blogs recomendados. São eles o Gatopardo (mais um gato para fazer companhia ao Fedorento), o Bugue, o Oliveira de Figueira (só tem um post publicado) e o Blogdemocracia (que é apenas uma semana mais novo do que O Carimbo). Agradeço também ao Inventário de Web Logs pela inclusão do Carimbo na secção dos “Fazedores de Palavras”, embora me pareça que essa é uma classificação lisonjeira para O Carimbo.
Finalmente aqui fica um agradecimento ao Grupo de Amigos de Olivença pelos e-mails que todos os dias enviam para O Carimbo. Peço-lhes apenas que abrandem o ritmo porque a conta hotmail do Carimbo tem pouca capacidade de armazenamento. Obrigado.

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67 - OS PERIGOS DAS ANÁLISES SUPERFICIAIS II


No post anterior referi a necessidade de evitar as análises de âmbito geral e superficial. Apontei, como exemplo, a questão do desemprego. No entanto, existem outros exemplos onde este tipo de análises é frequente. É o que acontece com os acidentes rodoviários.
Fala-se constantemente do número de mortos e feridos na totalidade das estradas nacionais. As conclusões são sempre as mesmas. A culpa é sempre dos condutores que circulam ébrios ou em excesso de velocidade. De vez em quando, são apontadas algumas estradas perigosas. No entanto, todas estas explicações apresentam o mesmo defeito. Generalizam o que não deve ser generalizado.
Mesmo que muitos acidentes tenham sido provocados por condutores que beberam “em excesso”, que ultrapassaram o limite de velocidade estabelecido para a estrada em que circulavam ou que infringiram qualquer outra regra de trânsito, não se pode afirmar que a culpa é sempre dos condutores. Seria útil ver (sempre) discriminado o número de acidentes comprovadamente provocados por excesso de álcool ou velocidade.
Mesmo que muitos acidentes tenham ocorrido em troços de estrada mal concebidos ou mal sinalizados, não se deve afirmar que há estradas perigosas (pois esta afirmação engloba a totalidade do traçado). Durante anos assisti a inúmeros acidentes na Estrada Nacional 125 e no Itinerário Complementar nº 1. Entretanto, foram construídas a Via do Infante e a Auto-Estrada do Sul (A2) e deixei de assistir à ocorrência de acidentes. Seria útil ver (sempre) discriminado o número de acidentes ocorridos em estradas nacionais e em auto-estradas.
Mesmo que todos os veículos sejam submetidos a inspecções anuais obrigatórias, não se pode ignorar a possibilidade de os acidentes ocorrerem como consequência de falhas mecânicas dos automóveis. Se os acidentes aéreos podem ocorrer devido a problemas mecânicos ou electrónicos, porque razão serão os automóveis imunes a esse tipo de problemas? Que eu saiba, os aviões são inspeccionados várias vezes por ano e isso não elimina a probabilidade de acidente. Seria útil ver (sempre) discriminado o número de acidentes com pesados, automóveis ou motociclos. Seria útil ver (sempre) discriminado o número de acidentes envolvendo veículos sujeitos a inspecção há mais de seis meses.
Se os órgãos de comunicação social divulgassem este tipo de dados seria possível discutir a questão dos acidentes rodoviários com maior racionalidade, sem generalizações e sem demagogias como as que levaram à criação de “estradas com tolerância zero”. Os portugueses gostam de encarar as leis como simples indicações dos caminhos que devem ser seguidos, mas sem muito rigor porque há sempre uma larga margem de tolerância. As consequências desta atitude são o incumprimento do código da estrada e a evasão fiscal, entre outras. As autoridades não ajudam e criam estradas sem tolerância zero e perdões fiscais.
Já que menciono o código da estrada, lembro que há uma regra (que aprendi nos últimos anos de condução em Lisboa) que não está referida no código. De facto, se o condutor puder escolher entre estacionar o veículo numa zona com parquímetro ou numa zona de estacionamento proibido, deve optar pela última hipótese. Não pagará o estacionamento e não será multado. Os empregados da EMEL (Empresa Pública Municipal de Estacionamento de Lisboa), mesmo quando são polícias (fardados e, supostamente, em serviço) contratados por aquela empresa, não têm autoridade para multar os veículos estacionados em zonas proibidas. Isto é Portugal no seu melhor.

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66 - OS PERIGOS DAS ANÁLISES SUPERFICIAIS I


O Faccioso, no post “Novamente o desemprego...”, parte do exposto no post 61 do Carimbo para tecer algumas considerações sobre o desemprego. Para o Faccioso, apesar do tão discutido aumento do desemprego, a oferta de emprego em Portugal ainda é considerável. No entanto, são os imigrantes (menos exigentes do que os desempregados portugueses) que acabam por ocupar os postos de trabalho disponíveis (e dignos).
Lembro que não gosto de generalizar e que acredito na existência de inúmeros casos de cidadãos nacionais que querem trabalhar, que estão disponíveis para qualquer trabalho (digno) e que, mesmo assim, não conseguem arranjar trabalho. São esses que merecem as pensões sociais, os subsídios de desemprego e o rendimento social de inserção.
Os outros desempregados, aqueles que não querem trabalhar (não são a maioria, mas também existem), devem, como recomenda o Faccioso, seguir o exemplo dos imigrantes que têm vindo para o nosso país.
Para que não me acusem de falta de humanidade para com os desempregados por afirmar que existe gente que não quer trabalhar, permitam-me que ilustre a minha posição com um pequeno exemplo (o qual não pretende ser generalizador).
Os meus pais possuem uma quinta no sul do país. Para a manutenção dessa quinta, com uma área de cerca de 10 hectares, foi necessário contratar um trabalhador a tempo inteiro. Durante alguns anos, os meus pais procuraram (sem sucesso) alguém que aceitasse aquele emprego, até que, há cerca de dois anos, apareceu um imigrante ucraniano a perguntar se podia trabalhar. Claro que podia. Esse imigrante conseguiu fugir à acção das "máfias" (que ainda tentaram controlá-lo) e agora (já completamente legalizado) tem casa (na quinta), alimentação e um ordenado superior a mais do dobro do ordenado mínimo nacional (o que equivale a vários salários médios ucranianos). A família deste imigrante (mulher, filha e neto) vive bastante bem, na Ucrânia, com o dinheiro que lhe é enviado todos os meses de Portugal e, daqui a um ano ou dois, virá para Portugal.
Será que este emprego não era suficientemente bom (e digno) para os desempregados portugueses?
Parece-me que não se deve falar do desemprego focando apenas o número total de desempregados inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional. É muito importante que se diga à população qual a distribuição do desemprego por distritos, ou até por concelhos. A mobilidade das populações deve ser estimulada. Esta mobilidade não tem que estar sempre associada ao “êxodo rural”. Talvez tenha chegado a hora de estimular um “êxodo urbano”, para o que será necessário mostrar à população desempregada que existe trabalho à sua espera no interior do país.

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65 - POSTS APAGADOS


Parece que Paulo Varela Gomes (PVG), do Cristovão-de-Moura, se arrependeu de ter considerado o tema do sufrágio universal “uma grande chatice” e de ter prometido declarar “uma verdadeira guerra” ao Carimbo. É assim que interpreto o facto de PVG ter apagado o post em que fazia essas afirmações. Para não parecer que ando a colocar palavras fictícias nos blogs dos outros, recomendo uma leitura do post “Voto” de Carlos Vaz Marques.
Se o leitor quiser seguir as discussões sobre o direito de voto, sobre o significado da abstenção e do voto em branco e, de uma forma mais geral, sobre as questões da cidadania, recomendo uma leitura do post “Breve incursão pelos blogs” do Ter Voz, onde encontrará várias hiperligações a outros blogs que têm vindo a discutir estes temas.

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64 - O VÍCIO BLOGUÍSTICO


Já não blogo desde o dia 30 de Agosto. Hoje não resisti ao vício e aqui estou eu, pronto para publicar uma série de posts.
Estes posts devem ser encarados como uma espécie de terapia de grupo, na qual exponho o meu problema aos outros “blogoólicos” que fazem parte da ABA (Associação dos Blogoólicos Anónimos, vulgarmente conhecida por blogosfera). Como escreveu JPN do Complot, “admitir o problema é o primeiro passo para a cura”.

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