29 setembro 2003
97 - QUOTA DE "MUITO BONS"
Na passada terça-feira (dia 23 de Setembro), o Público noticiou que, para evitar a antecipação do prazo de promoção automática, o projecto do Governo de avaliação do desempenho dos funcionários públicos fixou que apenas 25 % deles podem receber a nota de "Muito Bom" (20 %) ou "Excelente" (25 %), mesmo que o número de funcionários que realmente mereça a nota seja maior. Na mesma notícia pode ler-se que a avaliação "subjectiva" do "chefe" tem um peso de 40 % na avaliação final do funcionário. Os restantes 60 % incidem sobre parâmetros de avaliação que têm sido os utilizados desde há vários anos. No Diário de Notícias pode ainda ler-se que esta é uma medida temporária, cujo único objectivo é disciplinar as avaliações do desempenho dos funcionários públicos.
Não me parece que este sistema de avaliação estimule a produtividade. Também não consigo descortinar quais são as alterações introduzidas pelo projecto do Governo que vêm estimular a progressão nas carreiras com base no mérito. Esta medida parece-me inócua (para não utilizar outras palavra mais forte) pois não traz benefícios para o Estado (empregador) nem para o funcionário público.
Para começar, a introdução de quotas parece-me injusta. É uma situação semelhante à daqueles professores que, devendo avaliar os seus alunos numa escala de 0 a 20, decidem fazê-lo numa escala de 7 a 13, por exemplo.
Em segundo lugar, o peso da avaliação do "chefe" é nitidamente excessivo, principalmente quando, no actual sistema de escolha de chefias, nada garante que o referido "chefe" entende completamente o significado de produtividade aliado aos conceitos de qualidade do serviço e das relações humanas.
Em terceiro lugar, não se percebe se a quota de 25 % de classificações muito boas se aplica à globalidade da administração pública ou se deve ser aplicada também a uma Direcção Geral, por exemplo, ou ainda a uma Divisão de uma Direcção Geral. Se assim for, cai-se no ridículo de, por exemplo, num serviço com apenas três funcionários em que um deles se destaque nitidamente dos outros, justificando uma classificação muito boa, esta não lhe possa ser atribuída.
Em quarto lugar, como nada foi feito para instituir critérios rigorosos de avaliação capazes de premiar o mérito dos funcionários, todos continuarão a merecer a tal classificação de "Muito Bom". A diferenciação será difícil e assentará na subjectividade da avaliação das chefias. Assim, as hipóteses de, no final, termos mesmo 25 % dos funcionários públicos avaliados com "Muito Bom" ou "Excelente" são elevadas, o que continua a corresponder a uma distribuição estatística de classificações que não corresponde minimamente à realidade.
Em quinto lugar, se 25 % dos funcionários públicos continuarem a ser classificados com "Muito Bom", então teremos 25 % dos funcionários públicos em condições de progredir na carreira. Como a abertura de concursos para esse efeito é, com certeza, inferior a 175.000, continuarão a existir excelentes funcionários cujo mérito não foi valorizado. Por outro lado, o Estado (empregador) não poupa um tostão que seja, sendo obrigado a abrir o máximo número possível de concursos.
Em sexto lugar, se o objectivo principal desta reforma é aumentar os índices de produtividade da administração pública e se é aceite por todos que a educação é o principal motor do aumento de produtividade, porque razão não são os cursos de reciclagem e actualização profissional promovidos de uma forma mais eficaz? Não estou a sugerir que os funcionários públicos devem fazer um determinado número de cursos de formação ou assistir a um determinado número de congressos, conferências ou seminários por ano. Isso é o que actualmente acontece e não serve para nada. Não serve para nada porque a maioria desses cursos não é dirigida para as necessidades sentidas pelos funcionários públicos na execução do seu trabalho. Não serve para nada porque esses cursos (pagos por todos os contribuintes) não trazem qualquer mais valia aos serviços. Não servem para nada porque esses cursos constituem, muitas vezes, apenas uma forma de os funcionários gozarem uns dias de férias dos seus serviços (com almoço gratuito), ao fim dos quais retornam ao trabalho sem que a aquisição de conhecimentos seja avaliada. Será que isto acontece porque as chefias também não têm capacidade de fazer essa avaliação de conhecimentos? Não seria muito mais eficiente promover, com as instituições de ensino ou mesmo com empresas ou departamentos públicos similares, cursos de formação e reciclagem especificamente dirigidos às necessidades de cada serviço? E que tal se estes cursos fossem avaliados? E que tal se os primeiros frequentadores desses cursos fossem os titulares das chefias, de modo a poderem, mais tarde, avaliar com rigor a aplicação dos conhecimentos dos seus funcionários?
Será que estas ideias são utópicas? Não me parece. A não ser que não exista vontade política. Ou será que deveria escrever interesse político em vez de vontade política?
ANS
28 setembro 2003
96 - CANÇÕES DE 1973 (VIII)
O ano de 1973 foi de ouro (e platina) para os irmãos Richard e Karen Carpenter. De facto, nesse ano os Carpenters lançaram as canções Sing e Yesterday Once More (cuja letra aqui reproduzo), as quais constituiram verdadeiros sucessos.
YESTERDAY ONCE MORE
When I was young I'd listen to the radio
Waitin' for my fav'rite songs
When they played I'd sing along
It made me smile
Those were such happy times and not so long ago
How I wondered where they'd gone
But they're back again
Just like a long lost friend
All the songs I love so well
Ev'ry sha-la-la-la ev'ry wo-ho-wo-ho still shines
Ev'ry shing-a-ling-a-ling
That they're startin' to sing so fine
When they get to the part
Where he's breaking her heart
It can really make me cry just like before
It's yesterday once more
Lookin' back on how it was in years gone by
And the good times that I had
Makes today seem rather sad so much has changed
It was songs of love that I would sing to them
And I'd memorize each word
Those old melodies
Still sound so good to me
As they melt the years away
Ev'ry sha-la-la-la ev'ry wo-ho-wo-ho still shines
Ev'ry shing-a-ling-a-ling
That they're startin' to sing so fine
All my best memories
Come back clearly to me
Some can even make me cry just like before
It's yesterday once more
Ev'ry sha-la-la-la ev'ry wo-ho-wo-ho still shines
Ev'ry shing-a-ling-a-ling
That they're startin' to sing so fine
Ev'ry sha-la-la-la ev'ry wo-ho-wo-ho still shines
Ev'ry shing-a-ling-a-ling
That they're startin' to sing so fine
By The Carpenters
Para amanhã fica reservado um pouco do espírito Cherokee.
ANS
95 – EXISTE UM PROJECTO POLÍTICO PARA LISBOA?
Paulo Gorjão, referindo-se ao post 91 do Carimbo, afirma, no post 343 do Bloguítica Nacional, que não vislumbra “o mais pequeno indício do que possa ser semelhante a um projecto para Lisboa’”. Paulo Gorjão pergunta se esse hipotético projecto se refere ao “túnel das Amoreiras”, ao “polémico Casino” ou a algo mais? Paulo Gorjão pergunta ainda “quais são as propostas que estão em cima da mesa e qual a sua utilidade”?
Não me apetece nada estar aqui a fazer campanha por Pedro Santana Lopes (PSL), o qual julgo ter cometido alguns erros durante a sua presidência da Câmara Municipal de Lisboa (CML), aos quais me referirei neste post. No entanto, penso que existe realmente um programa de administração da CML e de Lisboa. Esse programa não assenta apenas no cumprimento das promessas eleitorais mais polémicas, nomeadamente: a recuperação do Parque Mayer (que já só terá três teatros, tendo a escola de artes performativas sido adiada para uma segunda fase, e não albergará o futuro Casino de Lisboa, o qual será construído no Cais do Sodré); a construção do túnel das Amoreiras (iniciada em 18 de Agosto deste ano); e a transferência do actual terminal rodoviário do Arco do Cego para uma estação intermodal em Sete Rios (a qual deverá estar concluída no final do próximo ano). Estas três promessas são, para mim, a face visível do um projecto mais vasto que pretende:
1) Promover o regresso dos cerca de 250 mil moradores que, nas últimas duas décadas, saíram da cidade. É com esse objectivo que existe a intenção de criar programas de incentivo para habitação jovem no centro da cidade.
2) Efectuar o combate ao abandono e à degradação dos mais de 70 mil imóveis devolutos que existem em Lisboa. Foi com esse objectivo que, em Janeiro de 2002, se optou pelo emparedamento, demolição ou recuperação de cerca de 1.400 imóveis que foram identificados pelos serviços municipais como estando degradados, devolutos ou até em ruína. Os proprietários foram notificados para realizarem as obras necessárias, prevendo-se, se necessário, o recurso à expropriação dos andares devolutos de modo a permitir a sua colocação no mercado. Existem ainda cerca de 3.000 edifícios nos quais será também necessário intervir por apresentarem também sinais de degradação. No entanto, como esses edifícios ainda estão total ou parcialmente habitados, encontrando-se, nalguns casos, ocupados por comércio ao nível do rés-do-chão, só poderão ser sujeitos a obras quando forem dados como devolutos. As zonas históricas da cidade beneficiarão muito (e o turismo também, embora, de acordo com o Expresso, os turistas já atribuam a Lisboa uma classificação de 9 valores num máximo de 10) com as intervenções de recuperação que têm sido feitas no Bairro Alto (recuperação do Palácio de Pombal), no Intendente, no Chiado, na Avenida 24 de Julho, no Terreiro do Paço e na Avenida da Liberdade (onde se inclui a recuperação do Parque Mayer). Já agora, aproveito para lembrar a recuperação que tem acontecido em Alcântara com o avanço de inúmeros empreendimentos privados. Também não deve ser esquecido o combate à imagem de degradação associada aos graffitis.
3) Promover a recuperação de espaços verdes e de zonas de lazer, como já aconteceu em Monsanto e em Benfica, por exemplo.
4) Melhorar a administração da CML através da auditoria às suas contas relativas ao anterior mandato, através da criação de um centro de atendimento permanente ao munícipe, através da regularização e informatização dos processos de licenciamento (com a promessa de recurso ao deferimento tácito para cumprimento dos prazos legais de licenciamento de projectos), através da inventariação e informatização de todo o património municipal (cujos processos estavam distribuídos por 50 mil tomos, dos quais apenas mil estavam informatizados), através da revisão do Plano Director Municipal, através da regulação das empresas concessionárias do subsolo e através da monitorização do solo e subsolo da Baixa de Lisboa (para evitar mais acidentes provocados por deficiente avaliação dos níveis freáticos).
5) Regularizar o trânsito e o estacionamento no centro da cidade através da criação de um Plano de Mobilidade de Lisboa (a 15 anos) e da aplicação do novo Regulamento de Cargas e Descargas, através da construção do túnel das Amoreiras, através do atravessamento em túnel do Bairro de Santa Cruz (em Benfica) pela CRIL, através da substituição (planeada) do viaduto de Alcântara por uma rotunda, através do corte do acesso automóvel já verificados no Bairro Alto e na Alfama (o que constitui uma medida muito mais eficaz do que o inútil “dia sem carros”), através da construção de silos para parqueamento automóvel, através da melhoria da segurança dos taxistas de Lisboa, através da construção de uma estação intermodal em Sete Rios e através do arranque dos estudo para o metro ligeiro de superfície.
Penso que estes cinco pontos fornecem uma ideia global do que é o projecto de PSL para Lisboa. No entanto, a existência de um projecto não significa que tudo está bem em Lisboa e que não têm sido cometidos erros.
Por exemplo, eu não percebo (e a generalidade dos munícipes também não) porque têm sido gastos 1,5 % do valor das obras da CML (não é pouco) em cartazes de publicidade perfeitamente dispensáveis. Também não percebo porque tem a EPUL de pagar milhares de contos por viagens em aviões particulares (Falcon) realizadas por Frank O. Ghery (notícia do Expresso de 15 de Agosto deste ano). A gastar dessa forma, não admira que o alcance do projecto do Parque Mayer vá sendo reduzido. Por outro lado, não me parece que intervir em Lisboa seja apenas intervir no centro da cidade. O que foi feito na cintura envolvente?
Outro problema que me incomoda são os “arrumadores”. Continuo a vê-los por todo o lado. Também não me parece que a polícia esteja mais atenta ao estacionamento em zonas proibidas (em cima dos passeios ou em segunda fila). Por outro lado, ai daqueles que se atrasarem nos pagamentos nos parquímetros da EMEL.
Finalmente, não percebo qual é a vantagem de ter um centro de atendimento permanente ao munícipe que, muitas vezes, é mudo ou não sabe responder às perguntas dos munícipes. Eu, por exemplo, estou há mais de um ano à espera de duas informações (aparentemente simples) sobre uma determinada zona de Lisboa e, até agora, ainda não recebi nada. Ou melhor, recebi uma notificação para me dirigir ao edifício da CML, no Campo Grande, para andar de piso em piso ao sabor da burocracia com que a CML parece continuar a presentear os seus munícipes.
Enfim, poderia continuar a citar problemas mas prefiro terminar aqui, mantendo a esperança de que, pelo menos, a tal promessa de recurso ao deferimento tácito do licenciamento de projectos seja para cumprir. Seria bom que a CML desse o exemplo com esta medida tão importante para acabar com a pequena corrupção que existe nos processos de licenciamento de tantas câmaras municipais do país. Se isso acontecer, o mandato de PSL já terá sido útil.
ANS
27 setembro 2003
94 – EXISTE OPOSIÇÃO? (II)
O post 91 do Carimbo foi alvo de uma série de comentários (via e-mail) e mereceu também a colocação de diversos posts (série “Carimbadelas de Liverpool”) no Ter Voz. Uma vez que os comentários efectuados por e-mail receberam já a sua resposta (também por e-mail), o presente post responde apenas aos posts do Ter Voz. Num desses posts pode ler-se que “um blog sem [um sistema de] comentários (prática comum nos blogs de direita) é tão interactivo como um jornal em papel”. Não concordo. Quem quiser comentar os posts do Carimbo pode sempre fazê-lo no seu próprio blog ou através de e-mail. Estes canais de comunicação são suficientes e evitam a eventual a publicação de textos despropositados e irreflectidos, os quais são muitas vezes estimulados pela existência de um sistema de comentários.
O Ter Voz afirma ainda que se o tal sistema de comentários existisse no Carimbo, seria possível, “com meia dúzia de palavras”, provar que o post 91 do Carimbo mostra que afinal existe oposição. Era este o tipo de resposta que eu esperava por parte do Ter Voz. De facto, esperava que o Ter Voz optasse por aproveitar as pistas deixadas no post 91 sobre as divergências existentes entre o programa do Governo e o programa do Partido Socialista (PS) relativamente às políticas económicas e sociais. Esperava que o Ter Voz optasse por explicar a viabilidade das soluções apresentadas pelo PS e também esperava que o fizesse de uma forma mais objectiva do que aquela que é adoptada no programa do PS (insisto que este programa me parece demasiado geral e superficial). Se quase meia dúzia de posts, publicados pelo Ter Voz para responder ao post 91 do Carimbo, não foram suficientes para estruturar uma resposta deste tipo, duvido que tal fosse possível com apenas meia dúzia de palavras.
De facto, o Ter Voz preferiu estruturar a sua resposta em acusações e referências à irresponsabilidade (a qual “não é digna de um cidadão que se preze”) dos que “zurzem [o que é sinónimo de admoestar asperamente, criticar acerbamente, castigar severamente, açoitar, fustigar, azorragar, vergastar, flagelar, espancar, maltratar, molestar ou ainda, simplesmente, bater] no PS com tanta dedicação”. O Ter Voz mostra-se, outra vez, surpreendido e afirma que “seria de esperar, pelo menos a história assim o parecia determinar, que os cidadãos criticassem o Governo na sua actuação”. Devo esclarecer que o Governo foi, é e será, por mim, criticado sempre que o merecer. A questão não é essa. O que deve ser aqui discutido é a forma actual de confrontação política. Já antes, no Carimbo e noutros blogs, se discutiu a demagogia e a superficialidade do debate político, as quais são aproveitadas pelos meios de comunicação social e, através destes, pelos partidos políticos (na sua generalidade). Posso estar enganado, mas parece-me que, cada vez mais, o eleitor deverá conhecer, em detalhe, as opções políticas dos diversos partidos. Isto significa que o eleitor deverá conhecer os custos económicos e sociais, as vantagens e as hipóteses de implementação das políticas propostas pelos diversos partidos. Por isso é que as responsabilidades de quem faz oposição são, para o cidadão, tão importantes como as do Governo em exercício. Por isso é que a questão da liderança do PS é tão importante. Por isso é que as respostas vagas do Ter Voz, como as que a seguir se transcrevem, são de evitar:
“O PS com Ferro Rodrigues é perigoso para o PSD. É fácil perceber porquê:
É o PS que cumpre a solidariedade.
É o PS que combate a fuga aos impostos.
É o PS que combate a irresponsabilidade (já sabemos que a política actual é deixar arder até que nada mais exista para arder, atingindo assim o objectivo de que o problema se resolva por si).
É o PS que quer que se cumpram os preceitos constitucionais em matéria de relações internacionais.
É o PS que homenageia com a ONU a memória de Sérgio Vieira de Mello que morreu ao serviço dos direitos humanos na sequência de actos de mentecaptos que nos Açores decidiram dar caça a um mentecapto que reinava na Mesopotâmia.
É o PS que tantas e tantas vezes tem apresentado na Assembleia da República alternativas às políticas de terra queimada do actual governo, onde a direita radical ... marca terreno e submete a vontade de um líder fraco, à sua estratégia.
É o PS que defende a ciência e a formação e que quer os seus cientistas e técnicos em Portugal e ao serviço dos portugueses em vez de os mandar para o exterior em busca de trabalho.”
Por isso é que artigos como o que Augusto Santos Silva publicou hoje no Público não trazem nada de construtivo.
Por isso é que devem ser evitadas referências demagógicas como a que é feita no Ter Voz aos submarinos que, supostamente, “Paulo Portas teve a ideia de comprar”. Aliás, tal como já escrevi no post 48 do Carimbo, não deve ser esquecido que a nova Lei de Programação Militar (que contempla um plano de reequipamento ajustado ao controle do défice orçamental) foi aplaudida e apoiada pelo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e pelos Chefes de Estado-Maior dos ramos. Também não deve ser esquecido que, na proposta de Lei de Programação Militar apresentada pelo Governo socialista, se destacavam, pelos seus custos, os programas de aquisição de submarinos para a Marinha, de helicópteros para o Exército e de aviões F16 para a Força Aérea. Em 1998, a aquisição de três submarinos era justificada pelo Governo socialista com a necessidade de substituição de três submarinos que, em 1999, completaram trinta anos de vida útil. Em 1998, o PS afirmava que os submarinos, “vulgarmente apelidados de a arma dos pobres, são, apesar de tudo, armas caras” que não podem ser dispensadas por duas razões principais:
1ª) “Se por uma má avaliação das nossas necessidades eventualmente influenciada por não termos de momento ameaças à vista desistíssemos deste sistema de armas, mais tarde para as readquirirmos teríamos de recomeçar do zero, com dificuldades acrescidas na preparação de recursos humanos”;
2ª) O que desaconselha “a perda deste sistema de armas, de importante poder dissuasor, é a grande extensão marítima que temos necessidade de defender quer numa perspectiva de defesa autónoma quer para atendermos às responsabilidades de defesa que assumimos no âmbito das alianças e acordos internacionais”.
O actual Ministro da Defesa reduziu o número de submarinos a adquirir e, aparentemente, conseguiu um contrato vantajoso. No entanto, é acusado de ter tido a infeliz “ideia de comprar os submarinos”. É contra esta forma de discussão política, em que o que serve hoje para um partido no governo já não serve amanhã para o mesmo partido na oposição, que eu me insurjo. O Ter Voz preferiria que eu me limitasse a escrever sobre engenharia porque quando abordo temas políticos, “é o que se vê”. Agradeço o elogio e aproveito para citar Aristóteles: "o homem é, por natureza, um animal político". Por isso pergunto o que é que se vê quando eu abordo temas de carácter político? A única coisa que eu vejo é alguém que escreve abertamente sobre assuntos que incomodam o PS e, em particular, alguns "soaristas" e os militantes da secção de Benfica, os quais, desde já, saúdo e cumprimento pelo esforço que têm feito, internamente, no sentido de estimular uma oposição mais efectiva. Espero, sinceramente, que sejam bem sucedidos. Entretanto, a julgar pelos jornais de hoje, parece que a questão da liderança do PS e da estratégia do partido continua viva e veio para ficar. Será que a estratégia adoptada por Ferro Rodrigues na rentrée do PS se virou contra ele?
Finalmente, agradeço as canções de John Lennon e dos The Beatles que o Ter Voz, de uma forma simpática, me dedica. No entanto, tenho a obrigação de lembrar que a ambição por um mundo perfeito e socialmente justo não é uma característica exclusiva da esquerda.
ANS
93 – CANÇÕES DE 1973 (VII)
Prometi, na passada sexta-feira (19 de Setembro), lembrar uma canção lançada no ano de 1973 por um autor cujo nome começasse pela terceira letra do alfabeto. Hoje, com uma semana de atraso, cumpro finalmente essa promessa. No entanto, não o farei sem, primeiro, lembrar Billy Paul e Bette Midler, cujas canções Me And Mrs Jones e Boogie Woogie Bugle Boy (ou ainda Do You Want To Dance) constituíram verdadeiros sucessos em 1973. Uma vez cumprido este dever, passo então à tal promessa e recordo Carly Simon e a sua canção You’re So Vain, a qual já foi objecto de muita especulação em torno da pessoa a quem é dedicada. Enquanto uns afirmam tratar-se de Mick Jagger, outros garantem que a canção é dedicada a Cat Stevens e outros ainda acreditam tratar-se de Warren Beatty. A cantora nunca revelou a verdadeira identidade dessa pessoa, se é que ela existe.
YOU’RE SO VAIN
You walked into the party
Like you were walking onto a yacht
Your hat strategically dipped below one eye
Your scarf it was apricot
You had one eye in the mirror
As you watched yourself gavotte
And all the girls dreamed that they'd be your partner
They'd be your partner, and
You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you?
You had me several years ago
When I was still quite naive
Well, you said that we made such a pretty pair
And that you would never leave
But you gave away the things you loved
And one of them was me
I had some dreams they were clouds in my coffee
Clouds in my coffee, and
You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you?
[instrumental interlude]
I had some dreams they were clouds in my coffee
Clouds in my coffee, and
You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you?
Well, I hear you went up to Saratoga
And your horse naturally won
Then you flew your Lear jet up to Nova Scotia
To see the total eclipse of the sun
Well, you're where you should be all the time
And when you're not, you're with
Some underworld spy or the wife of a close friend
Wife of a close friend, and
You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you? Don't you?
[instrumental interlude]
You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain (so vain)
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you? Don't you?
By Carly Simon
Desta vez, apenas prometo que a série “Canções de 1973” irá continuar e que, sempre que tiver a possibilidade de escrever no Carimbo, aproveitarei para recordar mais uma canção.
ANS
92 – SOU BLOGO-CALMO
Já aqui referi as características extremamente viciantes dos blogs. São características que eu sinto fortemente e, por esse motivo, foi muito difícil não poder escrever durante toda a semana. Pois é, fui obrigado a trabalhar todos os dias até tarde e, por isso, não sobrou muito tempo para blogar. Ainda consegui ir acompanhando o que foi sendo escrito nos blogs que fazem parte da (já muito longa) lista que podem ver na coluna da esquerda do Carimbo, mas não consegui arranjar tempo para escrever. É que eu tenho esta incorrigível tendência para escrever posts muito longos, os quais consomem um tempo considerável. Como o ritmo de trabalho não irá diminuir tão cedo, apenas poderei escrever nos fins-de-semana (e apenas naqueles que forem passados em casa).
Enfim, adaptando as auto-denominações de Paulo Portas (o “euro-calmo”) e António Costa (o “luso-calmo”), eu assumo-me como blogo-calmo durante os dias úteis. Nos fins-de-semana, pelo contrário, serei um blogador inveterado ou, como diriam Paulo Portas e António Costa, um blogo-nervoso ou um blogo-stressado, ou ainda um blogo-inquieto ou até mesmo um blogo-animado. Aceitam-se outras sugestões.
ANS
19 setembro 2003
91 – EXISTE OPOSIÇÃO?
Parece que o post 84 do Carimbo sobre a questão da liderança do Partido Socialista (PS) causou alguma surpresa entre os editores do Ter Voz. Essa surpresa é demonstrada em pelo menos quatro posts (“PS – Partido Português”; “O discurso!”; “As manigâncias de P.S.L.” e “Motes”) aos quais julgo dever responder, mesmo que nem todos os posts referidos sejam dirigidos ao Carimbo.
Em primeiro lugar, devo lembrar como surgiu o post 84 do Carimbo. Tudo começou com alguns comentários (post 70) que fiz às previsões de Marcelo Rebelo de Sousa para as próximas eleições presidenciais. Nessas previsões, Marcelo Rebelo de Sousa incluiu também alguns cenários para a liderança do PS. Limitei-me a referir (de uma forma marginal) outros cenários e nunca expressei preferência por nenhum deles (nem tinha de o fazer, visto não ser simpatizante do PS). Voltei a discutir esta questão no post 84 quando foi anunciado que António Vitorino não tinha formalizado a sua candidatura ao cargo de Secretário-Geral da NATO. Fi-lo para responder a um comentário de Paulo Gorjão e, mais uma vez, não expressei qualquer tipo de preferência por nenhum dos enumerados candidatos hipotéticos à liderança do PS. Paulo Gorjão continuou a debater o assunto nos posts 310, 311, 313 e 314 do Bloguítica Nacional, (cuja leitura recomendo) e envolveu-se posteriormente numa polémica (posts 329 e 331) com o Irreflexões (posts da série “A mim interessa-me” I, II e III) sobre a alegada demagogia dos que criticam o PS.
Uma vez terminada a introdução do tema em discussão, passo à explicação das minhas posições sobre este tema que tanto incomoda os simpatizantes e militantes do PS.
Para o Ter Voz, é uma surpresa constatar que os cidadãos afinal discutem o que se passa no interior do PS, mesmo quando este é apenas o maior partido da oposição e quando esses cidadãos não são militantes e nem sequer são simpatizantes do partido. Para o Ter Voz, o post 84 do Carimbo (bem como outros textos do género) são verdadeiros tratados sobre quem deverá assumir a liderança do PS, o que só prova (para surpresa do Ter Voz) a grandeza do PS.
Pois agora é a minha vez de me revelar surpreendido. Eu não sou, de facto, simpatizante do PS. Não me identifico com as orientações políticas do PS. Mas, como cidadão português, tenho (e terei sempre) de reconhecer a importância deste partido. Nunca nos poderemos esquecer que o PS formou o anterior Governo de Portugal e, numa lógica de alternância democrática, voltará certamente a formar Governo (embora isso não deva acontecer em 2006). Não é porque o PS se encontra agora na oposição que deixa de ter enormes responsabilidades nos destinos do país. Tal como o PS gosta de lembrar, “nunca um partido de oposição o foi partindo de uma base eleitoral tão alargada”. Nestas condições, é natural que eu possa demonstrar interesse pelo que se passa no interior do PS e não consigo perceber qual é a surpresa do Ter Voz quando se discutem algumas hipotéticas movimentações no interior do partido. Será porque essas discussões apenas resultam da constatação óbvia de que o PS tem, neste momento, uma liderança a prazo?
É o próprio PS que assume que “as condições que levaram à demissão do Governo [socialista] a meio de uma legislatura e a forma extremamente rápida de escolha de um novo Secretário Geral constituíram factores de adversidade de enorme importância”. Para mim, há outros “factores de adversidade” que ainda não foram ultrapassados.
Um deles é a dependência política que Ferro Rodrigues entretanto criou para si próprio e para o PS relativamente aos desenvolvimentos do caso Casa Pia e que traz problemas ao PS na elaboração de um projecto alternativo de governo (a longo prazo), o qual dependerá sempre (não completamente, mas em parte) do líder em exercício. Mas não está já interiorizado que Ferro Rodrigues é um líder de transição? Quanto tempo durará o período de transição? Quando poderemos discutir um projecto global de governo?
Pois é, o PS não tem, neste momento, um projecto alternativo de governo (que não seja apenas uma superficial declaração de princípios) e é por isso que eu escrevo que não existe oposição. Na ausência de tal projecto, a oposição socialista limita-se a intervenções esporádicas para exploração demagógica dos casos mais mediáticos. Só a ausência de um projecto alternativo de governo explica a colagem (muito) à esquerda que se tem verificado durante a liderança de Ferro Rodrigues, a qual só vem retirar importância ao maior partido da oposição assim colocado a reboque do Partido Comunista Português e do Bloco de Esquerda. O PS nega as suas insuficiências actuais e justifica a colagem à esquerda com uma atitude de vitimização perante os partidos da direita que “pretenderam fazer passar a ideia que o PS não podia mais aspirar a afirmar-se como grande partido nacional, como permanente e credível alternativa de governo”. A atitude de vitimização e radicalização do discurso não é de agora (não é uma novidade da “rentrée” socialista). Esta atitude tem sido adoptada desde a tomada de posse de Ferro Rodrigues como Secretário-Geral do partido.
O PS sempre acusou o actual Governo de fazer “anúncios artificiais” e “propostas demagógicas e populistas”, típicas de “uma actuação, sem rumo, demasiado próxima duma verdadeira ditadura da maioria”. Ainda hoje, o Público noticia um argumento deste tipo (mediaticamente) explorado por parte do Presidente da República (que assim revela a sua actual independência do PS) durante uma visita oficial à Turquia. O PS sempre acusou o Governo de procurar a “radicalização e crispação” para encobrir o alegado incumprimento das promessas eleitorais.
Parece-me que existe aqui um equívoco. Na realidade, nunca um Governo revelou tanta coragem e determinação na tentativa de cumprir o seu programa eleitoral. Penso que, à excepção do aumento da taxa máxima de IVA e do tempo de serviço necessário para obtenção das pensões de reforma por inteiro, o programa eleitoral tem sido cumprido, não havendo lugar a acusações de política eleitoral demagógica e populista.
Quanto à questão da radicalização, penso que é o PS quem o faz através da colagem (muito) à esquerda. É o PS quem afirma ter manifestado “ao Governo a sua disponibilidade para pactos de regime em torno de questões decisivas para o futuro do país, de modo a criar um clima de governabilidade propício a reformas com bases sociais e políticas de apoio tão alargadas quanto possível”. E qual é a contrapartida? Não será a dissolução da coligação de Governo? Será que é esta a única forma que o PS encontra para fazer oposição? Será que a presença do Partido Popular (PP) no actual Governo conseguiu a incrível façanha de dar maioria absoluta ao Governo na Assembleia da República e, ao mesmo tempo, anular a independência do maior partido da oposição relativamente aos outros partidos da esquerda radical? Se assim for, está explicada a obsessão socialista com o PP (leia-se como se quiser).
Para que não se afirme que eu estou a defender Paulo Portas, remeto desde já os leitores para a leitura dos posts 61 e 66 do Carimbo, nos quais demonstrei o meu desacordo com a associação entre imigração e desemprego. No entanto, chamo à atenção para a notícia hoje divulgada pelo Diário de Notícias, segundo a qual cerca de 4 % dos imigrantes estão desempregados.
Estarei a ser injusto quando escrevo que o PS tem feito uma oposição demagógica? Não me parece. Para o PS, com o “Governo dos partidos da direita, a situação económica, política e social agravou-se significativamente em Portugal”. De acordo com o ponto de vista socialista, tal aconteceu porque o actual Governo dramatizou “desnecessariamente a situação nacional”, o que “gerou uma brutal queda das expectativas e provocou um profundo desalento em quase todos os sectores mais dinâmicos da sociedade portuguesa” e deteriorou “a situação económica muito para além do que a situação nacional e internacional justificaria”. Claro que o PS tem razão. Aliás, se o Governo tivesse adoptado uma atitude de optimista irresponsabilidade a recessão económica portuguesa seria muito menor. Agora a sério: convém aqui lembrar que o optimismo, relativamente a uma rápida recuperação da economia, esteve sempre presente nos EUA e em muitos países da Europa durante os últimos dois anos e, como é óbvio, não foi por isso que a recessão foi atenuada ou travada. Só muito recentemente começaram (muito timidamente) a aparecer os sinais da recuperação económica.
O PS orgulha-se de se ter empenhado na luta “contra a política do Governo de corte dos juros bonificados no Crédito à Habitação”. Para mim, isto é apenas mais demagogia. Basta olhar para as actuais taxas de juro de referência, para os níveis de endividamento das famílias (e principalmente dos jovens) e para o estado do mercado de arrendamento.
O PS afirma que “mantém a sua adesão plena aos objectivos de estabilidade e crescimento no seio da União Europeia” mas acha que “a Europa tem a obrigação de entender os sinais de mudança da conjuntura de forma profunda e assumida, e de adaptar as suas políticas, quer a essa realidade mutável (e o mundo de hoje é bem diferente do que era nos anos 90), quer à diversidade das situações das diferentes economias”. Permitam-me que pergunte a que economias se refere o PS? À espanhola e à grega? Talvez o Público de hoje dê a resposta.
Como as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento não se irão alterar (talvez graças aos suecos), o PS prefere esquecê-las e esquecer também que Portugal beneficia dos fundos de coesão para, demagogicamente, afirmar que, principalmente em épocas de recessão, “os mercados e o seu dinamismo devem ser estimulados através de políticas públicas que facilitem o investimento”. Não. Minto. Para o PS, “o controlo das finanças públicas assume cada vez mais um papel de relevo não como um fim em si, mas porque, quanto mais equilibradas forem as contas públicas do ponto de vista estrutural, mais viável se torna recorrer à despesa e ao investimento públicos como instrumentos de mobilização de recursos em contexto de abrandamento económico". Pois é. Mas as contas herdadas do Governo socialista não estavam equilibradas. Ou estavam? O actual Governo só tomou posse em Abril de 2002 e cortou na despesa onde pôde (só poderá cortar mais quando a reforma do Estado e da sua administração se iniciar a sério) e inventou as receitas que pôde.
Afirma o PS que “importa perceber que, se para esse esforço [de controlo orçamental] há que contar com um importante contributo da racionalização da despesa pública e especialmente da despesa corrente, o papel decisivo terá de vir duma maior eficácia no combate à fraude e à evasão fiscal”. A este respeito, o PS faz o “acto de contrição” afirmando que “foi uma incompleta compreensão dessa necessidade que agravou a situação orçamental no passado recente da gestão do PS”. Para mim, está tudo dito. Isto é, se sete anos não chegaram, seria difícil cumprir este objectivo em ano e meio.
Finalmente, o PS vem agora contestar os prazos delimitados pelo actual governo para a aproximação da economia portuguesa à média europeia. No entanto, esse prazo parece-me legítimo, até porque há um “objectivo, firmado [no Conselho Europeu] em Lisboa em 2000, de transformar a economia europeia na mais competitiva do Mundo em 10 anos”.
Queixa-se o PS de que “a política de substituições nas chefias das instituições do Estado obedece a critérios que são, na maioria dos casos, os das clientelas partidárias”. Não me lembro de ter assistido a uma política diferente durante o Governo socialista. Ferro Rodrigues afirmou que “A inscrição partidária ou a simpatia pessoal não podem subverter os critérios de competência, a parcialidade do mandante não pode derrogar a imparcialidade dos concursos, porque a qualidade da Administração exige dirigentes qualificados e com perfil adequado ao cargo concursado”. A conclusão é correctíssima, mas se isto não é demagogia, o que é então?
Para o PS, o reforço do papel dos sistemas privados nos serviços públicos tem sido feito de “forma aventureira”, “não numa saudável lógica de complementaridade, mas numa lógica agressiva de invasão do espaço da segurança social pública”. Parece que o PS se esquece (deve ser por desatenção) de alguns bons exemplos que já ocorreram, nomeadamente na área da saúde.
Diz também o PS que o actual governo introduziu um “conjunto de alterações que diminuem drasticamente o potencial de inserção social” do Rendimento Mínimo Garantido. Acrescenta o PS que “estas alterações, em muitos casos, tecnicamente erradas, estão enformadas por uma moral de Estado retrógrada, culpabilizadora dos mais pobres. O avanço inequívoco em matéria de política social constitui um dos mais importantes legados dos governos do PS. Nos últimos seis anos, Portugal aproximou-se decisivamente do modelo social europeu, e a solidariedade foi uma prioridade da governação, como talvez nunca tenha sido”. Pelo contrário, julgo que o novo Rendimento de Inserção Social é atribuído a quem, de facto, dele necessita. Não me parece que seja errado obrigar os jovens (até aos vinte e cinco anos de idade) a terem mais iniciativa e a procurarem um emprego onde ele estiver. Os imigrantes fazem-no com sucesso. Quanto à questão da propaganda demagógica que o PS tem feito dos resultados do último relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, remeto o leitor para o post 12 do Carimbo. Se “existe hoje um risco sério de retrocesso nesse domínio”, como afirma o PS, isso deve-se em grande parte à forma como o PS conduziu a economia portuguesa durante os anos em que formou Governo.
Para acabar esta já longa lista de exemplos de oposição demagógica, ou inexistente, falta apenas referir esta afirmação: “O nosso passado no combate pela participação de Portugal na U.E. dá-nos um lugar único e distintivo no quadro político nacional. Somos o partido que melhor protagoniza a vocação europeia de Portugal”. A resposta está no post 313 do Bloguítica Nacional.
Para acabar, da mesma forma que me sinto no direito (como cidadão) de comentar as movimentações internas do PS, também acho que os simpatizantes e militantes do PS podem e devem comentar a actuação de Pedro Santana Lopes enquanto dirigente do PSD, Presidente da Câmara de Lisboa e comentador político. O Ter Voz fê-lo e talvez tenha razão quando escreve que a candidatura presidencial de Pedro Santana Lopes enfrenta a concorrência activa de Marcelo Rebelo de Sousa (no seu espaço televisivo da TVI) e o silêncio de Cavaco Silva. No entanto, para além do facto de Marcelo Rebelo de Sousa já ter garantido que não seria candidato, também não me parece que o Ter Voz tenha razão quando escreve que “entretanto, é Lisboa que paga, por estes tempos, a factura da ambição pessoal do seu Presidente. Por muito que diga que a cidade o preocupa, ele só pensa num espaço do concelho que lidera, o palácio cor-de-rosa, situado na Praça Afonso de Albuquerque”. Penso que Pedro Santana Lopes, tal como os hipotéticos futuros líderes do PS, pode lutar pelas suas ambições enquanto continua a fazer o seu trabalho. O problema é que, ao contrário do que escreve o Ter Voz, parece-me que Pedro Santana Lopes tem um projecto para Lisboa (embora com alguns erros pelo meio) enquanto que o PS não tem um projecto para o país. Ou seja, não há oposição.
ANS
90 - CANÇÕES DE 1973 (VI)
Aqui está um cantor que para quem o ano de 1973 também significa muito. De facto, foi há trinta anos atrás que Bruce Springsteen arrancou definitivamente para uma grande carreira com o álbum Greetings From Asbury Park, N.J.. Das canções deste álbum, julgo que devo destacar Blinded By The Light, a qual foi também utilizada pelos Manfred Mann três anos mais tarde.
BLINDED BY THE LIGHT
Madman drummers bummers and Indians in the summer with a teenage diplomat
In the dumps with the mumps as the adolescent pumps his way into his hat
With a boulder on my shoulder feelin' kinda older I tripped the merry-go-round
With this very unpleasing sneezing and wheezing the calliope crashed to the ground
Some all-hot half-shot was headin' for the hot spot snappin' his fingers clappin' his hands
And some fleshpot mascot was tied into a lover's knot with a whatnot in her hand
And now young Scott with a slingshot finally found a tender spot and throws his lover in the sand
And some bloodshot forget-menot whispers daddy's within earshot save the buckshot turn up the band
And she was blinded by the light. Cut loose like a deuce
Another runner in the night. Blinded by the light
She got down but she never got tight, but she'll make it alright
Some brimstone baritone anticyclone rolling stone preacher from the east
He says: ";Dethrone the dictaphone, hit it in its funny bone, that's where they expect it least";
And some new-mown chaperone was standin' in the corner all alone watchin' the young girls dance
And some fresh-sown moonstone was messin' with his frozen zone to remind him of the feeling of romance
Yeah he was blinded by the light. Cut loose like a deuce
Another runner in the night. Blinded by the light
He got down but she never got tight, but he's gonna make it tonight
Some silicone sister with her manager's mister told me I got what it takes
She said I'll turn you on sonny to something strong if you play that song with the funky break
And go-cart Mozart was checkin' out the weather chart to see if it was safe to go outside
And little Early-Pearly came in by her curly-wurly and asked me if I needed a ride
Oh, some hazard from Harvard was skunked on beer playin' backyard bombardier
Yes and Scotland Yard was trying hard, they sent a dude with a calling card,
he said, do what you like, but don't do it here
Well I jumped up, spit in the air, fell on the ground, asked wich was the way back home
He said take a right at the light, keep going straight until right, and then boy you're on your own
And now in Zanzibar a shootin' star was ridin' in a side car hummin' a lunar tune
Yes, and the avatar said blow the bar but first remove the cookie jar, we're gonna teach those boys to laugh too soon
And some kidnapped handicap was complaining that he caught the clap from some mousetrap he bought last night
Well I unsnapped his skull cap and between his ears I saw a gap but he'd figured he'd be all right
He was just blinded by the light. Cut loose like a deuce
Another runner in the night. Blinded by the light
Mama always told me not to look into the sights of the sun
Oh but mama that's where the fun is
By Bruce Springsteen
Amanhã passo para a letra C.
ANS
89 - GESTALT THEORY
Escreve o Anarca Constipado que afinal a teoria referida no post 87 do Carimbo não é assim tão fácil de rebater. Talvez. Mas a questão que eu coloco é se a nossa capacidade de transformar o que não faz sentido (ou que nos é desconhecido) em algo conhecido (e que faça sentido) é aplicável quando estamos perante inúmeras pistas (falsas) para "coisas" que conhecemos. É o caso das "palavras" "adroco", "psiuq", "sea", "udadis", "revine", "iselgna", etc. Estas "palavras" não significam nada em português, mas podem ser lidas e incluem, elas próprias, palavras que fazem sentido, o que torna muito mais difícil a tal dedução do significado global do texto.
ANS
18 setembro 2003
88 - CANÇÕES DE 1973 (V)
Depois de Bob Dylan, só mesmo outro Bob. Refiro-me a Bob Marley. Das suas canções, escolhi I Shot The Sheriff, do álbum Burnin', porque, curiosamente, esta canção também foi interpretada por Eric Clapton.
I SHOT THE SHERIFF
(I shot the sheriff
But I didn't shoot no deputy, oh no! Oh!
I shot the sheriff
But I didn't shoot no deputy, ooh, ooh, oo-ooh.)
Yeah! All around in my home town,
They're tryin' to track me down;
They say they want to bring me in guilty
For the killing of a deputy,
For the life of a deputy.
But I say:
Oh, now, now. Oh!
(I shot the sheriff.) - the sheriff.
(But I swear it was in selfdefence.)
Oh, no! (Ooh, ooh, oo-oh) Yeah!
I say: I shot the sheriff - Oh, Lord! -
(And they say it is a capital offence.)
Yeah! (Ooh, ooh, oo-oh) Yeah!
Sheriff John Brown always hated me,
For what, I don't know:
Every time I plant a seed,
He said kill it before it grow -
He said kill them before they grow.
And so:
Read it in the news:
(I shot the sheriff.) Oh, Lord!
(But I swear it was in self-defence.)
Where was the deputy? (Oo-oo-oh)
I say: I shot the sheriff,
But I swear it was in selfdefence. (Oo-oh) Yeah!
Freedom came my way one day
And I started out of town, yeah!
All of a sudden I saw sheriff John Brown
Aiming to shoot me down,
So I shot - I shot - I shot him down and I say:
If I am guilty I will pay.
(I shot the sheriff,)
But I say (But I didn't shoot no deputy),
I didn't shoot no deputy (oh, no-oh), oh no!
(I shot the sheriff.) I did!
But I didn't shoot no deputy. Oh! (Oo-oo-ooh)
Reflexes had got the better of me
And what is to be must be:
Every day the bucket a-go a well,
One day the bottom a-go drop out,
One day the bottom a-go drop out.
I say:
I - I - I - I shot the sheriff.
Lord, I didn't shot the deputy. Yeah!
I - I (shot the sheriff) -
But I didn't shoot no deputy, yeah! No, yeah!
By Bob Marley
Para amanhã está reservado outro autor cujo nome começa por B.
ANS
87 - ALGUMAS TEORIAS SÃO FÁCEIS DE REBATER
Tenho recebido alguns e-mails com o seguinte texto, o qual já tinha lido nalguns blogs:
“De acordo com uma pesquisa de uma universidade inglesa, não importa a ordem pela qual as letras de uma palavra estão, a única coisa importante é que a primeira e última letras estejam no lugar certo. O resto pode ser uma total confusão que você pode ainda ler sem grandes problemas. Isto porque nós não lemos cada letra isolada, mas a palavra como um todo.”
O exemplo de aplicação desta teoria é dado pelo seguinte conjunto de “palavras”:
“De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra a odrem plea qaul as lrteas de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma ttaol csãofnuo que vcoê pdoe anida ler sem gnderas pobrlmeas. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.”
Parece que a teoria está correcta, não é? Mudemos então mais uma vez a posição das letras e vejamos o que acontece:
De adroco com uma psiuqsea de uma udadisrevine iselgna, não itropma a oedrm plea qaul as lartes de uma prvalaa eãtso, a úcina csioa itnatropme é que a priemira e úmitla lartes eajetsm no lagur ctreo. O rtseo pdoe ser uma tatol cãsufnoo que vcoê pdoe adnia ler sem gednars pamelbors. Itso puqroe nós não lomes cdaa lrtea idalosa, mas a prvalaa cmoo um tdoo.
A compreensão de algumas palavras torna-se mais difícil, não é? Imaginem que não conhecíamos o texto original. Talvez fosse ainda mais difícil de entender. Infelizmente, parece que a teoria está errada e, por isso, teremos de continuar a corrigir as palavras que tantas vezes teclamos com letras trocadas.
ANS
17 setembro 2003
86 – MAIS AGRADECIMENTOS VII
Parece que o post 82 do Carimbo, com as minhas impressões sobre o meu último fim-de-semana, gerou alguns comentários. Além dos e-mails que recebi, tenho ainda de agradecer os comentários colocados no Adufe (post “E o prémio vai para...”) e no Valete Fratres!.
Rui Branco (do Adufe) atribui ao Carimbo o “Prémio para a melhor crónica lida nos últimos 5 minutos”. Já sei que Rui Branco avisou que quem agradecesse os seus prémios se arriscaria a “levar com outro”. Pois como nunca ninguém me atribuiu nenhum prémio na blogosfera, eu agradeço e corro o risco de “levar com outro” prémio engraçado como esse. Aproveito para tranquilizar Rui Branco quanto à eventual queimadura na mão. Foi só um pequeno (mas irritante) choque eléctrico (a voltagem era muito baixa). Quanto aos meus longos posts, só posso afirmar que esse é um defeito que não consigo corrigir. De qualquer forma, agradeço a todos os que têm a paciência de ler os meus posts até ao fim, se é que alguém o faz.
João Noronha (do Valete Fratres!) opõe o post 82 do Carimbo (que não é apenas uma descrição de um fim-de-semana em Oxford) à frase de apresentação deste blog (“Blog que pretende marcar mas não ferretear...”). Não percebi se João Noronha escolheu o post 82 do Carimbo como um bom exemplo de aplicação da referida frase, ou se, pelo contrário, o fez para mostrar que essa frase foi esquecida. Acredito mais na primeira hipótese e, por isso, agradeço a João Noronha pelo destaque que dá ao post 82. De qualquer forma, para aqueles que, porventura, possam pensar o contrário, devo lembrar que, no post inaugural do Carimbo, escrevi que o objectivo deste blog é marcar (com a minha modesta opinião) qualquer assunto que o justifique. Foi o que tentei fazer no post 82. Já que estou a escrever um web log (ou seja, um diário), porque não adoptar um estilo descritivo (idêntico ao que se encontra nos diários) para fazer os mesmos comentários que, normalmente, seriam feitos de uma forma seca e directa? Repito que foi isto que tentei fazer no post 82. Dentro do relato do fim-de-semana, refiro a abordagem que os ingleses fazem das questões de segurança, refiro o custo de vida neste país, refiro as assimetrias que nele existem, refiro as razões que os ingleses apontam para a sua recusa de adesão à moeda única europeia. Refiro ainda, com exemplos concretos, como funciona o sistema político inglês e como a atitude empreendedora dos ingleses perante os projectos de grande envergadura contrasta com a atitude portuguesa. É o caso dos trabalhos de preparação (que já se iniciaram) da cidade de Liverpool (uma cidade com inúmeros problemas) para, em 2008, assumir o estatuto de Capital Europeia da Cultura.
Já que refiro o destaque dado a posts do Carimbo, aproveito para agradecer a Paulo Gorjão por divulgar, no post 288 do Bloguítica Nacional, as minhas reflexões sobre a liderança do Partido Socialista.
Agradeço também a Pedro Mexia por concordar comigo em incluir O Carimbo na sua lista de blogs conservadores, liberais e afins.
Agradeço também a Miguel Nogueira pelo simpático post “Ornitologia” do blog A Origem do Amor. Meu caro Miguel Nogueira, acredito que acabará por encontrar a classificação mais correcta para o Carimbo. Até lá, esperarei pacientemente, o que, para um “Carimbador” que gosta de classificar tudo e mais alguma coisa, não será nada fácil.
Entretanto, apareceram mais dois blogs que incluíram O Carimbo na sua lista de blogs recomendados. Trata-se do Tolentino e do Começou Em Trezentos, Vai Em Quatrocentos E Não Se Sabe Em Quantas Centenas De Milhares Acabará. O Tolentino também já foi acrescentado à lista de blogs recomendados pelo Carimbo. Quanto ao outro blog, aqui ficam os meus parabéns pelo início sensacional (quase tão bom como o início do Causa Vossa) e o desejo de ler os posts que justificam tamanho sucesso.
ANS
85 - CANÇÕES DE 1973 (IV)
Tal como ontem prometi, aqui está um pouco da história do Far West. Na realidade deveria escrever Old West, porque é isso que retrata o western Pat Garrett And Billy The Kid, cuja banda sonora pode ser ouvida no álbum de Bob Dylan com o mesmo nome. Uma das curiosidades deste filme é a participação de Bob Dylan como actor, no papel de Alias.
Escolhi a canção Knockin' On Heaven's Door porque é aquela que ilustra uma das melhores cenas do filme e também porque outros a cantaram, nomeadamente Eric Clapton e os Guns N' Roses.
KNOCKIN' ON HEAVEN'S DOOR
Mama, take this badge off of me
I can't use it anymore.
It's gettin' dark, too dark for me to see
I feel like I'm knockin' on heaven's door.
Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door
Mama, put my guns in the ground
I can't shoot them anymore.
That long black cloud is comin' down
I feel like I'm knockin' on heaven's door.
Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door
By Bob Dylan
Ainda não sei o que vai sair no capítulo V desta série. No entanto, amanhã recordarei certamente mais uma canção de 1973.
ANS
16 setembro 2003
84 - A LIDERANÇA DO PARTIDO SOCIALISTA
No post 263 do Bloguítica Nacional, Paulo Gorjão comentou o post 79 do Carimbo. Paulo Gorjão duvida do interesse de António Vitorino em assumir a liderança do Partido Socialista (PS) após a saída de Ferro Rodrigues e fundamenta a sua opinião nos elogios (conhecidos) que são endereçados a António Vitorino no seio da Comissão Europeia.
Devo esclarecer que concordo com Paulo Gorjão. Já o tinha escrito no post 70 do Carimbo. Concordo que, para António Vitorino, não será muito aliciante substituir Ferro Rodrigues antes das próximas eleições legislativas. As possibilidades de vitória do PS nessas eleições são reduzidas e Durão Barroso já se apercebeu disso. É também por isso que já começou a pedir à população que vote no Partido Social Democrata (PSD) em Março de 2006. Durão Barroso avisa que as reformas iniciadas pelo actual governo deverão ser avaliadas no prazo de duas legislaturas.
Por outro lado, após as eleições do próximo ano para o Parlamento Europeu, o Governo terá todo o interesse em manter António Vitorino na Comissão Europeia. As vantagens são várias. Se António Vitorino continuar o excelente trabalho na Comissão Europeia ao invés de assumir a liderança do PS, as eleições legislativas de 2006 serão mais fáceis para o PSD. Ao mesmo tempo, o Governo transmitirá uma imagem de desinteresse partidário (e interesse nacional) ao apoiar um membro do Partido Socialista (é membro, não é?). E o interesse nacional será, de facto, muito grande quando a nova Comissão Europeia começar o seu trabalho, em 2005, após a ratificação, pelos Estados membros, do Tratado para a Constituição Europeia e após o alargamento da União Europeia a mais dez países. Penso que terá sido por estes motivos que António Vitorino não formalizou a sua candidatura ao cargo de Secretário-Geral da NATO (e também porque as hipóteses de sucesso dessa candidatura eram pequenas). Outras razões poderão ser as avançadas pela revista The Economist relativamente à possibilidade de António Vitorino ambicionar "voos mais altos" em Bruxelas. O Governo sabia, com toda a certeza, que António Vitorino não iria formalizar a sua candidatura e, por isso, expressou o seu apoio à candidatura do Ministro dos Negócios Estrangeiros holandês.
As razões que indico para a permanência de António Vitorino em Bruxelas servem também para contestar algumas notícias que o apontam como única alternativa a António Guterres para representar a esquerda nas próximas eleições presidenciais de Janeiro de 2006. Parece que já ninguém conta com Mário Soares. Poderá haver uma surpresa?
Independentemente do destino de António Vitorino, o PS não poderá continuar refém do processo Casa Pia e terá de assumir a liderança da oposição. A acção governativa precisa de um PS capaz de conduzir uma oposição interventiva e construtiva. O próprio PS, se quiser apresentar-se nas próximas eleições legislativas com um projecto de governo, tem de começar a trabalhar agora. No entanto, parece que já todos no PS esperam uma derrota nas eleições legislativas de 2006. Parece que existe alguma falta de imaginação na forma de fazer oposição. Da mesma forma que o PS se limita, actualmente, a fazer oposição através de ataques demagógicos ao partido mais pequeno do Governo, também a estratégia futura se resume a tirar partido de um Presidente da República eventualmente eleito pela esquerda com a "função" de desgastar o Governo.
Tal como escrevi no post 79, o PS até pode conseguir um resultado aceitável nas eleições europeias do próximo ano e nas eleições autárquicas de 2005, as quais servem normalmente para fazer avisos ao Governo em exercício. No entanto, mesmo que isso aconteça e que os desenvolvimentos do processo Casa Pia não obriguem Ferro Rodrigues a demitir-se da liderança do partido, não me parece que o PS esteja em condições de formar Governo em 2006. Penso que é por este motivo que os possíveis candidatos à liderança do PS preferem esperar. De preferência, até depois das legislativas de 2006. Resta saber em que estado estará a imagem do PS (indissociável da imagem de Ferro Rodrigues) por essa altura.
No post 70 referi, como possíveis candidatos à liderança do PS, José Sócrates, João Soares, António Costa e António Vitorino. Poderia ter incluído ainda Manuel Maria Carrilho e outros. Estes candidatos terão de lutar internamente para evitar serem enviados para o Parlamento Europeu ou para uma Câmara Municipal importante e, assim, permanecerem em condições de assumirem a liderança do PS. Parece que afinal os conflitos internos motivados pela questão da liderança do PS serão (ou talvez já o sejam) muito mais complicados do que os eventuais conflitos que José Sócrates prevê ocorrerem no PSD aquando da escolha do candidato presidencial. Infelizmente, isto significa que, durante os próximos anos, o PS estará muito mais preocupado com estas questões internas do que com o Governo do país. Como vivemos em democracia, perdemos todos. O actual Governo não agradece (ou, pelo menos, não devia agradecer).
ANS
83 - CANÇÕES DE 1973 (III)
Tal como ontem prometi, cá está um exemplo de rock'n'roll californiano concebido na Europa. Trata-se de uma canção dos The Beach Boys lançada no álbum Holland. Escolhi esta canção por causa da sua história. Aparentemente, os The Beach Boys gastaram "rios de dinheiro" para produzir o álbum Holland numa quinta na Holanda e, apesar do montante investido, a Warner Brothers rejeitou o álbum por considerar que este não tinha nenhuma canção que fornecesse garantias de sucesso. Assim, sem a participação de Brian Wilson, uma das canções que originalmente fazia parte do álbum foi substituída por esta:
SAIL ON SAILOR
I sailed an ocean, unsettled ocean
Through restful waters and deep commotion
Often frightened, unenlightened
Sail on, sail on sailor
I wrest the waters, fight Neptune's waters
Sail through the sorrows of life's marauders
Unrepenting, often empty
Sail on, sail on sailor
Caught like a sewer rat alone but I sail
Bought like a crust of bread, but oh do I wail
Seldom stumble, never crumble
Try to tumble, life's a rumble
Feel the stinging I've been given
Never ending, unrelenting
Heartbreak searing, always fearing
Never caring, persevering
Sail on, sail on, sailor
I work the seaways, the gale-swept seaways
Past shipwrecked daughters of wicked waters
Uninspired, drenched and tired
Wail on, wail on, sailor
Always needing, even bleeding
Never feeding all my feelings
Damn the thunder, must I blunder
There's no wonder all I'm under
Stop the crying and the lying
And the sighing and my dying
Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor
By Brian Wilson, Tandyn Almer, Jack Rieley and Ray Kennedy
Para amanhã está reservado um pouco da história do Far West.
ANS
15 setembro 2003
82 – RETRATO DE UM FIM-DE-SEMANA
Fui passar o fim-de-semana a Oxford. Saí de Liverpool na sexta-feira à tarde e, desta vez, tive sorte com o comboio (post 50 do Carimbo). Não houve atrasos e o comboio era novo, limpo e confortável. Também tive sorte porque apanhei o comboio numa estação terminal (Lime Street Station). Os passageiros que apanharam o comboio nas estações seguintes (Runcorn, Crewe, Wolverhampton, Birmingham e Banbury) viajaram em pé ("apenas" duas horas meia) até Oxford. No entanto, devem ter pago pouco menos do que eu (75 euros). Esta situação deve ser normal porque não ouvi ninguém reclamar.
Fiquei em casa de um amigo, nos arredores de Oxford, numa zona rural, onde todas as pessoas se conhecem e gostam de falar do tempo. Principalmente quando o tempo está como esteve neste fim-de-semana, ou seja, óptimo. Aproveitei para conhecer o local e fiz algumas caminhadas agradáveis através dos campos de cereais e das pastagens. Só não gostei do choque que apanhei quando, desprevenido, me agarrei a uma cerca de arame. Às vezes não percebo estes ingleses. Parecem estar sempre muito preocupados com a segurança, mas depois permitem que se possa entrar e sair dos autocarros quando estes estão em andamento, permitem que os passageiros dos comboios excedam largamente a lotação das carruagens em viagens longas e não avisam as pessoas quando colocam cercas electrificadas a delimitar as suas propriedades.
Irritado, voltei para casa, ou melhor, para a cottage. Esta é uma daquelas casas com telhados de colmo protegidos por uma rede metálica. As paredes são muito espessas e são feitas com uma argamassa (mistura de lama, cal, estrume, canas, palha, saibro, areia e pedra) que cobre pranchas de madeira. Segundo o meu amigo, a casa original (com mais de quatro séculos de existência) foi aumentada e remodelada há cerca de trinta anos. Desde então, a manutenção da casa tem implicado custos consideráveis. Mas, pelo que eu vi, vale a pena. De facto, se esquecer o facto de ter batido com a cabeça na verga das portas mais de dez vezes (mais um problema de segurança), posso garantir que a casa é muito confortável e convidativa. O mais estranho é ouvir, durante a noite, os animais que vivem no interior do telhado de colmo (thatch). Ainda bem que as obras de remodelação incluíram a construção de um tecto falso.
O dia seguinte (sábado) foi dedicado à cultura. A tarde foi passada com um grupo de amigos no Kassam Stadium (Estádio do Oxford United Football Club) a assistir ao jogo da Third Division (corresponde à quarta divisão, se incluirmos a Premier League) entre o Oxford United e o Mansfield Town. O jogo foi mau (como seria de esperar) e não justificou os 25 euros pagos pelo bilhete. O mais interessante foi verificar que os clubes da quarta divisão inglesa de futebol já encaram, desde há alguns anos, a sua actividade de uma forma empresarial. O estádio do Oxford United é novo, está apoiado por um centro comercial bastante grande e situa-se numa zona limítrofe da cidade, junto a diversos hotéis.
À noite, depois de uma “bela” refeição num restaurante chinês (as outras opções disponíveis eram um indiano, paquistanês ou tailandês), fomos assistir a uma peça de Shakespeare (The Tempest) ao ar livre. Os actores não eram maus e, à excepção de um que era péssimo, mereceram os 40 euros pagos pelo bilhete. Depois da peça fomos para um pub irlandês, cujas paredes estão totalmente revestidas com imagens de Collins e de De Vallera. A vantagem dos pubs irlandeses é que ficam a funcionar (com as portas fechadas) até às duas ou três da manhã.
A tarde de domingo foi também passada entre amigos num pub (com esplanada) perto do cruzamento da Broad Street com a Cattle Street, ou seja, perto da Ponte dos Suspiros e da espectacular Radcliffe Camera (sala de leitura da Bodleian Library). A conversa, bem regada por inúmeras pints de bitter e stout, durou até às seis horas da tarde (hora da partida do comboio de regresso a Liverpool). Falámos de inúmeros assuntos e o referendo para a adesão da Suécia à unidade monetária da União Europeia também esteve presente. Este é um tema com o qual os britânicos se identificam, até na preferência pelo “Não”. A sua desconfiança relativamente às implicações políticas da adesão à união monetária é enorme. Além da desconfiança política, os britânicos, tal como os suecos, estão contentes com as políticas monetárias que têm. De facto, nestes países, a inflação está controlada. O desemprego é bem menor do que a média da zona Euro e o crescimento do Produto Interno Bruto é também maior do que a média da zona Euro. Em equipa que ganha não se mexe, dizem eles. Por outro lado, os sinais de fraqueza que a Comissão Europeia vem demonstrando perante o desrespeito francês (e, talvez, alemão) pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento também não ajudam. De uma forma pragmática, os suecos e os britânicos acabarão por aderir ao Euro quando a economia da zona Euro apresentar um desempenho médio igual ou melhor do que o apresentado pelas suas próprias economias. Nessa altura, as pressões económicas farão esquecer os receios políticos, os quais continuarão a existir.
Foi com esta conclusão que regressei a Liverpool. É impressionante a forma como a paisagem muda entre Oxford e Liverpool. Essas mudanças não são naturais. De facto, o dinheiro consegue dar à região entre Oxford e Birmingham uma beleza que é impossível encontrar nos arredores de Liverpool. A pobreza desta região a norte de Gales é muito acentuada e isso reflecte-se na paisagem e nas pessoas. Estava a pensar nisto quando encontrei, na revista The Economist, um artigo com o título “The politics of behaviour”.
Neste artigo, é referido que, antigamente, a maioria dos problemas colocados aos deputados do Partido Trabalhista pelos seus constituintes relacionava-se com questões de segurança social, habitação, emprego. Estes problemas, embora complicados, acabavam por ter solução. Hoje em dia já não é assim. O deputado Frank Field (representante de Birkenhead, que fica junto a Liverpool, do outro lado do rio Mersey) queixa-se da dificuldade em encontrar soluções para os problemas actuais, os quais se baseiam em comportamentos anti-sociais como a falta de civismo, a desordem e o incómodo provocados por um cada vez maior número de pessoas. Como diria Shakespeare na sua peça The Tempest, “O brave new world, That has such people in’t.”
Não me parece nada extraordinário que isto tenha acontecido. Para mim, os problemas de hoje são exactamente os mesmos de ontem. A população do Merseyside continua a lutar por segurança social, habitação e emprego. No entanto, após anos de queixas infrutíferas, é natural que muitas pessoas (já desesperadas) tenham desistido de escrever aos deputados que as representam. Será que os comportamentos anti-sociais não são apenas um reflexo dos mesmos problemas básicos que, desde os anos 70, afectam estas populações? Não sei. O que eu sei é que os comportamentos anti-sociais são evidentes para quem, como eu, vive em Liverpool. A imagem da cidade ressente-se deles. A destruição dos equipamentos urbanos é constante. A degradação também. Vai ser difícil transformar a imagem de Liverpool até 2008, ano em que esta cidade será a Capital Europeia da Cultura. No entanto, os trabalhos já começaram. Até parece o Porto.
ANS
81 - O PODEROSO BATER DE ASAS DA BORBOLETA
Um leitor do Carimbo, a quem desde já agradeço, enviou um e-mail com uma hiperligação para uma notícia do Diário de Notícias, na qual se pode ler que o IEP sugeriu a teoria do caos para explicar a queda da passagem superior de peões no IC19.
Se a estrutura colapsou devido ao bater de asas de uma borboleta em Pequim, então isso aconteceu porque a estrutura estava muito, mas mesmo muito fragilizada. Se a estrutura foi submetida a trabalhos de reparação/alteamento do tabuleiro, então isso aconteceu porque antes dos referidos trabalhos a passagem superior de peões se encontrava ainda em piores condições de segurança. Mas não caiu. Talvez porque a borboleta não bateu as asas em Pequim. Que sorte...
Como é óbvio, a estrutura colapsou como resultado das obras realizadas. Não sei se os trabalhos de alteamento envolveram a reparação e/ou reforço da estrutura. Mas como todos afirmam que a estrutura estava visivelmente danificada como consequência de vários embates de veículos, assumo que uma intervenção de reparação foi também efectuada.
Li algures que o empreiteiro não terá entendido completamente a solução estrutural daquela passagem superior de peões. Talvez. Mas o projecto era suficientemente explícito? Apontava os cuidados a ter? Existiu acompanhamento técnico da obra? Se o risco de colapso era tão grande, será que se justificava a reparação? Não teria sido melhor substituir a estrutura por uma mais nova? Será que estas questões foram contempladas pelo dono de obra, pelo projectista e pelo empreiteiro? Como foi realizada a fiscalização da obra? Estas são outras questões que deveriam ser abordadas no relatório do Instituto de Estradas de Portugal. Não sei se o foram. O que eu já sei (e os portugueses, em geral, também já sabem) é que o bater de asas das borboletas pode ser muito poderoso.
Só espero que nenhuma borboleta voe perto da "ponte" (um cabo) com cerca de 100.000 quilómetros de comprimento que o The Guardian anunciou no passado sábado. Este cabo funcionará como um carril vertical (elevador) que permitirá uma mais fácil e barata colocação de satélites, veículos e pessoas no Espaço. O cabo será constituído por nanotubos de carbono e será construído a partir de uma estação orbital geo-estacionária (localizada a uma altura de cerca de 36.000 quilómetros). Nas extremidades do cabo existirão contrapesos que manterão o cabo tenso. No Espaço, esse contrapeso deverá ser um satélite. Na Terra, existirá uma plataforma flutuante localizada algures no Oceano Pacífico.
Além do bater de asas da borboleta em Pequim, este projecto enfrenta outras dificuldades, como os ventos, as ondas e as rotas de tráfego aéreo (na Terra) e o lixo espacial (no Espaço).
"... [Arthur C.] Clarke - who once said a space elevator would only be built "about 50 years after everyone stops laughing" - was due to address the scientists at the Santa Fe conference today by satellite link from his home in Sri Lanka.
The American space agency Nasa is no longer laughing. It is putting several million dollars into the project under its advanced concepts programme. "
ANS
80 - NASCIMENTO: UM ACONTECIMENTO MUITO TRAUMÁTICO
O The Guardian publicou, no passado sábado, uma notícia com o título "New hi-tech scans show babies smiling and crying before birth".
Transcrevo três parágrafos da notícia, nos quais percebemos que as nossas primeiras seis semanas de vida (após o nascimento) devem ser muito difíceis de ultrapassar.
"Images published for the first time yesterday seem to suggest that unborn babies can smile, blink and cry weeks before they leave the womb.
The pictures of foetuses about 26 weeks after conception have been captured by state-of-the-art scanning equipment now being employed at some clinics and teaching hospitals.
...
Obstetrician Stuart Campbell, who has been using the Austrian-developed equipment at the private Create Health Clinic, London, for two years, said: It is remarkable that a newborn baby does not smile for about six weeks after birth. But before birth, most babies smile frequently. This may indicate the baby's trouble-free existence in the womb and the relatively traumatic first few weeks after birth when the baby is reacting to a strange environment."
Imagem emprestada pelo Valete Fratres!.
Por muito traumático que o nascimento possa ser, está provado (ou talvez não) que é um trauma facilmente ultrapassável. Talvez a experiência do nascimento não seja mais do que um primeiro contacto com a adversidade, provocado com o objectivo de nos preparar melhor para o futuro. Seria bom que os pais não se esquecessem disto e evitassem proteger os filhos de tudo e mais alguma coisa.
ANS
79 - AGRADECIMENTOS E NÃO SÓ
Antes de mais, aqui ficam os agradecimentos a Paulo Varela Gomes (post "Acabou a Guerra do Meu Avô. Aleluia!") por voltar a reconhecer a participação do Carimbo (blog pacífico e não beligerante) na discussão (é apenas isso e nunca será uma batalha) sobre o sufrágio universal.
Agradeço também ao Alfacinha a solidariedade demonstrada no e-mail que me enviou. Também o Jiminy Cricket, talvez preocupado com a reduzida quantidade de informação sobre Portugal que eu recebo aqui em Liverpool, enviou um e-mail que eu agradeço imenso. Fiquei a saber que, actualmente, é possível ver as emissões da SIC e da TVI on-line, praticamente "em directo" e sem encargos. É uma pena que o serviço público garantido pela RTP não explore esta possibilidade técnica de difusão da cultura portuguesa.
Constatei que Miguel Nogueira de A Origem do Amor ainda conserva o Carimbo no seu grupo de aves por classificar. Devo referir que não me importo nada de ser, como ele já escreveu, um cuco (a companhia dos outros cucos é óptima), desde que tal não seja associado a estes versos de Shakespeare:
When daisies pied and violets blue
And lady-smocks all silver white,
And cuckoo-buds of yellow hue,
Do paint the meadows with delight,
The cuckoo, then on every tree
Mocks married men, for thus sings he,
Cuckoo,
Cuckoo, cuckoo: o word of fear,
Unpleasing to a married ear.
Pois é, posso ser um cuckoo, mas nunca um cuckold. Já agora, acho que o Desejo Casar nunca discutiu esta questão. Ou já?
Agradeço também a João Carvalho Fernandes do Fumaças por considerar o post "Os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001" do Carimbo digno de constar na sua excelente compilação com o título "Blogs de 11 de Setembro de 2003".
Paulo Gorjão, comentou o post 70 do Carimbo (sobre as eleições presidenciais) nos posts 130/09 e 131/09 do Bloguítica Nacional. Agradeço os comentários e respondo (mais vale tarde do que nunca) que, neste caso, talvez uma oposição renovada corresponda, necessariamente, a uma melhor oposição. Penso que uma nova liderança do Partido Socialista (PS), cujo futuro político não esteja hipotecado ao caso Casa Pia, poderá ser capaz de realizar uma oposição mais construtiva e empreendedora. Enquanto isso não acontece, são os pequenos partidos da esquerda quem vai conduzindo a oposição, limitando-se o PS a repetir o mote. Não sei se os resultados que o PS obterá nas próximas eleições serão melhores ou piores do que os obtidos em 2002. No entanto, penso que, em qualquer dos casos, o partido sairá a perder por atrasar a renovação da sua liderança. De facto, se o PS piorar os seus resultados eleitorais, Ferro Rodrigues deixará o partido numa situação de difícil recuperação. Se, pelo contrário, o PS melhorar os seus resultados estará criado um problema interno no partido. Quem terá legitimidade para substituir o corajoso Ferro Rodrigues (o único que, mesmo sabendo que iria ser "queimado", aceitou liderar o partido durante o sempre complicado período de oposição que se sucede a um ciclo governativo terminado)? Será que Ferro Rodrigues só depende de bons resultados eleitorais para manter a liderança do PS?
No post 70 do Carimbo referi a possibilidade de António Vitorino vir a reclamar para si a liderança do PS. Hoje, leio o aviso de Paulo Gorjão (post 235/09) sobre uma notícia do Público onde se pode ler que o Governo Português não apoiará a candidatura de António Vitorino ao cargo se Secretário-Geral da NATO. Concordo com Paulo Gorjão. As desculpas apresentadas por Martins da Cruz não convencem ninguém.
Após esta breve incursão pela política nacional, regresso aos agradecimentos, desta vez dirigidos aos blogs Replicar , Artista Anónimo e Campo de Afectos, os quais incluiram O Carimbo nas respectivas listas de blogs recomendados. Só gostaria de saber porque razão Carlos Alberto Machado incluiu O Carimbo no grupo dos blogs que fornecem "serviços"? Sei que a minha lista de blogs recomendados é muito longa, mas não creio que possa funcionar como um apontador de blogs. Um blog que pode ter essa função é o Blogo Esfera, o qual incluiu O Carimbo no grupo dos blogs in da blogosfera. Agradeço a colocação do Carimbo entre tão ilustre companhia, mas espero que "ser in" não signifique "estar na moda".
O Amostra de Arquitectura e o Causidicus agradecem ao Carimbo. Não quero criar aqui um ciclo infinito de agradecimentos e, por isso, respondo com um simples "de nada".
ANS
78 - CANÇÕES DE 1973 (II)
Depois de Al Green, só mesmo um pouco mais de soul. Que tal Aretha Franklin com Until You Come Back To Me (That’s What I’m Gonna Do)?
UNTIL YOU COME BACK TO ME
Though you don´t call anymore
I sit and wait in vain
I guess I´ll rap on your door
Tap on your window pane
I want to tell you Baby
The changes I´ve been going through
Missing you.
Listen you
´till you come back to me
That´s what I´m gonna do
Why did you have to decide
You had to set me free
I´m gonna swallow my pride
I´m gonna beg you to (please baby please) see me
I´m gonna walk by myself
Just to prove that my love is true
Oh, for you baby
´till you come back to me
That´s what I´m gonna do
Living for you my dear
Is like living in a world of constant fear
In my plea, I´ve got to make you see
That our love is dying
Although your phone you ignore
Somehow I must explain
I´m gonna rap on your door
Tap on your window pane
I´m gonna camp on your step
Until I get through to you
I´ve got to change your view baby
´till you come back to me
That´s what I´m gonna do
By Stevie Wonder, Clarence Paul and Morris Broadnax
Para amanhã está reservado um pouco de rock'n'roll californiano concebido na Europa.
ANS
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