02 outubro 2003

102 - LIGA DOS CAMPEÕES


De acordo com o Público de hoje, "Romano Prodi quer acabar com os fundos estruturais de apoio às regiões mais desfavorecidas da União Europeia (UE) nos seus moldes actuais: em sua substituição, o presidente da Comissão Europeia defende que os recursos financeiros comunitários deverão passar a centrar-se no apoio à competitividade das regiões mais ricas, garantindo às mais pobres pouco mais do que uma espécie de segurança social.
Esta é, em suma, a filosofia que Prodi pretende imprimir à política de coesão entre regiões ricas e pobres da UE durante o próximo quadro orçamental plurianual comunitário, que deverá vigorar entre 2007 e 2013. A sua tese é largamente inspirada de um relatório elaborado por um dos seus conselheiros, André Sapir, que pretende quebrar a construção orçamental imaginada nos anos 80 pelo ex-presidente da Comissão, Jacques Delors, que incluia uma verdadeira política de solidariedade entre as regiões ricas e pobres.
Sem ousar abrir o debate sobre a revisão em alta do exíguo orçamento comunitário - um por cento do Produto Interno Bruto dos Quinze - de modo a prever recursos adicionais para financiar as novas prioridades, o relatório preconizava, em alternativa, o fim das duas grandes políticas - Política Agrícola Comum (PAC) e fundos estruturais, que absorvem 80 por cento dos montantes - em nome da investigação científica, redes transeuropeias de infraestruturas e outros sectores de ponta e de futuro, onde as regiões mais pobres não têm grandes hipóteses.
Apesar de este relatório ter sido recusado por uma boa parte dos 20 comissários europeus em Julho, Prodi recuperou o essencial das suas ideias no documento que submeteu ontem à reflexão da sua equipa no quadro da preparação das propostas relativas ao próximo quadro orçamental. A ideia do presidente é consagrar uma parte dos fundos nas regiões mais pobres, «sobretudo nos novos estados membros» do Leste - seria a vertente da «convergência» - ficando o resto - a vertente da «competitividade» - destinada aos «outros estados membrose regiões» da UE.
Isto significa que as actuais regiões pobres de Portugal, Espanha, Grécia, Itália ou França seriam catapultadas sem cerimónia para o grupo das regiões ricas. Como refere um perito comunitário, a UE passaria a ter regiões ricas e pobres, ignorando as situações intermédias, como a portuguesa.
Outra das ideias consiste na atribuição a estas regiões de uma parte dos fundos da vertente da «competitividade» num contexto de concorrência entre os projectos candidatos a apresentados a Bruxelas, em que os financiamentos seriam atribuidos consoante o mérito de cada um. Ou seja, acabariam os actuais envelopes financeiros atribuidos a cada país, que permitem um minimo de previsibilidade na elaboração dos projectos de desenvolvimento regional.
"

Penso que o acesso a estes fundos de "competitividade", atribuídos em função do mérito dos candidatos, só seria justo se todos os candidatos se encontrassem em igualdade de circunstâncias em termos do seu desenvolvimento económico e social. Como isso não acontece, será natural que as regiões mais desenvolvidas sejam também as que podem apresentar as tais provas de mérito (capacidade de execução, garantias de qualidade, etc..) requeridas para a atribuição desses fundos. Isto é, esta proposta constitui um primeiro sinal da tentativa de criação de uma Liga dos Campeões na União Europeia. Os que não tiverem lugar nessa Liga, só poderá afastar-se ainda mais de um eventual acesso a esse clube restrito.
Para quem já encara com sérias dúvidas a proposta da Convenção Europeia para o Tratado para uma Constituição Europeia, esta proposta de Romano Prodi só vem agravar a situação.

ANS

29 setembro 2003

101 - CANÇÕES DE 1973 (IX)


Tal como prometido, aqui está um pouco do espírito Cherokee personalizado por Cher. Na sua canção Half Breed, lançada no álbum Half Breed/Dark Lady em 1973, Cher lamenta o racismo existente entre a população de ascendência europeia e o povo Cherokee. É curioso que, no mesmo ano, foi criada uma marca de vestuário com esse nome, a qual tem, hoje, bastante sucesso. Um ano depois o nome Cherokee entraria também no mundo automóvel com o aparecimento do primeiro Jeep Cherokee. Terá sido por influência desta canção?


HALF BREED

My father married a pure Cherokee
My mother's people were ashamed of me
The Indians said that I was white by law
The white man always called me "Indian Squaw"

Half-breed, that's all I ever heard
Half-breed, how I learned to hate the word
Half-breed, she's no good they warned
Both sides were against me since the day I was born

We never settled, went from town to town
When you're not welcome you don't hang around
The other children always laughed at me
"Give her a feather, she's a Cherokee"

Half-breed, that's all I ever heard
Half-breed, how I learned to hate the word
Half-breed, she's no good they warned
Both sides were against me since the day I was born

We weren't accepted and I felt ashamed
Nineteen I left them, tell me who's to blame
My life since then has been from man to man
But I can't run away from what I am

Half-breed, that's all I ever heard
Half-breed, how I learned to hate the word
Half-breed, she's no good they warned
Both sides were against me since the day I was born

Half-breed, that's all I ever heard
Half-breed, how I learned to hate the word
Half-breed, she's no good they warned
Both sides were against me since the day I was born

By Cher



ANS

100 – CARIMBÓ


Para celebrar o centésimo post do Carimbo, parece-me adequado revelar que alguns leitores têm chegado a este blog através de uma pesquisa, no Google, por “Carimbó".
O Carimbó é o nome de uma dança brasileira (do Estado do Pará). A música associada a esta dança também é designada pelo mesmo nome, o qual se deve a um instrumento de percussão (o carimbó).
Pois é, parece que alguns leitores chegam ao Carimbo à procura de um primo afastado do Adufe.



ANS

99 – NOTÍCIA FICTÍCIA III


Hoje em dia, não é fácil ser político. De facto, não é qualquer um que aceita ter as suas conversas telefónicas escutadas e transcritas (casos de Ferro Rodrigues e António Costa, por exemplo). Da mesma forma, não é qualquer um que aceita ver o seu diário (que não é um blog) exposto publicamente (caso de Alastair Campbell, por exemplo).
Perante esta constatação evidente, um grupo de especialistas, liderado pelo Prof. Idzikowski (aquele que relacionou a personalidade das pessoas com a posição em que dormem), tentou identificar as características necessárias para se ser político.
As conclusões são interessantes. Assim, caro leitor, se ambiciona encetar uma carreira política, deve começar, desde já, a tratar todos os seus conhecidos e colegas por “pá”. Isto não só revela uma atitude descontraída e facilidade no relacionamento humano, como também revela uma vontade de expressar preocupações sociais. Os resultados até agora obtidos pela equipa do Prof. Idzikowski permitem ainda constatar que a relação entre esta forma de tratamento informal (“ó pá”) e a demonstração de serenidade em tempo de crise é muito rara e, por isso, identifica os verdadeiros políticos. Outra obrigação do político actual é fornecer o seu número de telemóvel à Polícia Judiciária (comprometendo-se a nunca, mas nunca, mudar de número). Isto revelará um político corajoso e transparente. Ao mesmo tempo, o político deve pedir à Polícia Judiciária que se comprometa a revelar todas as transcrições das suas conversas telefónicas. Só assim a população (ávida de informação) poderá saber qual é a actividade diária do político, o que é fundamental para o seu julgamento em futuros actos eleitorais. Claro que, no caso de a Polícia Judiciária faltar às suas obrigações, o político terá sempre o seu diário (em papel), no qual terá registado pelo menos uma vez por dia o desejo de “tramar” alguém. Isto revela ambição e dedicação ao Estado, que são sempre qualidades apreciadas nos políticos. Finalmente, um político que se preze deve optar, sempre que possível, pela utilização de palavras estrangeiras (de preferência, palavras inglesas). Isto revela uma educação de nível superior. Assim, a palavra “tramar” deverá sempre ser substituída por “fuck”.

ANS

98 - IRÃO?


De acordo com o Público, na passada quarta-feira, o Presidente norte-americano, George W. Bush, e o Chanceler alemão, Gerhard Schroeder, afirmaram ter ultrapassado as divergências sobre o Iraque, tendo acordado trabalhar em conjunto para restaurar a estabilidade no país. George Bush aproveitou a ocasião para agradecer a cooperação alemã no Afeganistão e Gerhard Schroeder afirmou que "a Alemanha está igualmente interessada em conseguir um Iraque estável e democrático, já que isso é, não só importante para o Iraque, como para toda a região, para a Alemanha e para a Europa".
No sábado, o Público noticiou que a administração norte-americana se prepara para dar ao Conselho de Governo iraquiano um prazo de seis meses para elaborar uma nova constituição, o que deverá permitir a realização de eleições antes do fim do próximo ano. Desta forma, os EUA tentam também promover a "reconciliação" com a França.
Ontem, domingo, o Público noticiou que, após um encontro com Vladimir Putin, George Bush garantiu que as divergências com a Rússia sobre a guerra no Iraque estão a ser ultrapassadas. George Bush e Vladimir Putin consideram-se "aliados da guerra ao terror".
Na mesma edição do Público foi também noticiado que, de acordo com a revista "Time", o Pentágono quer aliviar o fardo dos seus 140 mil soldados no Iraque, os quais têm sido alvo de ataques diários e intensos por parte de bolsas de resistência iraquiana (a uma média de uma dúzia por dia). A aposta está a ser feita nos países muçulmanos, cuja presença será mais facilmente tolerada pelos iraquianos. Para além do Paquistão, o Bangladesh e a Turquia (assim como a Índia) foram também chamados a intervir. No que se refere ao Paquistão há uma tentativa evidente de obrigar o General Musharraf a assumir, dessa forma, um maior envolvimento na guerra ao terrorismo.
O Público revelou ainda, no domingo, que, de acordo com o secretário-geral da NATO, George Robertson, o alargamento da Força Internacional de Segurança e Assistência no Afeganistão poderá ser decidido nas próximas semanas de modo a garantir a estabilização do país.
Entretanto, no sábado, o Público tinha noticiado que uma equipa de peritos da Agência Internacional de Energia Atómica da ONU (AIEA) terá detectado, na quinta-feira, vestígios de urânio enriquecido, o que, a ser verdade, acontece pela segunda vez em poucos meses. Na sequência desta notícia, o Público revelou, ontem (domingo), que os EUA e a Rússia concordaram em enviar "ao Irão um sinal claro, mas respeitoso," sobre a necessidade de aumentar a sua cooperação com a AIEA. Convém recordar que, sob pressão dos EUA (que acusam Teerão de estar a tentar construir uma arma nuclear), a AIEA tinha já imposto um ultimato ao Irão (que termina no fim de Outubro) para esclarecer todas as suspeitas em relação ao seu eventual programa nuclear.
Esta sequência de notícias parece revelar que os EUA estão a tentar um reagrupamento de forças e alianças no sentido de estabilizar definitivamente o Iraque. Mas será só isso? Será que a estabilização do Iraque significará o fim da guerra contra o terrorismo? Obviamente que não. Ainda restam membros da Al-Qaeda no Paquistão e núcleos do antigo regime taliban no Afeganistão, para não mencionar os grupos terroristas que actuam em Israel com o apoio de países vizinhos (nomeadamente a Síria e o Líbano). Mas será que são esses focos de terrorismo, dispersos pelo Médio Oriente, que efectivamente controlam as actividades terroristas na região? Será que o Irão, um país onde o fundamentalismo islâmico (com as suas inevitáveis consequências que, estranhamente, apelam a mais fundamentalismo) se instalou há tantos anos, não tem qualquer influência no controlo do terrorismo? Não acredito e também não me parece que os EUA acreditem nisso. Será que os EUA sempre defenderam a justificação da intervenção militar no Iraque com a existência de armas de destruição em massa por acreditarem estar a criar, dessa forma, um precedente que poderia ser útil numa posterior justificação da intervenção militar no Irão? Já aqui escrevi que nunca percebi porque razão os EUA (e o Reino Unido) insistiram tanto na questão das armas de destruição maciça no Iraque quando poderiam ter adoptado outras estratégias (mais consensuais) para justificar a intervenção militar. Penso que a razão para tal foi, essencialmente, a necessidade de acelerar a intervenção militar no Iraque para, dessa forma, isolar militarmente, o Irão. Parece-me que é neste país que os EUA querem intervir para combater o terrorismo nas suas origens. Parece-me que os EUA acreditam que a vitória na guerra contra o terrorismo depende da eliminação do regime fundamentalista religioso que subsiste no Irão. Por outro lado, é no Irão que as suspeitas sobre a existência de um programa nuclear são mais fortes (as últimas notícias parecem confirmar esta situação). Será que, daqui a cerca de um ano, assistiremos à tentativa de aprovar uma resolução da ONU para uma intervenção militar no Irão?
Não sei. Parece-me que, para que uma resolução desse tipo pudesse ser considerada, os americanos teriam de ser mais empenhados na resolução da questão palestiniana. Teriam de convencer os israelitas à retirada dos territórios ocupados. Isso teria de ser feito com base em garantias de segurança que assentam na instauração de regimes democráticos no Iraque, no Afeganistão e, principalmente, no Irão. Se isso fosse conseguido, a Síria e o Líbano seriam problemas mais fáceis de resolver. Enquanto que a generalidade dos países europeus ficaria satisfeita com o recuo israelita, já a Rússia exigiria algo mais para compensar a perda dos seus investimentos (nucleares) no Irão. No entanto, parece-me que esse "algo mais" poderia ser negociado.
Ao contrário do que acontecia relativamente ao Iraque, existe uma grande comunidade iraniana, a viver actualmente no exílio, que anseia pela instauração de um regime democrático no país. Essa comunidade pode influenciar positivamente a aprovação de uma resolução da ONU para uma intervenção militar no Irão.
Será esta a estratégia adoptada pelos EUA? Ou será que os EUA acreditam que os regimes democráticos que agora tentam implementar no Afeganistão e no Iraque terão capacidade de sobrevivência e de expansão aos restantes países do Médio Oriente? Ou será que o fundamentalismo religioso voltará a vencer, como já antes venceu?
Não consigo responder a nenhuma destas perguntas. Consigo apenas reforçar o que escrevi com uma outra pergunta (muito directa). Irão os EUA intervir militarmente no Irão?
Irão?

ANS

97 - QUOTA DE "MUITO BONS"


Na passada terça-feira (dia 23 de Setembro), o Público noticiou que, para evitar a antecipação do prazo de promoção automática, o projecto do Governo de avaliação do desempenho dos funcionários públicos fixou que apenas 25 % deles podem receber a nota de "Muito Bom" (20 %) ou "Excelente" (25 %), mesmo que o número de funcionários que realmente mereça a nota seja maior. Na mesma notícia pode ler-se que a avaliação "subjectiva" do "chefe" tem um peso de 40 % na avaliação final do funcionário. Os restantes 60 % incidem sobre parâmetros de avaliação que têm sido os utilizados desde há vários anos. No Diário de Notícias pode ainda ler-se que esta é uma medida temporária, cujo único objectivo é disciplinar as avaliações do desempenho dos funcionários públicos.
Não me parece que este sistema de avaliação estimule a produtividade. Também não consigo descortinar quais são as alterações introduzidas pelo projecto do Governo que vêm estimular a progressão nas carreiras com base no mérito. Esta medida parece-me inócua (para não utilizar outras palavra mais forte) pois não traz benefícios para o Estado (empregador) nem para o funcionário público.
Para começar, a introdução de quotas parece-me injusta. É uma situação semelhante à daqueles professores que, devendo avaliar os seus alunos numa escala de 0 a 20, decidem fazê-lo numa escala de 7 a 13, por exemplo.
Em segundo lugar, o peso da avaliação do "chefe" é nitidamente excessivo, principalmente quando, no actual sistema de escolha de chefias, nada garante que o referido "chefe" entende completamente o significado de produtividade aliado aos conceitos de qualidade do serviço e das relações humanas.
Em terceiro lugar, não se percebe se a quota de 25 % de classificações muito boas se aplica à globalidade da administração pública ou se deve ser aplicada também a uma Direcção Geral, por exemplo, ou ainda a uma Divisão de uma Direcção Geral. Se assim for, cai-se no ridículo de, por exemplo, num serviço com apenas três funcionários em que um deles se destaque nitidamente dos outros, justificando uma classificação muito boa, esta não lhe possa ser atribuída.
Em quarto lugar, como nada foi feito para instituir critérios rigorosos de avaliação capazes de premiar o mérito dos funcionários, todos continuarão a merecer a tal classificação de "Muito Bom". A diferenciação será difícil e assentará na subjectividade da avaliação das chefias. Assim, as hipóteses de, no final, termos mesmo 25 % dos funcionários públicos avaliados com "Muito Bom" ou "Excelente" são elevadas, o que continua a corresponder a uma distribuição estatística de classificações que não corresponde minimamente à realidade.
Em quinto lugar, se 25 % dos funcionários públicos continuarem a ser classificados com "Muito Bom", então teremos 25 % dos funcionários públicos em condições de progredir na carreira. Como a abertura de concursos para esse efeito é, com certeza, inferior a 175.000, continuarão a existir excelentes funcionários cujo mérito não foi valorizado. Por outro lado, o Estado (empregador) não poupa um tostão que seja, sendo obrigado a abrir o máximo número possível de concursos.
Em sexto lugar, se o objectivo principal desta reforma é aumentar os índices de produtividade da administração pública e se é aceite por todos que a educação é o principal motor do aumento de produtividade, porque razão não são os cursos de reciclagem e actualização profissional promovidos de uma forma mais eficaz? Não estou a sugerir que os funcionários públicos devem fazer um determinado número de cursos de formação ou assistir a um determinado número de congressos, conferências ou seminários por ano. Isso é o que actualmente acontece e não serve para nada. Não serve para nada porque a maioria desses cursos não é dirigida para as necessidades sentidas pelos funcionários públicos na execução do seu trabalho. Não serve para nada porque esses cursos (pagos por todos os contribuintes) não trazem qualquer mais valia aos serviços. Não servem para nada porque esses cursos constituem, muitas vezes, apenas uma forma de os funcionários gozarem uns dias de férias dos seus serviços (com almoço gratuito), ao fim dos quais retornam ao trabalho sem que a aquisição de conhecimentos seja avaliada. Será que isto acontece porque as chefias também não têm capacidade de fazer essa avaliação de conhecimentos? Não seria muito mais eficiente promover, com as instituições de ensino ou mesmo com empresas ou departamentos públicos similares, cursos de formação e reciclagem especificamente dirigidos às necessidades de cada serviço? E que tal se estes cursos fossem avaliados? E que tal se os primeiros frequentadores desses cursos fossem os titulares das chefias, de modo a poderem, mais tarde, avaliar com rigor a aplicação dos conhecimentos dos seus funcionários?
Será que estas ideias são utópicas? Não me parece. A não ser que não exista vontade política. Ou será que deveria escrever interesse político em vez de vontade política?

ANS

28 setembro 2003

96 - CANÇÕES DE 1973 (VIII)


O ano de 1973 foi de ouro (e platina) para os irmãos Richard e Karen Carpenter. De facto, nesse ano os Carpenters lançaram as canções Sing e Yesterday Once More (cuja letra aqui reproduzo), as quais constituiram verdadeiros sucessos.


YESTERDAY ONCE MORE

When I was young I'd listen to the radio
Waitin' for my fav'rite songs
When they played I'd sing along
It made me smile
Those were such happy times and not so long ago
How I wondered where they'd gone
But they're back again
Just like a long lost friend
All the songs I love so well
Ev'ry sha-la-la-la ev'ry wo-ho-wo-ho still shines
Ev'ry shing-a-ling-a-ling
That they're startin' to sing so fine
When they get to the part
Where he's breaking her heart
It can really make me cry just like before
It's yesterday once more

Lookin' back on how it was in years gone by
And the good times that I had
Makes today seem rather sad so much has changed
It was songs of love that I would sing to them
And I'd memorize each word
Those old melodies
Still sound so good to me
As they melt the years away

Ev'ry sha-la-la-la ev'ry wo-ho-wo-ho still shines
Ev'ry shing-a-ling-a-ling
That they're startin' to sing so fine
All my best memories
Come back clearly to me
Some can even make me cry just like before
It's yesterday once more

Ev'ry sha-la-la-la ev'ry wo-ho-wo-ho still shines
Ev'ry shing-a-ling-a-ling
That they're startin' to sing so fine

Ev'ry sha-la-la-la ev'ry wo-ho-wo-ho still shines
Ev'ry shing-a-ling-a-ling
That they're startin' to sing so fine

By The Carpenters



Para amanhã fica reservado um pouco do espírito Cherokee.

ANS

95 – EXISTE UM PROJECTO POLÍTICO PARA LISBOA?


Paulo Gorjão, referindo-se ao post 91 do Carimbo, afirma, no post 343 do Bloguítica Nacional, que não vislumbra “o mais pequeno indício do que possa ser semelhante a um projecto para Lisboa’”. Paulo Gorjão pergunta se esse hipotético projecto se refere ao “túnel das Amoreiras”, ao “polémico Casino” ou a algo mais? Paulo Gorjão pergunta ainda “quais são as propostas que estão em cima da mesa e qual a sua utilidade”?
Não me apetece nada estar aqui a fazer campanha por Pedro Santana Lopes (PSL), o qual julgo ter cometido alguns erros durante a sua presidência da Câmara Municipal de Lisboa (CML), aos quais me referirei neste post. No entanto, penso que existe realmente um programa de administração da CML e de Lisboa. Esse programa não assenta apenas no cumprimento das promessas eleitorais mais polémicas, nomeadamente: a recuperação do Parque Mayer (que já só terá três teatros, tendo a escola de artes performativas sido adiada para uma segunda fase, e não albergará o futuro Casino de Lisboa, o qual será construído no Cais do Sodré); a construção do túnel das Amoreiras (iniciada em 18 de Agosto deste ano); e a transferência do actual terminal rodoviário do Arco do Cego para uma estação intermodal em Sete Rios (a qual deverá estar concluída no final do próximo ano). Estas três promessas são, para mim, a face visível do um projecto mais vasto que pretende:

1) Promover o regresso dos cerca de 250 mil moradores que, nas últimas duas décadas, saíram da cidade. É com esse objectivo que existe a intenção de criar programas de incentivo para habitação jovem no centro da cidade.

2) Efectuar o combate ao abandono e à degradação dos mais de 70 mil imóveis devolutos que existem em Lisboa. Foi com esse objectivo que, em Janeiro de 2002, se optou pelo emparedamento, demolição ou recuperação de cerca de 1.400 imóveis que foram identificados pelos serviços municipais como estando degradados, devolutos ou até em ruína. Os proprietários foram notificados para realizarem as obras necessárias, prevendo-se, se necessário, o recurso à expropriação dos andares devolutos de modo a permitir a sua colocação no mercado. Existem ainda cerca de 3.000 edifícios nos quais será também necessário intervir por apresentarem também sinais de degradação. No entanto, como esses edifícios ainda estão total ou parcialmente habitados, encontrando-se, nalguns casos, ocupados por comércio ao nível do rés-do-chão, só poderão ser sujeitos a obras quando forem dados como devolutos. As zonas históricas da cidade beneficiarão muito (e o turismo também, embora, de acordo com o Expresso, os turistas já atribuam a Lisboa uma classificação de 9 valores num máximo de 10) com as intervenções de recuperação que têm sido feitas no Bairro Alto (recuperação do Palácio de Pombal), no Intendente, no Chiado, na Avenida 24 de Julho, no Terreiro do Paço e na Avenida da Liberdade (onde se inclui a recuperação do Parque Mayer). Já agora, aproveito para lembrar a recuperação que tem acontecido em Alcântara com o avanço de inúmeros empreendimentos privados. Também não deve ser esquecido o combate à imagem de degradação associada aos graffitis.

3) Promover a recuperação de espaços verdes e de zonas de lazer, como já aconteceu em Monsanto e em Benfica, por exemplo.

4) Melhorar a administração da CML através da auditoria às suas contas relativas ao anterior mandato, através da criação de um centro de atendimento permanente ao munícipe, através da regularização e informatização dos processos de licenciamento (com a promessa de recurso ao deferimento tácito para cumprimento dos prazos legais de licenciamento de projectos), através da inventariação e informatização de todo o património municipal (cujos processos estavam distribuídos por 50 mil tomos, dos quais apenas mil estavam informatizados), através da revisão do Plano Director Municipal, através da regulação das empresas concessionárias do subsolo e através da monitorização do solo e subsolo da Baixa de Lisboa (para evitar mais acidentes provocados por deficiente avaliação dos níveis freáticos).

5) Regularizar o trânsito e o estacionamento no centro da cidade através da criação de um Plano de Mobilidade de Lisboa (a 15 anos) e da aplicação do novo Regulamento de Cargas e Descargas, através da construção do túnel das Amoreiras, através do atravessamento em túnel do Bairro de Santa Cruz (em Benfica) pela CRIL, através da substituição (planeada) do viaduto de Alcântara por uma rotunda, através do corte do acesso automóvel já verificados no Bairro Alto e na Alfama (o que constitui uma medida muito mais eficaz do que o inútil “dia sem carros”), através da construção de silos para parqueamento automóvel, através da melhoria da segurança dos taxistas de Lisboa, através da construção de uma estação intermodal em Sete Rios e através do arranque dos estudo para o metro ligeiro de superfície.

Penso que estes cinco pontos fornecem uma ideia global do que é o projecto de PSL para Lisboa. No entanto, a existência de um projecto não significa que tudo está bem em Lisboa e que não têm sido cometidos erros.
Por exemplo, eu não percebo (e a generalidade dos munícipes também não) porque têm sido gastos 1,5 % do valor das obras da CML (não é pouco) em cartazes de publicidade perfeitamente dispensáveis. Também não percebo porque tem a EPUL de pagar milhares de contos por viagens em aviões particulares (Falcon) realizadas por Frank O. Ghery (notícia do Expresso de 15 de Agosto deste ano). A gastar dessa forma, não admira que o alcance do projecto do Parque Mayer vá sendo reduzido. Por outro lado, não me parece que intervir em Lisboa seja apenas intervir no centro da cidade. O que foi feito na cintura envolvente?
Outro problema que me incomoda são os “arrumadores”. Continuo a vê-los por todo o lado. Também não me parece que a polícia esteja mais atenta ao estacionamento em zonas proibidas (em cima dos passeios ou em segunda fila). Por outro lado, ai daqueles que se atrasarem nos pagamentos nos parquímetros da EMEL.
Finalmente, não percebo qual é a vantagem de ter um centro de atendimento permanente ao munícipe que, muitas vezes, é mudo ou não sabe responder às perguntas dos munícipes. Eu, por exemplo, estou há mais de um ano à espera de duas informações (aparentemente simples) sobre uma determinada zona de Lisboa e, até agora, ainda não recebi nada. Ou melhor, recebi uma notificação para me dirigir ao edifício da CML, no Campo Grande, para andar de piso em piso ao sabor da burocracia com que a CML parece continuar a presentear os seus munícipes.
Enfim, poderia continuar a citar problemas mas prefiro terminar aqui, mantendo a esperança de que, pelo menos, a tal promessa de recurso ao deferimento tácito do licenciamento de projectos seja para cumprir. Seria bom que a CML desse o exemplo com esta medida tão importante para acabar com a pequena corrupção que existe nos processos de licenciamento de tantas câmaras municipais do país. Se isso acontecer, o mandato de PSL já terá sido útil.

ANS

27 setembro 2003

94 – EXISTE OPOSIÇÃO? (II)


O post 91 do Carimbo foi alvo de uma série de comentários (via e-mail) e mereceu também a colocação de diversos posts (série “Carimbadelas de Liverpool”) no Ter Voz. Uma vez que os comentários efectuados por e-mail receberam já a sua resposta (também por e-mail), o presente post responde apenas aos posts do Ter Voz. Num desses posts pode ler-se que “um blog sem [um sistema de] comentários (prática comum nos blogs de direita) é tão interactivo como um jornal em papel”. Não concordo. Quem quiser comentar os posts do Carimbo pode sempre fazê-lo no seu próprio blog ou através de e-mail. Estes canais de comunicação são suficientes e evitam a eventual a publicação de textos despropositados e irreflectidos, os quais são muitas vezes estimulados pela existência de um sistema de comentários.
O Ter Voz afirma ainda que se o tal sistema de comentários existisse no Carimbo, seria possível, “com meia dúzia de palavras”, provar que o post 91 do Carimbo mostra que afinal existe oposição. Era este o tipo de resposta que eu esperava por parte do Ter Voz. De facto, esperava que o Ter Voz optasse por aproveitar as pistas deixadas no post 91 sobre as divergências existentes entre o programa do Governo e o programa do Partido Socialista (PS) relativamente às políticas económicas e sociais. Esperava que o Ter Voz optasse por explicar a viabilidade das soluções apresentadas pelo PS e também esperava que o fizesse de uma forma mais objectiva do que aquela que é adoptada no programa do PS (insisto que este programa me parece demasiado geral e superficial). Se quase meia dúzia de posts, publicados pelo Ter Voz para responder ao post 91 do Carimbo, não foram suficientes para estruturar uma resposta deste tipo, duvido que tal fosse possível com apenas meia dúzia de palavras.
De facto, o Ter Voz preferiu estruturar a sua resposta em acusações e referências à irresponsabilidade (a qual “não é digna de um cidadão que se preze”) dos que “zurzem [o que é sinónimo de admoestar asperamente, criticar acerbamente, castigar severamente, açoitar, fustigar, azorragar, vergastar, flagelar, espancar, maltratar, molestar ou ainda, simplesmente, bater] no PS com tanta dedicação”. O Ter Voz mostra-se, outra vez, surpreendido e afirma que “seria de esperar, pelo menos a história assim o parecia determinar, que os cidadãos criticassem o Governo na sua actuação”. Devo esclarecer que o Governo foi, é e será, por mim, criticado sempre que o merecer. A questão não é essa. O que deve ser aqui discutido é a forma actual de confrontação política. Já antes, no Carimbo e noutros blogs, se discutiu a demagogia e a superficialidade do debate político, as quais são aproveitadas pelos meios de comunicação social e, através destes, pelos partidos políticos (na sua generalidade). Posso estar enganado, mas parece-me que, cada vez mais, o eleitor deverá conhecer, em detalhe, as opções políticas dos diversos partidos. Isto significa que o eleitor deverá conhecer os custos económicos e sociais, as vantagens e as hipóteses de implementação das políticas propostas pelos diversos partidos. Por isso é que as responsabilidades de quem faz oposição são, para o cidadão, tão importantes como as do Governo em exercício. Por isso é que a questão da liderança do PS é tão importante. Por isso é que as respostas vagas do Ter Voz, como as que a seguir se transcrevem, são de evitar:

O PS com Ferro Rodrigues é perigoso para o PSD. É fácil perceber porquê:

É o PS que cumpre a solidariedade.
É o PS que combate a fuga aos impostos.
É o PS que combate a irresponsabilidade (já sabemos que a política actual é deixar arder até que nada mais exista para arder, atingindo assim o objectivo de que o problema se resolva por si).
É o PS que quer que se cumpram os preceitos constitucionais em matéria de relações internacionais.
É o PS que homenageia com a ONU a memória de Sérgio Vieira de Mello que morreu ao serviço dos direitos humanos na sequência de actos de mentecaptos que nos Açores decidiram dar caça a um mentecapto que reinava na Mesopotâmia.
É o PS que tantas e tantas vezes tem apresentado na Assembleia da República alternativas às políticas de terra queimada do actual governo, onde a direita radical ... marca terreno e submete a vontade de um líder fraco, à sua estratégia.
É o PS que defende a ciência e a formação e que quer os seus cientistas e técnicos em Portugal e ao serviço dos portugueses em vez de os mandar para o exterior em busca de trabalho.


Por isso é que artigos como o que Augusto Santos Silva publicou hoje no Público não trazem nada de construtivo.

Por isso é que devem ser evitadas referências demagógicas como a que é feita no Ter Voz aos submarinos que, supostamente, “Paulo Portas teve a ideia de comprar”. Aliás, tal como já escrevi no post 48 do Carimbo, não deve ser esquecido que a nova Lei de Programação Militar (que contempla um plano de reequipamento ajustado ao controle do défice orçamental) foi aplaudida e apoiada pelo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e pelos Chefes de Estado-Maior dos ramos. Também não deve ser esquecido que, na proposta de Lei de Programação Militar apresentada pelo Governo socialista, se destacavam, pelos seus custos, os programas de aquisição de submarinos para a Marinha, de helicópteros para o Exército e de aviões F16 para a Força Aérea. Em 1998, a aquisição de três submarinos era justificada pelo Governo socialista com a necessidade de substituição de três submarinos que, em 1999, completaram trinta anos de vida útil. Em 1998, o PS afirmava que os submarinos, “vulgarmente apelidados de a arma dos pobres, são, apesar de tudo, armas caras” que não podem ser dispensadas por duas razões principais:

1ª) “Se por uma má avaliação das nossas necessidades eventualmente influenciada por não termos de momento ameaças à vista desistíssemos deste sistema de armas, mais tarde para as readquirirmos teríamos de recomeçar do zero, com dificuldades acrescidas na preparação de recursos humanos”;
2ª) O que desaconselha “a perda deste sistema de armas, de importante poder dissuasor, é a grande extensão marítima que temos necessidade de defender quer numa perspectiva de defesa autónoma quer para atendermos às responsabilidades de defesa que assumimos no âmbito das alianças e acordos internacionais”.


O actual Ministro da Defesa reduziu o número de submarinos a adquirir e, aparentemente, conseguiu um contrato vantajoso. No entanto, é acusado de ter tido a infeliz “ideia de comprar os submarinos”. É contra esta forma de discussão política, em que o que serve hoje para um partido no governo já não serve amanhã para o mesmo partido na oposição, que eu me insurjo. O Ter Voz preferiria que eu me limitasse a escrever sobre engenharia porque quando abordo temas políticos, “é o que se vê”. Agradeço o elogio e aproveito para citar Aristóteles: "o homem é, por natureza, um animal político". Por isso pergunto o que é que se vê quando eu abordo temas de carácter político? A única coisa que eu vejo é alguém que escreve abertamente sobre assuntos que incomodam o PS e, em particular, alguns "soaristas" e os militantes da secção de Benfica, os quais, desde já, saúdo e cumprimento pelo esforço que têm feito, internamente, no sentido de estimular uma oposição mais efectiva. Espero, sinceramente, que sejam bem sucedidos. Entretanto, a julgar pelos jornais de hoje, parece que a questão da liderança do PS e da estratégia do partido continua viva e veio para ficar. Será que a estratégia adoptada por Ferro Rodrigues na rentrée do PS se virou contra ele?

Finalmente, agradeço as canções de John Lennon e dos The Beatles que o Ter Voz, de uma forma simpática, me dedica. No entanto, tenho a obrigação de lembrar que a ambição por um mundo perfeito e socialmente justo não é uma característica exclusiva da esquerda.

ANS

93 – CANÇÕES DE 1973 (VII)


Prometi, na passada sexta-feira (19 de Setembro), lembrar uma canção lançada no ano de 1973 por um autor cujo nome começasse pela terceira letra do alfabeto. Hoje, com uma semana de atraso, cumpro finalmente essa promessa. No entanto, não o farei sem, primeiro, lembrar Billy Paul e Bette Midler, cujas canções Me And Mrs Jones e Boogie Woogie Bugle Boy (ou ainda Do You Want To Dance) constituíram verdadeiros sucessos em 1973. Uma vez cumprido este dever, passo então à tal promessa e recordo Carly Simon e a sua canção You’re So Vain, a qual já foi objecto de muita especulação em torno da pessoa a quem é dedicada. Enquanto uns afirmam tratar-se de Mick Jagger, outros garantem que a canção é dedicada a Cat Stevens e outros ainda acreditam tratar-se de Warren Beatty. A cantora nunca revelou a verdadeira identidade dessa pessoa, se é que ela existe.


YOU’RE SO VAIN

You walked into the party
Like you were walking onto a yacht
Your hat strategically dipped below one eye
Your scarf it was apricot
You had one eye in the mirror
As you watched yourself gavotte
And all the girls dreamed that they'd be your partner
They'd be your partner, and

You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you?

You had me several years ago
When I was still quite naive
Well, you said that we made such a pretty pair
And that you would never leave
But you gave away the things you loved
And one of them was me
I had some dreams they were clouds in my coffee
Clouds in my coffee, and

You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you?

[instrumental interlude]

I had some dreams they were clouds in my coffee
Clouds in my coffee, and

You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you?

Well, I hear you went up to Saratoga
And your horse naturally won
Then you flew your Lear jet up to Nova Scotia
To see the total eclipse of the sun
Well, you're where you should be all the time
And when you're not, you're with
Some underworld spy or the wife of a close friend
Wife of a close friend, and

You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you? Don't you?

[instrumental interlude]

You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain
You probably think this song is about you

You're so vain (so vain)
I'll bet you think this song is about you
Don't you? Don't you? Don't you?

By Carly Simon



Desta vez, apenas prometo que a série “Canções de 1973” irá continuar e que, sempre que tiver a possibilidade de escrever no Carimbo, aproveitarei para recordar mais uma canção.

ANS

92 – SOU BLOGO-CALMO


Já aqui referi as características extremamente viciantes dos blogs. São características que eu sinto fortemente e, por esse motivo, foi muito difícil não poder escrever durante toda a semana. Pois é, fui obrigado a trabalhar todos os dias até tarde e, por isso, não sobrou muito tempo para blogar. Ainda consegui ir acompanhando o que foi sendo escrito nos blogs que fazem parte da (já muito longa) lista que podem ver na coluna da esquerda do Carimbo, mas não consegui arranjar tempo para escrever. É que eu tenho esta incorrigível tendência para escrever posts muito longos, os quais consomem um tempo considerável. Como o ritmo de trabalho não irá diminuir tão cedo, apenas poderei escrever nos fins-de-semana (e apenas naqueles que forem passados em casa).
Enfim, adaptando as auto-denominações de Paulo Portas (o “euro-calmo”) e António Costa (o “luso-calmo”), eu assumo-me como blogo-calmo durante os dias úteis. Nos fins-de-semana, pelo contrário, serei um blogador inveterado ou, como diriam Paulo Portas e António Costa, um blogo-nervoso ou um blogo-stressado, ou ainda um blogo-inquieto ou até mesmo um blogo-animado. Aceitam-se outras sugestões.

ANS

19 setembro 2003

91 – EXISTE OPOSIÇÃO?


Parece que o post 84 do Carimbo sobre a questão da liderança do Partido Socialista (PS) causou alguma surpresa entre os editores do Ter Voz. Essa surpresa é demonstrada em pelo menos quatro posts (“PS – Partido Português”; “O discurso!”; “As manigâncias de P.S.L.” e “Motes”) aos quais julgo dever responder, mesmo que nem todos os posts referidos sejam dirigidos ao Carimbo.
Em primeiro lugar, devo lembrar como surgiu o post 84 do Carimbo. Tudo começou com alguns comentários (post 70) que fiz às previsões de Marcelo Rebelo de Sousa para as próximas eleições presidenciais. Nessas previsões, Marcelo Rebelo de Sousa incluiu também alguns cenários para a liderança do PS. Limitei-me a referir (de uma forma marginal) outros cenários e nunca expressei preferência por nenhum deles (nem tinha de o fazer, visto não ser simpatizante do PS). Voltei a discutir esta questão no post 84 quando foi anunciado que António Vitorino não tinha formalizado a sua candidatura ao cargo de Secretário-Geral da NATO. Fi-lo para responder a um comentário de Paulo Gorjão e, mais uma vez, não expressei qualquer tipo de preferência por nenhum dos enumerados candidatos hipotéticos à liderança do PS. Paulo Gorjão continuou a debater o assunto nos posts 310, 311, 313 e 314 do Bloguítica Nacional, (cuja leitura recomendo) e envolveu-se posteriormente numa polémica (posts 329 e 331) com o Irreflexões (posts da série “A mim interessa-me” I, II e III) sobre a alegada demagogia dos que criticam o PS.

Uma vez terminada a introdução do tema em discussão, passo à explicação das minhas posições sobre este tema que tanto incomoda os simpatizantes e militantes do PS.

Para o Ter Voz, é uma surpresa constatar que os cidadãos afinal discutem o que se passa no interior do PS, mesmo quando este é apenas o maior partido da oposição e quando esses cidadãos não são militantes e nem sequer são simpatizantes do partido. Para o Ter Voz, o post 84 do Carimbo (bem como outros textos do género) são verdadeiros tratados sobre quem deverá assumir a liderança do PS, o que só prova (para surpresa do Ter Voz) a grandeza do PS.
Pois agora é a minha vez de me revelar surpreendido. Eu não sou, de facto, simpatizante do PS. Não me identifico com as orientações políticas do PS. Mas, como cidadão português, tenho (e terei sempre) de reconhecer a importância deste partido. Nunca nos poderemos esquecer que o PS formou o anterior Governo de Portugal e, numa lógica de alternância democrática, voltará certamente a formar Governo (embora isso não deva acontecer em 2006). Não é porque o PS se encontra agora na oposição que deixa de ter enormes responsabilidades nos destinos do país. Tal como o PS gosta de lembrar, “nunca um partido de oposição o foi partindo de uma base eleitoral tão alargada”. Nestas condições, é natural que eu possa demonstrar interesse pelo que se passa no interior do PS e não consigo perceber qual é a surpresa do Ter Voz quando se discutem algumas hipotéticas movimentações no interior do partido. Será porque essas discussões apenas resultam da constatação óbvia de que o PS tem, neste momento, uma liderança a prazo?
É o próprio PS que assume que “as condições que levaram à demissão do Governo [socialista] a meio de uma legislatura e a forma extremamente rápida de escolha de um novo Secretário Geral constituíram factores de adversidade de enorme importância”. Para mim, há outros “factores de adversidade” que ainda não foram ultrapassados.
Um deles é a dependência política que Ferro Rodrigues entretanto criou para si próprio e para o PS relativamente aos desenvolvimentos do caso Casa Pia e que traz problemas ao PS na elaboração de um projecto alternativo de governo (a longo prazo), o qual dependerá sempre (não completamente, mas em parte) do líder em exercício. Mas não está já interiorizado que Ferro Rodrigues é um líder de transição? Quanto tempo durará o período de transição? Quando poderemos discutir um projecto global de governo?
Pois é, o PS não tem, neste momento, um projecto alternativo de governo (que não seja apenas uma superficial declaração de princípios) e é por isso que eu escrevo que não existe oposição. Na ausência de tal projecto, a oposição socialista limita-se a intervenções esporádicas para exploração demagógica dos casos mais mediáticos. Só a ausência de um projecto alternativo de governo explica a colagem (muito) à esquerda que se tem verificado durante a liderança de Ferro Rodrigues, a qual só vem retirar importância ao maior partido da oposição assim colocado a reboque do Partido Comunista Português e do Bloco de Esquerda. O PS nega as suas insuficiências actuais e justifica a colagem à esquerda com uma atitude de vitimização perante os partidos da direita que “pretenderam fazer passar a ideia que o PS não podia mais aspirar a afirmar-se como grande partido nacional, como permanente e credível alternativa de governo”. A atitude de vitimização e radicalização do discurso não é de agora (não é uma novidade da “rentrée” socialista). Esta atitude tem sido adoptada desde a tomada de posse de Ferro Rodrigues como Secretário-Geral do partido.
O PS sempre acusou o actual Governo de fazer “anúncios artificiais” e “propostas demagógicas e populistas”, típicas de “uma actuação, sem rumo, demasiado próxima duma verdadeira ditadura da maioria”. Ainda hoje, o Público noticia um argumento deste tipo (mediaticamente) explorado por parte do Presidente da República (que assim revela a sua actual independência do PS) durante uma visita oficial à Turquia. O PS sempre acusou o Governo de procurar a “radicalização e crispação” para encobrir o alegado incumprimento das promessas eleitorais.
Parece-me que existe aqui um equívoco. Na realidade, nunca um Governo revelou tanta coragem e determinação na tentativa de cumprir o seu programa eleitoral. Penso que, à excepção do aumento da taxa máxima de IVA e do tempo de serviço necessário para obtenção das pensões de reforma por inteiro, o programa eleitoral tem sido cumprido, não havendo lugar a acusações de política eleitoral demagógica e populista.
Quanto à questão da radicalização, penso que é o PS quem o faz através da colagem (muito) à esquerda. É o PS quem afirma ter manifestado “ao Governo a sua disponibilidade para pactos de regime em torno de questões decisivas para o futuro do país, de modo a criar um clima de governabilidade propício a reformas com bases sociais e políticas de apoio tão alargadas quanto possível”. E qual é a contrapartida? Não será a dissolução da coligação de Governo? Será que é esta a única forma que o PS encontra para fazer oposição? Será que a presença do Partido Popular (PP) no actual Governo conseguiu a incrível façanha de dar maioria absoluta ao Governo na Assembleia da República e, ao mesmo tempo, anular a independência do maior partido da oposição relativamente aos outros partidos da esquerda radical? Se assim for, está explicada a obsessão socialista com o PP (leia-se como se quiser).
Para que não se afirme que eu estou a defender Paulo Portas, remeto desde já os leitores para a leitura dos posts 61 e 66 do Carimbo, nos quais demonstrei o meu desacordo com a associação entre imigração e desemprego. No entanto, chamo à atenção para a notícia hoje divulgada pelo Diário de Notícias, segundo a qual cerca de 4 % dos imigrantes estão desempregados.
Estarei a ser injusto quando escrevo que o PS tem feito uma oposição demagógica? Não me parece. Para o PS, com o “Governo dos partidos da direita, a situação económica, política e social agravou-se significativamente em Portugal”. De acordo com o ponto de vista socialista, tal aconteceu porque o actual Governo dramatizou “desnecessariamente a situação nacional”, o que “gerou uma brutal queda das expectativas e provocou um profundo desalento em quase todos os sectores mais dinâmicos da sociedade portuguesa” e deteriorou “a situação económica muito para além do que a situação nacional e internacional justificaria”. Claro que o PS tem razão. Aliás, se o Governo tivesse adoptado uma atitude de optimista irresponsabilidade a recessão económica portuguesa seria muito menor. Agora a sério: convém aqui lembrar que o optimismo, relativamente a uma rápida recuperação da economia, esteve sempre presente nos EUA e em muitos países da Europa durante os últimos dois anos e, como é óbvio, não foi por isso que a recessão foi atenuada ou travada. Só muito recentemente começaram (muito timidamente) a aparecer os sinais da recuperação económica.
O PS orgulha-se de se ter empenhado na luta “contra a política do Governo de corte dos juros bonificados no Crédito à Habitação”. Para mim, isto é apenas mais demagogia. Basta olhar para as actuais taxas de juro de referência, para os níveis de endividamento das famílias (e principalmente dos jovens) e para o estado do mercado de arrendamento.
O PS afirma que “mantém a sua adesão plena aos objectivos de estabilidade e crescimento no seio da União Europeia” mas acha que “a Europa tem a obrigação de entender os sinais de mudança da conjuntura de forma profunda e assumida, e de adaptar as suas políticas, quer a essa realidade mutável (e o mundo de hoje é bem diferente do que era nos anos 90), quer à diversidade das situações das diferentes economias”. Permitam-me que pergunte a que economias se refere o PS? À espanhola e à grega? Talvez o Público de hoje dê a resposta.
Como as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento não se irão alterar (talvez graças aos suecos), o PS prefere esquecê-las e esquecer também que Portugal beneficia dos fundos de coesão para, demagogicamente, afirmar que, principalmente em épocas de recessão, “os mercados e o seu dinamismo devem ser estimulados através de políticas públicas que facilitem o investimento”. Não. Minto. Para o PS, “o controlo das finanças públicas assume cada vez mais um papel de relevo não como um fim em si, mas porque, quanto mais equilibradas forem as contas públicas do ponto de vista estrutural, mais viável se torna recorrer à despesa e ao investimento públicos como instrumentos de mobilização de recursos em contexto de abrandamento económico". Pois é. Mas as contas herdadas do Governo socialista não estavam equilibradas. Ou estavam? O actual Governo só tomou posse em Abril de 2002 e cortou na despesa onde pôde (só poderá cortar mais quando a reforma do Estado e da sua administração se iniciar a sério) e inventou as receitas que pôde.
Afirma o PS que “importa perceber que, se para esse esforço [de controlo orçamental] há que contar com um importante contributo da racionalização da despesa pública e especialmente da despesa corrente, o papel decisivo terá de vir duma maior eficácia no combate à fraude e à evasão fiscal”. A este respeito, o PS faz o “acto de contrição” afirmando que “foi uma incompleta compreensão dessa necessidade que agravou a situação orçamental no passado recente da gestão do PS”. Para mim, está tudo dito. Isto é, se sete anos não chegaram, seria difícil cumprir este objectivo em ano e meio.
Finalmente, o PS vem agora contestar os prazos delimitados pelo actual governo para a aproximação da economia portuguesa à média europeia. No entanto, esse prazo parece-me legítimo, até porque há um “objectivo, firmado [no Conselho Europeu] em Lisboa em 2000, de transformar a economia europeia na mais competitiva do Mundo em 10 anos”.
Queixa-se o PS de que “a política de substituições nas chefias das instituições do Estado obedece a critérios que são, na maioria dos casos, os das clientelas partidárias”. Não me lembro de ter assistido a uma política diferente durante o Governo socialista. Ferro Rodrigues afirmou que “A inscrição partidária ou a simpatia pessoal não podem subverter os critérios de competência, a parcialidade do mandante não pode derrogar a imparcialidade dos concursos, porque a qualidade da Administração exige dirigentes qualificados e com perfil adequado ao cargo concursado”. A conclusão é correctíssima, mas se isto não é demagogia, o que é então?
Para o PS, o reforço do papel dos sistemas privados nos serviços públicos tem sido feito de “forma aventureira”, “não numa saudável lógica de complementaridade, mas numa lógica agressiva de invasão do espaço da segurança social pública”. Parece que o PS se esquece (deve ser por desatenção) de alguns bons exemplos que já ocorreram, nomeadamente na área da saúde.
Diz também o PS que o actual governo introduziu um “conjunto de alterações que diminuem drasticamente o potencial de inserção social” do Rendimento Mínimo Garantido. Acrescenta o PS que “estas alterações, em muitos casos, tecnicamente erradas, estão enformadas por uma moral de Estado retrógrada, culpabilizadora dos mais pobres. O avanço inequívoco em matéria de política social constitui um dos mais importantes legados dos governos do PS. Nos últimos seis anos, Portugal aproximou-se decisivamente do modelo social europeu, e a solidariedade foi uma prioridade da governação, como talvez nunca tenha sido”. Pelo contrário, julgo que o novo Rendimento de Inserção Social é atribuído a quem, de facto, dele necessita. Não me parece que seja errado obrigar os jovens (até aos vinte e cinco anos de idade) a terem mais iniciativa e a procurarem um emprego onde ele estiver. Os imigrantes fazem-no com sucesso. Quanto à questão da propaganda demagógica que o PS tem feito dos resultados do último relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, remeto o leitor para o post 12 do Carimbo. Se “existe hoje um risco sério de retrocesso nesse domínio”, como afirma o PS, isso deve-se em grande parte à forma como o PS conduziu a economia portuguesa durante os anos em que formou Governo.
Para acabar esta já longa lista de exemplos de oposição demagógica, ou inexistente, falta apenas referir esta afirmação: “O nosso passado no combate pela participação de Portugal na U.E. dá-nos um lugar único e distintivo no quadro político nacional. Somos o partido que melhor protagoniza a vocação europeia de Portugal”. A resposta está no post 313 do Bloguítica Nacional.

Para acabar, da mesma forma que me sinto no direito (como cidadão) de comentar as movimentações internas do PS, também acho que os simpatizantes e militantes do PS podem e devem comentar a actuação de Pedro Santana Lopes enquanto dirigente do PSD, Presidente da Câmara de Lisboa e comentador político. O Ter Voz fê-lo e talvez tenha razão quando escreve que a candidatura presidencial de Pedro Santana Lopes enfrenta a concorrência activa de Marcelo Rebelo de Sousa (no seu espaço televisivo da TVI) e o silêncio de Cavaco Silva. No entanto, para além do facto de Marcelo Rebelo de Sousa já ter garantido que não seria candidato, também não me parece que o Ter Voz tenha razão quando escreve que “entretanto, é Lisboa que paga, por estes tempos, a factura da ambição pessoal do seu Presidente. Por muito que diga que a cidade o preocupa, ele só pensa num espaço do concelho que lidera, o palácio cor-de-rosa, situado na Praça Afonso de Albuquerque”. Penso que Pedro Santana Lopes, tal como os hipotéticos futuros líderes do PS, pode lutar pelas suas ambições enquanto continua a fazer o seu trabalho. O problema é que, ao contrário do que escreve o Ter Voz, parece-me que Pedro Santana Lopes tem um projecto para Lisboa (embora com alguns erros pelo meio) enquanto que o PS não tem um projecto para o país. Ou seja, não há oposição.

ANS

90 - CANÇÕES DE 1973 (VI)


Aqui está um cantor que para quem o ano de 1973 também significa muito. De facto, foi há trinta anos atrás que Bruce Springsteen arrancou definitivamente para uma grande carreira com o álbum Greetings From Asbury Park, N.J.. Das canções deste álbum, julgo que devo destacar Blinded By The Light, a qual foi também utilizada pelos Manfred Mann três anos mais tarde.


BLINDED BY THE LIGHT

Madman drummers bummers and Indians in the summer with a teenage diplomat
In the dumps with the mumps as the adolescent pumps his way into his hat
With a boulder on my shoulder feelin' kinda older I tripped the merry-go-round
With this very unpleasing sneezing and wheezing the calliope crashed to the ground
Some all-hot half-shot was headin' for the hot spot snappin' his fingers clappin' his hands
And some fleshpot mascot was tied into a lover's knot with a whatnot in her hand
And now young Scott with a slingshot finally found a tender spot and throws his lover in the sand
And some bloodshot forget-menot whispers daddy's within earshot save the buckshot turn up the band

And she was blinded by the light. Cut loose like a deuce
Another runner in the night. Blinded by the light
She got down but she never got tight, but she'll make it alright

Some brimstone baritone anticyclone rolling stone preacher from the east
He says: ";Dethrone the dictaphone, hit it in its funny bone, that's where they expect it least";
And some new-mown chaperone was standin' in the corner all alone watchin' the young girls dance
And some fresh-sown moonstone was messin' with his frozen zone to remind him of the feeling of romance

Yeah he was blinded by the light. Cut loose like a deuce
Another runner in the night. Blinded by the light
He got down but she never got tight, but he's gonna make it tonight

Some silicone sister with her manager's mister told me I got what it takes
She said I'll turn you on sonny to something strong if you play that song with the funky break
And go-cart Mozart was checkin' out the weather chart to see if it was safe to go outside
And little Early-Pearly came in by her curly-wurly and asked me if I needed a ride
Oh, some hazard from Harvard was skunked on beer playin' backyard bombardier
Yes and Scotland Yard was trying hard, they sent a dude with a calling card,
he said, do what you like, but don't do it here
Well I jumped up, spit in the air, fell on the ground, asked wich was the way back home
He said take a right at the light, keep going straight until right, and then boy you're on your own

And now in Zanzibar a shootin' star was ridin' in a side car hummin' a lunar tune
Yes, and the avatar said blow the bar but first remove the cookie jar, we're gonna teach those boys to laugh too soon
And some kidnapped handicap was complaining that he caught the clap from some mousetrap he bought last night
Well I unsnapped his skull cap and between his ears I saw a gap but he'd figured he'd be all right

He was just blinded by the light. Cut loose like a deuce
Another runner in the night. Blinded by the light
Mama always told me not to look into the sights of the sun
Oh but mama that's where the fun is

By Bruce Springsteen



Amanhã passo para a letra C.

ANS

89 - GESTALT THEORY


Escreve o Anarca Constipado que afinal a teoria referida no post 87 do Carimbo não é assim tão fácil de rebater. Talvez. Mas a questão que eu coloco é se a nossa capacidade de transformar o que não faz sentido (ou que nos é desconhecido) em algo conhecido (e que faça sentido) é aplicável quando estamos perante inúmeras pistas (falsas) para "coisas" que conhecemos. É o caso das "palavras" "adroco", "psiuq", "sea", "udadis", "revine", "iselgna", etc. Estas "palavras" não significam nada em português, mas podem ser lidas e incluem, elas próprias, palavras que fazem sentido, o que torna muito mais difícil a tal dedução do significado global do texto.

ANS

18 setembro 2003

88 - CANÇÕES DE 1973 (V)


Depois de Bob Dylan, só mesmo outro Bob. Refiro-me a Bob Marley. Das suas canções, escolhi I Shot The Sheriff, do álbum Burnin', porque, curiosamente, esta canção também foi interpretada por Eric Clapton.


I SHOT THE SHERIFF

(I shot the sheriff
But I didn't shoot no deputy, oh no! Oh!
I shot the sheriff
But I didn't shoot no deputy, ooh, ooh, oo-ooh.)
Yeah! All around in my home town,
They're tryin' to track me down;
They say they want to bring me in guilty
For the killing of a deputy,
For the life of a deputy.
But I say:

Oh, now, now. Oh!
(I shot the sheriff.) - the sheriff.
(But I swear it was in selfdefence.)
Oh, no! (Ooh, ooh, oo-oh) Yeah!
I say: I shot the sheriff - Oh, Lord! -
(And they say it is a capital offence.)
Yeah! (Ooh, ooh, oo-oh) Yeah!

Sheriff John Brown always hated me,
For what, I don't know:
Every time I plant a seed,
He said kill it before it grow -
He said kill them before they grow.
And so:

Read it in the news:
(I shot the sheriff.) Oh, Lord!
(But I swear it was in self-defence.)
Where was the deputy? (Oo-oo-oh)
I say: I shot the sheriff,
But I swear it was in selfdefence. (Oo-oh) Yeah!

Freedom came my way one day
And I started out of town, yeah!
All of a sudden I saw sheriff John Brown
Aiming to shoot me down,
So I shot - I shot - I shot him down and I say:
If I am guilty I will pay.

(I shot the sheriff,)
But I say (But I didn't shoot no deputy),
I didn't shoot no deputy (oh, no-oh), oh no!
(I shot the sheriff.) I did!
But I didn't shoot no deputy. Oh! (Oo-oo-ooh)

Reflexes had got the better of me
And what is to be must be:
Every day the bucket a-go a well,
One day the bottom a-go drop out,
One day the bottom a-go drop out.
I say:

I - I - I - I shot the sheriff.
Lord, I didn't shot the deputy. Yeah!
I - I (shot the sheriff) -
But I didn't shoot no deputy, yeah! No, yeah!

By Bob Marley



Para amanhã está reservado outro autor cujo nome começa por B.

ANS

87 - ALGUMAS TEORIAS SÃO FÁCEIS DE REBATER


Tenho recebido alguns e-mails com o seguinte texto, o qual já tinha lido nalguns blogs:

De acordo com uma pesquisa de uma universidade inglesa, não importa a ordem pela qual as letras de uma palavra estão, a única coisa importante é que a primeira e última letras estejam no lugar certo. O resto pode ser uma total confusão que você pode ainda ler sem grandes problemas. Isto porque nós não lemos cada letra isolada, mas a palavra como um todo.

O exemplo de aplicação desta teoria é dado pelo seguinte conjunto de “palavras”:

De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra a odrem plea qaul as lrteas de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma ttaol csãofnuo que vcoê pdoe anida ler sem gnderas pobrlmeas. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

Parece que a teoria está correcta, não é? Mudemos então mais uma vez a posição das letras e vejamos o que acontece:

De adroco com uma psiuqsea de uma udadisrevine iselgna, não itropma a oedrm plea qaul as lartes de uma prvalaa eãtso, a úcina csioa itnatropme é que a priemira e úmitla lartes eajetsm no lagur ctreo. O rtseo pdoe ser uma tatol cãsufnoo que vcoê pdoe adnia ler sem gednars pamelbors. Itso puqroe nós não lomes cdaa lrtea idalosa, mas a prvalaa cmoo um tdoo.

A compreensão de algumas palavras torna-se mais difícil, não é? Imaginem que não conhecíamos o texto original. Talvez fosse ainda mais difícil de entender. Infelizmente, parece que a teoria está errada e, por isso, teremos de continuar a corrigir as palavras que tantas vezes teclamos com letras trocadas.

ANS

17 setembro 2003

86 – MAIS AGRADECIMENTOS VII


Parece que o post 82 do Carimbo, com as minhas impressões sobre o meu último fim-de-semana, gerou alguns comentários. Além dos e-mails que recebi, tenho ainda de agradecer os comentários colocados no Adufe (post “E o prémio vai para...”) e no Valete Fratres!.
Rui Branco (do Adufe) atribui ao Carimbo o “Prémio para a melhor crónica lida nos últimos 5 minutos”. Já sei que Rui Branco avisou que quem agradecesse os seus prémios se arriscaria a “levar com outro”. Pois como nunca ninguém me atribuiu nenhum prémio na blogosfera, eu agradeço e corro o risco de “levar com outro” prémio engraçado como esse. Aproveito para tranquilizar Rui Branco quanto à eventual queimadura na mão. Foi só um pequeno (mas irritante) choque eléctrico (a voltagem era muito baixa). Quanto aos meus longos posts, só posso afirmar que esse é um defeito que não consigo corrigir. De qualquer forma, agradeço a todos os que têm a paciência de ler os meus posts até ao fim, se é que alguém o faz.
João Noronha (do Valete Fratres!) opõe o post 82 do Carimbo (que não é apenas uma descrição de um fim-de-semana em Oxford) à frase de apresentação deste blog (“Blog que pretende marcar mas não ferretear...”). Não percebi se João Noronha escolheu o post 82 do Carimbo como um bom exemplo de aplicação da referida frase, ou se, pelo contrário, o fez para mostrar que essa frase foi esquecida. Acredito mais na primeira hipótese e, por isso, agradeço a João Noronha pelo destaque que dá ao post 82. De qualquer forma, para aqueles que, porventura, possam pensar o contrário, devo lembrar que, no post inaugural do Carimbo, escrevi que o objectivo deste blog é marcar (com a minha modesta opinião) qualquer assunto que o justifique. Foi o que tentei fazer no post 82. Já que estou a escrever um web log (ou seja, um diário), porque não adoptar um estilo descritivo (idêntico ao que se encontra nos diários) para fazer os mesmos comentários que, normalmente, seriam feitos de uma forma seca e directa? Repito que foi isto que tentei fazer no post 82. Dentro do relato do fim-de-semana, refiro a abordagem que os ingleses fazem das questões de segurança, refiro o custo de vida neste país, refiro as assimetrias que nele existem, refiro as razões que os ingleses apontam para a sua recusa de adesão à moeda única europeia. Refiro ainda, com exemplos concretos, como funciona o sistema político inglês e como a atitude empreendedora dos ingleses perante os projectos de grande envergadura contrasta com a atitude portuguesa. É o caso dos trabalhos de preparação (que já se iniciaram) da cidade de Liverpool (uma cidade com inúmeros problemas) para, em 2008, assumir o estatuto de Capital Europeia da Cultura.
Já que refiro o destaque dado a posts do Carimbo, aproveito para agradecer a Paulo Gorjão por divulgar, no post 288 do Bloguítica Nacional, as minhas reflexões sobre a liderança do Partido Socialista.
Agradeço também a Pedro Mexia por concordar comigo em incluir O Carimbo na sua lista de blogs conservadores, liberais e afins.
Agradeço também a Miguel Nogueira pelo simpático post “Ornitologia” do blog A Origem do Amor. Meu caro Miguel Nogueira, acredito que acabará por encontrar a classificação mais correcta para o Carimbo. Até lá, esperarei pacientemente, o que, para um “Carimbador” que gosta de classificar tudo e mais alguma coisa, não será nada fácil.
Entretanto, apareceram mais dois blogs que incluíram O Carimbo na sua lista de blogs recomendados. Trata-se do Tolentino e do Começou Em Trezentos, Vai Em Quatrocentos E Não Se Sabe Em Quantas Centenas De Milhares Acabará. O Tolentino também já foi acrescentado à lista de blogs recomendados pelo Carimbo. Quanto ao outro blog, aqui ficam os meus parabéns pelo início sensacional (quase tão bom como o início do Causa Vossa) e o desejo de ler os posts que justificam tamanho sucesso.

ANS

85 - CANÇÕES DE 1973 (IV)


Tal como ontem prometi, aqui está um pouco da história do Far West. Na realidade deveria escrever Old West, porque é isso que retrata o western Pat Garrett And Billy The Kid, cuja banda sonora pode ser ouvida no álbum de Bob Dylan com o mesmo nome. Uma das curiosidades deste filme é a participação de Bob Dylan como actor, no papel de Alias.
Escolhi a canção Knockin' On Heaven's Door porque é aquela que ilustra uma das melhores cenas do filme e também porque outros a cantaram, nomeadamente Eric Clapton e os Guns N' Roses.


KNOCKIN' ON HEAVEN'S DOOR

Mama, take this badge off of me
I can't use it anymore.
It's gettin' dark, too dark for me to see
I feel like I'm knockin' on heaven's door.

Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door

Mama, put my guns in the ground
I can't shoot them anymore.
That long black cloud is comin' down
I feel like I'm knockin' on heaven's door.

Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door
Knock, knock, knockin' on heaven's door

By Bob Dylan



Ainda não sei o que vai sair no capítulo V desta série. No entanto, amanhã recordarei certamente mais uma canção de 1973.

ANS

16 setembro 2003

84 - A LIDERANÇA DO PARTIDO SOCIALISTA


No post 263 do Bloguítica Nacional, Paulo Gorjão comentou o post 79 do Carimbo. Paulo Gorjão duvida do interesse de António Vitorino em assumir a liderança do Partido Socialista (PS) após a saída de Ferro Rodrigues e fundamenta a sua opinião nos elogios (conhecidos) que são endereçados a António Vitorino no seio da Comissão Europeia.
Devo esclarecer que concordo com Paulo Gorjão. Já o tinha escrito no post 70 do Carimbo. Concordo que, para António Vitorino, não será muito aliciante substituir Ferro Rodrigues antes das próximas eleições legislativas. As possibilidades de vitória do PS nessas eleições são reduzidas e Durão Barroso já se apercebeu disso. É também por isso que já começou a pedir à população que vote no Partido Social Democrata (PSD) em Março de 2006. Durão Barroso avisa que as reformas iniciadas pelo actual governo deverão ser avaliadas no prazo de duas legislaturas.
Por outro lado, após as eleições do próximo ano para o Parlamento Europeu, o Governo terá todo o interesse em manter António Vitorino na Comissão Europeia. As vantagens são várias. Se António Vitorino continuar o excelente trabalho na Comissão Europeia ao invés de assumir a liderança do PS, as eleições legislativas de 2006 serão mais fáceis para o PSD. Ao mesmo tempo, o Governo transmitirá uma imagem de desinteresse partidário (e interesse nacional) ao apoiar um membro do Partido Socialista (é membro, não é?). E o interesse nacional será, de facto, muito grande quando a nova Comissão Europeia começar o seu trabalho, em 2005, após a ratificação, pelos Estados membros, do Tratado para a Constituição Europeia e após o alargamento da União Europeia a mais dez países. Penso que terá sido por estes motivos que António Vitorino não formalizou a sua candidatura ao cargo de Secretário-Geral da NATO (e também porque as hipóteses de sucesso dessa candidatura eram pequenas). Outras razões poderão ser as avançadas pela revista The Economist relativamente à possibilidade de António Vitorino ambicionar "voos mais altos" em Bruxelas. O Governo sabia, com toda a certeza, que António Vitorino não iria formalizar a sua candidatura e, por isso, expressou o seu apoio à candidatura do Ministro dos Negócios Estrangeiros holandês.
As razões que indico para a permanência de António Vitorino em Bruxelas servem também para contestar algumas notícias que o apontam como única alternativa a António Guterres para representar a esquerda nas próximas eleições presidenciais de Janeiro de 2006. Parece que já ninguém conta com Mário Soares. Poderá haver uma surpresa?
Independentemente do destino de António Vitorino, o PS não poderá continuar refém do processo Casa Pia e terá de assumir a liderança da oposição. A acção governativa precisa de um PS capaz de conduzir uma oposição interventiva e construtiva. O próprio PS, se quiser apresentar-se nas próximas eleições legislativas com um projecto de governo, tem de começar a trabalhar agora. No entanto, parece que já todos no PS esperam uma derrota nas eleições legislativas de 2006. Parece que existe alguma falta de imaginação na forma de fazer oposição. Da mesma forma que o PS se limita, actualmente, a fazer oposição através de ataques demagógicos ao partido mais pequeno do Governo, também a estratégia futura se resume a tirar partido de um Presidente da República eventualmente eleito pela esquerda com a "função" de desgastar o Governo.
Tal como escrevi no post 79, o PS até pode conseguir um resultado aceitável nas eleições europeias do próximo ano e nas eleições autárquicas de 2005, as quais servem normalmente para fazer avisos ao Governo em exercício. No entanto, mesmo que isso aconteça e que os desenvolvimentos do processo Casa Pia não obriguem Ferro Rodrigues a demitir-se da liderança do partido, não me parece que o PS esteja em condições de formar Governo em 2006. Penso que é por este motivo que os possíveis candidatos à liderança do PS preferem esperar. De preferência, até depois das legislativas de 2006. Resta saber em que estado estará a imagem do PS (indissociável da imagem de Ferro Rodrigues) por essa altura.
No post 70 referi, como possíveis candidatos à liderança do PS, José Sócrates, João Soares, António Costa e António Vitorino. Poderia ter incluído ainda Manuel Maria Carrilho e outros. Estes candidatos terão de lutar internamente para evitar serem enviados para o Parlamento Europeu ou para uma Câmara Municipal importante e, assim, permanecerem em condições de assumirem a liderança do PS. Parece que afinal os conflitos internos motivados pela questão da liderança do PS serão (ou talvez já o sejam) muito mais complicados do que os eventuais conflitos que José Sócrates prevê ocorrerem no PSD aquando da escolha do candidato presidencial. Infelizmente, isto significa que, durante os próximos anos, o PS estará muito mais preocupado com estas questões internas do que com o Governo do país. Como vivemos em democracia, perdemos todos. O actual Governo não agradece (ou, pelo menos, não devia agradecer).

ANS

83 - CANÇÕES DE 1973 (III)


Tal como ontem prometi, cá está um exemplo de rock'n'roll californiano concebido na Europa. Trata-se de uma canção dos The Beach Boys lançada no álbum Holland. Escolhi esta canção por causa da sua história. Aparentemente, os The Beach Boys gastaram "rios de dinheiro" para produzir o álbum Holland numa quinta na Holanda e, apesar do montante investido, a Warner Brothers rejeitou o álbum por considerar que este não tinha nenhuma canção que fornecesse garantias de sucesso. Assim, sem a participação de Brian Wilson, uma das canções que originalmente fazia parte do álbum foi substituída por esta:


SAIL ON SAILOR

I sailed an ocean, unsettled ocean
Through restful waters and deep commotion
Often frightened, unenlightened
Sail on, sail on sailor

I wrest the waters, fight Neptune's waters
Sail through the sorrows of life's marauders
Unrepenting, often empty
Sail on, sail on sailor

Caught like a sewer rat alone but I sail
Bought like a crust of bread, but oh do I wail

Seldom stumble, never crumble
Try to tumble, life's a rumble
Feel the stinging I've been given
Never ending, unrelenting
Heartbreak searing, always fearing
Never caring, persevering
Sail on, sail on, sailor

I work the seaways, the gale-swept seaways
Past shipwrecked daughters of wicked waters
Uninspired, drenched and tired
Wail on, wail on, sailor

Always needing, even bleeding
Never feeding all my feelings
Damn the thunder, must I blunder
There's no wonder all I'm under
Stop the crying and the lying
And the sighing and my dying

Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor
Sail on, sail on sailor

By Brian Wilson, Tandyn Almer, Jack Rieley and Ray Kennedy



Para amanhã está reservado um pouco da história do Far West.

ANS