11 dezembro 2003
146 - CANÇÕES de 1973 (XIX)
Para estrear o capítulo "F" desta série escolhi Frank Sinatra. No final de 1973, a "voz" prestou uma homenagem a Jim Croce (que falecera nesse ano num acidente de avião). A canção escolhida por Frank Sinatra foi Bad, Bad Leroy Brown, que tinha sido lançada por Jim Croce no álbum Life And Times em Janeiro de 1973.
BAD, BAD LEROY BROWN
Now the south side of Chicago
Is (It's) the baddest part of town
And if you (you're gonna) go down there, you better (just) beware
Of a man (cat) named Leroy Brown
Now Leroy (Brown) he's trouble
And he stands about six feet four
All the downtown ladies call him: "treetop lover"
The studs they call him: "Sir"
(Yeah) He's bad, bad Leroy Brown
Meanest (baddest) man (cat) in the whole damn town
Badder that old King Kong
(And( (He's) Meaner that a junkyard dog
Now Leroy he's a gambler
And he likes (digs) his (those) fancy clothes
He likes to wave his (that) (great big / big fat) (shinny) diamond ring(s)
Under (In front of) everybody's nose
He's got a custom Continental
He's got an Eldorado too
He's got a 22 (32) gun in his pocket for fun
He's got a razor in his (the razor in the) shoe
(Yeah) He's bad, bad Leroy Brown
Meanest (baddest) man (cat) in the whole damn town
Badder that old King Kong
(And (He's) Meaner that a junkyard dog
Now Friday - 'bout a week ago
Leroy shootin' dice
And at the end (edge) of the bar, sat (was) a lady (chick) named Dorris (Morris)
Man she sure looked nice
And (Well/Then) he layed his eyes upon her
That's when the big scene (trouble soon) began
And Leroy Brown he learned a lesson 'bout messin'
With the wife of a jealous man
(Yeah) He's bad, bad Leroy Brown
Meanest (baddest) man (cat) in the whole damn town
Badder that old King Kong
(And) (He's) Meaner that a junkyard dog
By Jim Croce
ANS
145 - FENÓMENOS BLOGUÍSTICOS
Na blogosfera acontecem fenómenos estranhos, cuja verdadeira dimensão e justificação me ultrapassa.
Há alguns meses atrás reparei num blog, na janela dos Frescos, cujo nome era muito semelhante a "Terras do Nunca". Pensei logo que se tratava de alguém a querer tirar proveito da fama do Terras do Nunca. Por causa disso não o visitei. Hoje descobri que talvez esse blog tivesse sido colocado por engano na lista de blogs portugueses. Poderia ser um destes três blogs brasileiros: Terra do Nunca (1), Terra do Nunca (2) e A Terra do Nunca. Dou o benefício da dúvida...
Há cerca de um mês foi criado o blog Bimba Ininteligível. Este blog pretende ser uma sátira do famoso Bomba Inteligente. Não irei revelar se penso tratar-se de uma sátira bem ou mal conseguida e também não revelarei se a considero de bom ou de mau gosto. Mas não deixo de questionar quais serão os motivos que levam alguém a dedicar uma boa parte do seu tempo à adaptação de textos de um blogger (ou de uma blogger, como é o caso da Carla Hilário de Almeida)?
Finalmente, ontem fiquei a conhecer, primeiro pelo Technorati e depois pelo Mar Salgado, que este último blog tem agora um duplicado de nome Luís D'Elvas. Consigo pensar em diversas razões para criar a duplicação de um blog, mas não me lembro de nenhuma que justifique a publicação do duplicado.
Será que os blogs que se dedicam ao estudo da blogosfera conseguem explicar estas situações?
ANS
144 – MAIS AGRADECIMENTOS XI
Já passou mais de um mês desde que, no dia 5 de Novembro, publiquei o último post de agradecimentos (post 130 do Carimbo). Pois é, tenho escrito muito pouco. Afinal não estou tão viciado nisto como pensava. Mentira. Tal como escrevi no post 64, já estive bastante viciado. Estava tão viciado que até escrevi que a blogosfera se deveria chamar Associação dos Blogoólicos Anónimos ou, simplesmente, ABA. Nessa altura também escrevi que admitir o problema era o primeiro passo para a cura do vício. De facto, depois desse primeiro pequeno passo, fui controlando melhor o ímpeto bloguístico e agora só escrevo de vez em quando. É claro que existem outros factores (externos à blogosfera) que também têm contribuído para este abrandamento do ritmo de escrita. Um deles foi o trabalho acumulado que teve (e ainda tem) de ser posto em dia e o outro foi o normal aumento das solicitações de carácter social no mês que antecede o Natal. Nesta altura, além dos tradicionais almoços e jantares da Natal organizados pelos colegas de trabalho, existem ainda as festas organizadas pelas comunidades emigrantes, as quais se vão sucedendo até que todos regressem aos respectivos países para as férias de Natal.
Com uma cura destas, tão agradável como eficaz, não admira que, de uma forma algo egoísta para os que lêem este blog (perdoem-me a imodéstia), eu tenha frequentado pouco a blogosfera durante as últimas semanas. No entanto as recaídas são sempre possíveis, ou melhor, são até bastante prováveis. Felizmente, quando elas acontecerem, em vez de andar aqui a escrever sobre o meu vício e as minhas experiências de “ressaca”, já poderei ir àquele cantinho, criado pelo Rui M.C. Branco e por uma giesta, onde os viciados deste mundo virtual português tentam a terapia de grupo. Refiro-me, como é óbvio, à BlogA!?. Este é, como sabem, um blog associativo que reúne diversos blogoólicos (anónimos ou não) como membros ou meros observadores, entre os quais se encontram muitos dos bloggers com quem tenho tido mais contacto bloguístico. Parece que padecemos todos do mesmo mal. Será um mal? Não sei. Mas sei que, como penso que acontece com o Leonel Vicente do blog Memória Virtual, quando visito a BlogA!? sinto-me em “casa”. Por isso, aqui ficam os meus sinceros agradecimentos aos membros da BlogA!?. Além disso, os membros fundadores desse blog merecem também os meus parabéns pelo nome que encontraram para essa associação virtual. Não há dúvida que BlogA!? é muito mais expressivo e original do que ABA...
No post 130 do Carimbo agradeci ao Ai Jasus! por ter incluído O Carimbo na sua lista de evangelizadores, mas não tinha reparado que tinha sido caracterizado como «um benfiquista na Diáspora em Inglaterra». É uma boa descrição mas eu acho que até escrevo pouco sobre futebol e muito menos sobre o Benfica. Vamos lá a ver como é que correm os dezasseis avos de final da Taça UEFA agora que entraram na competição mais oito equipas oriundas da Liga dos Campeões. Pode ser que o Sport Lisboa e Benfica tenha sorte e jogue com o Gençlerbirligi SK. O Ai Jasus! também tem razão quando refere que eu faço parte da comunidade portuguesa em Inglaterra, mas devo lembrar que eu me encontro em Liverpool, onde além do restaurante “Algarve”, do pub “Lisbon” e de cerca de uma dezena de estudantes de doutoramento, a representação portuguesa é quase inexistente. Prefiro afirmar que faço parte de uma comunidade portuguesa no estrangeiro do que afirmar que estou na Diáspora. É que esta palavra faz-me sempre pensar que, se a dispersão forçada dos judeus da Palestina (que ocorreu ao longo dos séculos) não fizesse parte da história, o terrorismo de hoje poderia não ser uma realidade ou, por outro lado, talvez continuasse a existir com outra justificação. Inclino-me mais para a segunda hipótese...
O Paulo Gorjão utilizou a expressão “filho pródigo a casa torna” no post 861 do Bloguítica para assinalar o meu regresso à blogosfera. Obrigado, mas acho que é precisamente ao contrário. É quando estou na blogosfera que, prodigamente, esbanjo tempo de trabalho, mesmo sabendo que não posso esbanjar muito porque a hipótese de voltar para casa dos pais não é sequer uma hipótese remota. Já agora, fiquei "preocupado" com o post 1250 do Bloguítica. Espero que essa contagem decrescente não seja como a do já terminado blog A Formiga de Langton. Mas, caro Paulo, se for uma dessas fatídicas contagens decrescentes, faço-me desde já convidado para essa bica que me parece estar implicitamente combinada com o Luís Novaes Tito.
O Rui M.C. Branco contribuiu para a “agradável atitude narcisista” que refiro no post 134 do Carimbo ao fazer suas as (minhas) palavras do último parágrafo do post 132 do Carimbo. Obrigado. Lembro que este agradecimento tem um sabor especial porque o Rui MC Branco foi o primeiro blogger com quem travei um debate através da blogosfera. Ai o Presidente de todos os portugueses... Gostaria de ter voltado a escrever sobre ele depois daquela entrevista concedida à RTP, à Rádio Renascença e ao Público no dia 27 de Outubro. No entanto, não tive tempo para isso e ainda bem porque me livrei certamente de algumas “adufadas”, como o Rui M.C. Branco gosta de escrever.
O Primeiro Ministro Henrique colocou O Carimbo na sua lista de eleitores depois de um curto debate (por e-mail) sobre o eventual referendo do Tratado de Constituição para a Europa. Obrigado pela hiperligação e, principalmente, pelo debate.
O Rui, do blog 3tesas não pagam dívidas também colocou O Carimbo na sua lista de blogs recomendados e ainda fez eco do post 138 do Carimbo. Muito obrigado.
Quero ainda agradecer aos blogs Acanto, Bimba Ininteligível, Blogo Social Português, Castor de Mármore, GANG, Grande Superfície, Irreflexões, Mar de Abrantes, Notas Verbais, Pickpocket, Preceitos para Uso do Pessoal Doméstico e Universos Críticos por incluírem O Carimbo nas suas listas de blogs recomendados.
Também tenho de agradecer ao Rui Albuquerque pelas excelentes leituras que me proporcionou com o seu Cataláxia. Compreendo demasiado bem o esforço e a concentração que um doutoramento exige. No entanto, ainda espero poder ler alguns posts esporádicos. O Assembleia também fechou, mas, como os posts de Manuel Alçada podem continuar a ser lidos no Cruzes Canhoto!, a perda não é tão grande como a do Cataláxia.
Para terminar este longo post de agradecimentos, faço aqui uma referência ao Gatopardo. Este admirador de Giuseppe Tomasi di Lampedusa agradece-me por ter sido o primeiro leitor do seu blog, mas salienta que eu faço agradecimentos «por tudo e por nada» e que detesta a série “Canções de 1973”. Penso que não devo rebater a crítica aos agradecimentos porque estes resultam sempre de uma decisão pessoal que eu tomo baseado em factos que podem ser insignificantes para o Gatopardo mas que não o são para mim. Quanto à série “Canções de 1973”, devo esclarecer que eu também não gosto de algumas das canções já apresentadas, mas a verdade é que uma boa parte delas ainda são bem conhecidas hoje em dia. Acho que este é um feito notável e que merece ser salientado. Por isso, lamento desapontar o Gatopardo, mas esta série vai continuar. Desta vez, ao contrário do que escreveu Giuseppe Tomasi di Lampedusa («Se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi»), tudo ficará na mesma sem que nada tenha de mudar. O Gatopardo também acha que eu leio o seu blog «na diagonal». Não vou confirmar nem desmentir, mas acho que, já agora, o Gatopardo poderia escrever sobre o seu blog o mesmo que Giuseppe Tomasi di Lampedusa escreveu sobre a sua própria obra "Il Gattopardo”: «Bisogna leggerlo con grande attenzione perché ogni parola è pesata ed ogni episodio ha un senso nascosto».
ANS
04 dezembro 2003
143 - SE O DINHEIRO NÃO FOSSE TÃO PESADO...
De acordo com a TSF, Saddam Hussein terá pedido mil milhões de dólares ao Banco Central do Iraque para "lutar contra a agressão norte-americana". Parece que o Banco Central do Iraque acedeu prontamente ao pedido e entregou 920 milhões de dólares e 90 milhões de euros a um dos filhos do ditador e ao seu Ministro das Finanças. De acordo com a TSF, um agente americano encarregue das investigações no Iraque afirmou que o dinheiro terá sido entregue em malas blindadas, ou seja, a entrega foi feita em "cash".
Da forma como a notícia está escrita, até parece que se tratava de duas ou três malas com dinheiro. No entanto, a quantia em causa é tão exorbitante que não me parece que pudesse ser movimentada em malas.
Suponhamos que os 920 milhões de dólares foram movimentados em notas de 100 dólares, as quais pesam 1 grama e têm as seguintes dimensões: 155,96 x 66,29 x 0,11 mm. Suponhamos também que os 90 milhões de euros foram transportados em notas de 500 euros, as quais pesam 1,278 gramas e têm as seguintes dimensões: 160 x 82 x 0,11 mm. Com base nestas hipóteses, foram transportadas 9,2 milhões de notas de 100 dólares e 180.000 notas de 500 euros. No total, foram então supostamente transportadas (em malas) 9,38 milhões de notas, com um peso total de 9,43 toneladas e um volume de 10,65 m3 (igual ao volume de uma sala cúbica de 2,20 metros de lado). Assumindo que cada mala tinha 50 kg, teriam sido necessárias 189 malas!
De acordo com a notícia da TSF, grande parte do dinheiro já foi localizado, faltando apenas encontrar 132 milhões de dólares (1,32 toneladas de notas de 100 dólares). Pois é. Parece que Saddam e os seus homens apenas levaram o que podiam carregar durante a fuga! De acordo com a TSF, dos cinquenta e dois homens mais procurados pelas tropas norte-americanas no Iraque, dezoito (incluindo Saddam Hussein) ainda não foram encontrados. É bem possível que cada um deles tenha fugido com 73 kg de dinheiro (cerca de 7,3 milhões de dólares). Com estes recursos financeiros, estes fugitivos têm boas hipóteses de escapar à perseguição norte-americana...
ANS
01 dezembro 2003
142 – COERÊNCIA (II)
Esta é a segunda vez que abordo o tema da coerência. Já o tinha feito no post 126 do Carimbo, no qual apontei a incoerência das estatísticas sobre economia e finanças efectuadas pelas mais diversas instituições. Além disso, também lembrei a necessidade de manutenção da política de controlo do défice orçamental que tem vindo a ser seguida (ou talvez apenas publicitada) pelo Governo português. Escrevi, nessa altura, que o objectivo de 2,8 % do PIB para o défice assumido no Orçamento de Estado (OE) para 2004 me parecia pouco coerente com essa política. De facto, tendo em conta os significativos desvios que a execução orçamental tem apresentado relativamente às estimativas iniciais, a meta do OE para o défice orçamental de 2004 apresentava um grau de risco considerável.
Como esperava, não tardaram a aparecer estimativas mais pessimistas do que as do Governo como é, por exemplo, o caso das que foram apresentadas pela Comissão Europeia no final de Outubro deste ano. Segundo estas estimativas, o défice orçamental português será de 3,3 % do PIB em 2004 (excedendo o valor de referência de 3 % fixado pelo PEC - Pacto de Estabilidade e Crescimento) e crescerá para 3,9 % do PIB em 2005 (afastando-se ainda mais do valor de referência do PEC). A Comissão Europeia prevê também que o rácio da dívida pública atinja 60 % do PIB em 2005. Isto representa um retrocesso de vários anos. Lembro que em 1998 (após a assinatura do Tratado de Amesterdão) as orientações gerais das políticas económicas da União Europeia assumiam a redução do rácio da dívida pública como sendo o grande objectivo português para esse ano, o que viria efectivamente a acontecer com uma redução da dívida de 59,1 % do PIB em 1997 para 55 % do PIB em 1998. No entanto, este é um caso excepcional porque, em geral, as orientações gerais das políticas económicas da União Europeia (e os Programas de Estabilidade e Crescimento que lhes estavam associados) nunca foram cumpridas com grande rigor. Este é um problema comum a vários países que aderiram à moeda única, entre os quais se encontra Portugal.
Vejamos então o caso português com mais atenção. O Programa de Estabilidade e Crescimento (PE) para 1999 previa um défice orçamental entre 1,9 % e 2,1 % do PIB em 1999 e entre 1,3 % e 1,8 % do PIB no ano 2000. No entanto, o défice orçamental nesses dois anos foi efectivamente de 2,8 %. Apesar do erro do ano anterior, no PE para o ano 2000 voltou-se a prever um défice orçamental para esse ano de apenas 1,5 % do PIB. No mesmo PE previa-se ainda uma aceleração da economia portuguesa face a 1999 e, afinal, o PIB cresceu apenas 3,7 % face a um crescimento de 3,8 % em 1999 (ou seja, a economia abrandou ligeiramente). Em 2001, o PE português apontava para um crescimento do PIB de 3,3 % nesse ano e de 3,2 % nos anos seguintes. No entanto, o PIB cresceu apenas 1,6 % em 2001 e 0,4 % em 2002. Ou seja, nos anos de 1999 a 2002, o PIB português desacelerou a um ritmo médio ligeiramente superior a 1 % ao ano. O PE para 2001 previa ainda um défice orçamental de 1,1 % do PIB nesse ano e de 0,7 % do PIB em 2002. Infelizmente, no ano de 2001 o défice foi realmente de 4,2 % do PIB! Em 2002, conseguiu-se uma redução do défice para 2,7 % do PIB à custa de receitas extraordinárias. É claro que no PE para 2002 (da responsabilidade do actual Governo), os desvios continuaram teimosamente a aparecer como aconteceu, por exemplo, com a previsão de um défice orçamental de 1,8 % do PIB para esse ano (valor superior aos 0,7 % do PIB previstos em 2001, mas muito inferior aos 2,7 % do PIB correspondentes ao verdadeiro valor do défice). De acordo com o PE para 2002, o crescimento do PIB previsto para esse ano era de 1,8 % e seria de 2,5 % no ano seguinte. Sabemos agora que as estimativas mais recentes apontam para um recuo do PIB de 0,8 % em 2003! O PE para 2002-2005 apontava (ambiciosamente) para o equilíbrio orçamental em 2004 e para um orçamento excedentário de 0,4 % do PIB em 2005! Como referi no início deste post, as estimativas da Comissão Europeia divulgadas em Outubro deste ano são bem piores. O PE para 2003 já foi mais pessimista do que o PE para 2002, mas ainda apontava para um défice orçamental de 2,4 % do PIB em 2003, o qual se deveria reduzir para 1,9 % do PIB em 2004 e para 1,1 % do PIB em 2005. Ou seja, este PE foi ainda muito optimista quando comparado com as últimas previsões da Comissão Europeia. No PE para 2003, o crescimento do PIB previsto para esse ano era ainda de 1,3 %. Para 2004 e 2005 previa-se um crescimento do PIB de 2,7 % e 3,1 %, respectivamente. No entanto, no OE para 2004, a taxa de crescimento do PIB português aparece já revista em baixa para um valor entre 0,5 % e 1,5 %. As estimativas da Comissão Europeia são coerentes com as do Governo e apontam um crescimento do PIB português de 1 % em 2004 e de 2 % em 2005. É fácil constatar que existe uma "grande coerência" entre as estimativas e a realidade. Se isto é o que se consegue com recurso a métodos científicos rigorosos, imagine-se o que seria com métodos simples de previsão...
Relembro que, desta vez, Portugal não é um caso único. Esta falta de coerência entre as diversas estimativas e os valores reais dos indicadores em causa tem-se verificado com vários países que aderiram à moeda única, dos quais saliento a Alemanha e a França. Se a retoma da economia não for efectiva e se a tendência para o agravamento das estimativas, que se tem verificado desde o ano 2000, se mantiver, são expectáveis resultados ainda piores para 2004. Ou seja, além da Alemanha e da França, é bem possível que também Portugal e Itália apresentem um défice orçamental superior a 3 % do PIB. A verificar-se esta hipótese, estes dois países poderão beneficiar da (péssima) decisão de não aplicação do procedimento relativo aos défices excessivos à França e à Alemanha. A Irlanda e a Grécia, apesar do excelente desempenho económico que têm apresentado, também apoiaram essa decisão. Neste caso, a chantagem franco-alemã sobre os fundos estruturais dos quais estes países ainda dependem (tal como Portugal) terá sido o principal motivo desse apoio. Claro que a Grécia, com uma dívida pública superior a 100 % do PIB nunca poderia fazer grandes exigências sobre o cumprimento das regras do PEC. A mesma razão deverá servir para a Bélgica. A dimensão e a localização geográfica do Luxemburgo são razões mais do que óbvias para o seu apoio às pretensões da Alemanha e da França. Sobram a Espanha, a Holanda, a Áustria e a Finlândia. Estes países também sentiram a recessão económica, mas estavam preparados para ela porque equilibraram a tempo os seus orçamentos de modo a terem margem de manobra durante a recessão (é para isso que servem os 3 % definidos pelo PEC). Estes países cumpriram o PEC e agora, com toda a justiça, esperavam que aqueles que o não cumpriram fossem sancionados. Parece que os governantes desses países foram enganados pela fábula da cigarra e da formiga (que nos chamava a atenção para a necessidade de trabalhar no Verão para poder comer no Inverno) contada, no século XVII, pelo francês La Fontaine (seria mesmo francês?).
Devo esclarecer que não concordo com a medida mais grave do Pacto de Estabilidade e Crescimento, a qual obriga os países em falta a efectuarem um depósito (não remunerado) até um máximo de 0,5 % do PIB. Ainda que este depósito seja devolvido se o défice for corrigido nos dois anos seguintes, parece-me que esta medida ainda agrava mais o problema dos défices excessivos. Porém, esta medida foi acordada em Dublin e em Amesterdão por todos os Estados que aderiram à moeda única, entre os quais se incluem a França e a Alemanha (que foi, desde o início, o país mais interessado no PEC). Por uma questão de coerência e legitimidade, não é sensato mudar as regras a meio do jogo como, arrogantemente, fizeram a Alemanha e a França. Por outro lado, nem era a aplicação desta medida mais grave que estava agora em causa, mas sim a aplicação dos passos iniciais do procedimento relativo aos défices excessivos, os quais me parecem bastante razoáveis. De facto, parece-me importante que a Comissão Europeia controle a execução orçamental dos países em situação de défices excessivos e isso pode ser feito através da análise de relatórios produzidos regularmente por esses países. Nos casos em que se verifique um agravamento da situação, ao invés de obrigar os Estados em falta a efectuarem a pagarem uma “multa”, seria mais lógico permitir que a Comissão Europeia tivesse algum poder de decisão nas políticas nacionais de redução ou aumento da carga tributária e de emissão de títulos. É claro que a Alemanha e a França, os "grandes defensores do interesse comunitário europeu", jamais aceitariam tamanha interferência nas suas políticas internas. É uma questão de coerência... Recordo que estes países nem sequer aceitam informar (ou notificar) a Comissão Europeia sobre o andamento da execução orçamental.
Neste momento, aqueles que ainda acreditavam na bondade das propostas franco-alemãs para a União Europeia ficaram totalmente esclarecidos. O que move estes países são apenas os seus interesses nacionais. Infelizmente, os outros países não foram menos egoístas e deixaram-se conduzir pela chantagem e pela perspectiva de um relaxamento do PEC. Fizeram mal. Teria sido interessante aproveitar esta situação para explicar à Alemanha e à França o significado do chavão da "igualdade entre os Estados". Isso não foi feito agora e dificilmente o será no futuro, até porque a proposta de Constituição Europeia apresentada pela Convenção Europeia é "coerente" com o princípio da igualdade entre Estados (que afirma defender) e é até por isso que reforça bastante o poder dos grandes Estados!
Enfim, parece-me que está demonstrada qual é noção que os europeus têm de coerência. Essa noção não é nova. Pelo contrário, ela é até bastante “coerente” com aquela que foi descrita por Luís de Camões em meados do século XVI:
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança.
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança.
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
ANS
27 novembro 2003
141 – TERROR A ESMO
Desde o princípio do mês que queria voltar a escrever sobre o terrorismo. Tudo começou com a divulgação dos resultados de um inquérito efectuado em meados de Outubro para o Eurobarómetro. Nesta sondagem, com o título "O Iraque e a paz no mundo", foram inquiridos 7515 cidadãos de países da União Europeia. De acordo com o Público de 9 de Novembro, os inquiridos foram confrontados com uma lista de países, dos quais deveriam seleccionar aqueles que pensavam constituir uma "ameaça à paz no mundo". Israel, seleccionado por 59 % dos inquiridos, foi o país mais escolhido, seguindo-se o Irão, a Coreia do Norte e os EUA, os quais foram escolhidos por 53 % dos inquiridos. Apenas cerca de 30 % dos inquiridos escolheram a China e a Rússia.
Estes resultados já foram comentados por António Ribeiro Ferreira, num artigo publicado a 6 de Novembro no Diário de Notícias, e por Miguel Sousa Tavares (MST), num artigo publicado no dia seguinte no Público. MST assumiu que se identifica totalmente com os resultados do inquérito e que, portanto, concorda com a maioria dos europeus que encaram o terrorismo e os conflitos no Médio Oriente como uma consequência directa da ocupação israelita dos territórios palestinianos. MST foi mais longe e afirmou que já há vinte anos que pensa assim. Pois é. MST é mais um daqueles que já sabe a causa e a solução de todos os males desde há vinte anos. MST pede ainda desculpa por pensar que «se houver terceira guerra mundial, ela surgirá por causa de Israel e da sua continuada cegueira e tentação de resolver o problema palestiniano, não através de um qualquer acordo de paz, mas através [...] da "solução final" - do extermínio político, cívico e, se necessário, humano dos palestinianos». Pois é. Há vinte anos atrás, MST já pensava assim. Parece que MST se apercebeu do "perigo israelita" durante as invasões do Líbano, em 1978 (para garantir a segurança fronteiriça) e entre 1982 e 1985 (para eliminar as infraestruturas da ainda assumidamente terrorista OLP). Nessa altura, MST tinha trinta e poucos anos. Se MST fosse aí um vinte anos mais velho, talvez pudesse afirmar que já pensava assim desde 1948, quando a Liga Árabe iniciou a Guerra da Independência; ou desde 1951, quando o Egipto recusou o acesso israelita ao Canal do Suez e quando os palestinianos começaram a lançar ataques a partir da Faixa de Gaza e da Cisjordânia (o que levou à ocupação israelita destes territórios em 1956); ou desde 1965, quando a OLP/Fatah iniciou as suas actividades de guerrilha/terrorismo com o apoio do Egipto, da Síria e da Jordânia (o que conduziu, em 1967, à Guerra dos 6 Dias, da qual resultou a ocupação israelita da Península de Sinai, do que restava da Faixa de Gaza, dos Montes Golan, do leste de Jerusalém e do que restava da Cisjordânia); ou desde 1970, quando a OLP tentou assumir o poder na Jordânia; ou desde 1972, quando o Grupo Setembro Negro assassinou barbaramente 11 atletas israelitas nos Jogos Olímpicos de Munique; ou desde 6 de Outubro de 1973 (feriado do Yom Kippur), quando a Síria e o Egipto organizaram um ataque simultâneo nos Montes Golan e na Faixa de Gaza, respectivamente; ou desde 1976, quando terroristas palestinianos sequestraram um Airbus da Air France com 98 judeus a bordo; ou desde 1981, quando o presidente egípcio Anwar Sadat foi assassinado depois de, menos de três anos antes, ter assinado os acordos de Camp David. Esta “pequena” lista de eventos ilustra bem o “perigo israelita”! De facto, MST tem razão. Se o Mundo quiser evitar a "terceira guerra mundial", apenas terá de impedir que Israel responda aos ataques militares ou terroristas que os palestinianos e alguns países árabes vizinhos têm vindo a perpetrar desde há mais de cinco décadas. Esta é, aliás, a atitude que MST esperaria de qualquer outro país do mundo. Aqueles que, como MST, advogam para Israel (e só para Israel) uma política santa como a de Jesus Cristo (“Amai os vossos inimigos. Se alguém vos bater, oferecei a outra face.”), estão na verdade a negar a legitimidade do Estado de Israel, a qual, recorde-se, foi reconhecida pelos próprios palestinianos, pela voz de Yasser Arafat, em 1988 (há menos de vinte anos). Porque será que MST e os que pensam como ele não advogam os mesmos princípios cristãos (que não seriam aplicados por nenhum Estado cristão) para os árabes e palestinianos que, segundo esses cristãos exemplares, têm toda a legitimidade em responder com ataques terroristas à opressão israelita?
MST acha que os acordos de paz só não resultam porque «Israel seguiu sempre a táctica leninista de um passo atrás, dois à frente. Primeiro, dá dois passos à frente, depois aceita recuar um. Com isso, leva os incautos, informados pela imprensa pró-israelita americana, a acreditar que Israel também está disposto a fazer concessões para a paz». Tem piada que MST se tenha referido apenas à imprensa pró-israelita americana. Será que não existe imprensa pró-israelita europeia? Pois é. Embora MST não concorde com a forma como António Ribeiro Ferreira cataloga a imprensa europeia, ele aceita (por omissão) que a maioria das notícias e comentários divulgados pela comunicação social europeia têm, de facto, um cariz "pacifista, anti-americano e anti-semita". Parece que MST se encontra entre os que ostentam aquilo a que o Público de ontem se referia como um visível anti-semitismo de esquerda que se mistura com o anti-americanismo como fundamento para uma teoria da conspiração (é uma verdadeira “kabbala”), segundo a qual os judeus constituem uma superpotência económica que controla os EUA e as suas políticas de domínio mundial.
MST acha que a política israelita das últimas quatro décadas se tem baseado em alargar as áreas ocupadas e em aumentar o número de colonatos instalados em território palestiniano, com um consequente aumento do número e da gravidade dos atentados cometidos contra os direitos humanos dos palestinianos. Para MST, esta é a razão do terrorismo, porque, «quando levados ao desespero e ao limite da humilhação», é natural que os adolescentes ou as jovens mulheres palestinianas se envolvam num cordão de granadas e se façam explodir num autocarro ou num café de Jerusalém. Para MST, isto é tudo lógico e natural. O que não é lógico nem natural é que Israel responda aos inocentes ataques terroristas. Não, para MST as respostas militares israelitas são uma violação dos acordos de Oslo e de qualquer esperança de paz. Para MST, os únicos terroristas são os israelitas e a prova é o assassinato de Yitzhak Rabin por um judeu ultra-ortodoxo, o qual foi imediatamente associado por MST à extrema-direita que agora está no poder em Israel.
Em primeiro lugar, acho que MST está enganado quando afirma que os judeus ultra-ortodoxos estão no poder em Israel. Ou muito me engano ou o Governo israelita é composto por uma coligação entre o Likud (partido conservador com 38 lugares no Knesset e que defende a existência do Estado da Palestina separado de Israel por um muro), o Shinui (partido secular centrista com 15 lugares no Knesset e que também defende o Estado da Palestina desde que os palestinianos recusem voltar a Israel), a União Nacional (coligação de três partidos de direita que recusam retirar dos territórios ocupados e que, no seu conjunto, ocupam 7 lugares no Knesset) e o Partido Nacional Religioso (partido religioso com 6 lugares no Knesset e que também recusa retirar dos territórios ocupados). Não me parece que este Governo seja extremista (80% dos seus membros defendem o Estado da Palestina). E não é, com certeza, mais extremista do que o anterior Governo de Unidade Nacional, onde apenas cerca de 60% dos seus membros defendiam o Estado palestiniano. Esse Governo era formado pelo Partido Trabalhista (partido que tinha 24 lugares no Knesset e que defende a retirada imediata dos territórios ocupados e a construção de um muro ao longo da “Linha Verde”, ou seja, das fronteiras existentes em 1967), pelo Likud (que tinha 19 lugares), pelo Shas (partido religioso ultra-ortodoxo que tinha 17 lugares no Knesset e que defende o aumento do número de colonatos), pela União Nacional (que tinha 7 lugares), pelo Yisrael Ba’alyia (partido associado aos imigrantes russos do centro-direita que tinha 4 lugares no Knesset e que defende, antes de mais, uma democratização da Palestina supervisionada por Israel e pelos EUA), pelo Am Ehad (partido de esquerda que tinha 2 lugares no Knesset e que, pasme-se, se opõe ao Estado Palestinano). Aliás, ao contrário do que aconteceu durante o anterior Governo de Unidade Nacional, onde não existiam partidos árabes no Knesset, na actual composição do Knesset têm assento três partidos árabes, os quais ocupam, no seu conjunto, 8 lugares. Será que isto seria possível num Estado árabe com uma minoria judaica? Claro que sim. Tenho a certeza que MST consegue identificar facilmente uma série de exemplos de tratamento democrático das minorias nos Estados árabes do Médio Oriente...
Em segundo lugar, MST parece esquecer-se que todas as ideologias e religiões têm seguidores fundamentalistas. Um desses fundamentalistas foi o assassino de Yitzhak Rabin e deve ser considerado apenas como um assassino e não como um terrorista. Ou será que o assassino do Rei D. Carlos I de Portugal era um terrorista? Ou será que o assassino de J. F. Kennedy era um terrorista? Ou será que os assassinos de Olof Palme e de Anna Lindh eram terroristas? Tanto o assassínio de políticos como o terrorismo contra alvos civis inocentes são crimes horrendos, mas são diferentes e não devem ser confundidos. De qualquer forma, MST é obrigado (pelos factos) a concordar que o principal culpado pelo insucesso dos acordos de Oslo foi Yasser Arafat «por não ter imposto esse acordo às várias fracções palestinianas». Mas claro que, para MST, isso foi apenas um desvio temporário e desculpável de Yasser Arafat nos seus inegáveis esforços pela paz. A Autoridade Palestiniana continua a não fazer nada para impedir a Intifada ou os ataques de grupos terroristas sediados em países árabes vizinhos, mas MST prefere condenar os «assassinatos selectivos, com a destruição das casas dos suspeitos de colaborarem com o Hamas ou a Jihad Islâmica». MST culpa Sharon e Shimon Peres (a quem apelida de «verdadeiro traidor dos ideais de Yitzhak Rabin») pela escalada de violência, pelo «isolamento e ocupação prolongada de povoações palestinianas» e pela «construção do muro» que, segundo ele, «substituiu a ideia inicial de separação física das duas comunidades por razões de segurança por uma oportunidade, mais uma, de redesenhar as fronteiras do Estado de Israel à custa de território palestiniano, desviando-se quando necessário do seu traçado original para englobar, dentro do território israelita, toda a miríade de colonatos constituídos à revelia dos acordos de Oslo e das resoluções da ONU». Talvez MST devesse culpar também os Estados árabes vizinhos que patrocinam o terrorismo com o objectivo de criar instabilidade na região. Essa instabilidade é, para esses países, o melhor disfarce para as suas ditaduras, para o seu fundamentalismo religioso e para o seu desrespeito pelos direitos humanos. Essa instabilidade (que esses Estados, tal como MST, associam ao "perigo israelita") é a melhor desculpa para se investir em mais armamento e para se continuar a roubar fundos estatais que seguem directamente para as fortunas pessoais dos governantes. É claro que esse armamento pode sempre ser usado como forma de pressão sobre outros países do Médio Oriente que produzem petróleo, os quais, por sua vez, têm de se armar para se defenderem. Com tudo isto, quem perde são as populações árabes. Tal como escrevi no post 21 do Carimbo, os únicos que têm uma visão global para o Médio Oriente são os israelitas e Shimon Peres é um dos que mais tem lutado por esse objectivo. Tal como ele descreve no seu livro O Novo Médio Oriente (1993), ele luta por uma efectiva cooperação entre Estados e povos, a qual deverá trazer desenvolvimento económico e humano. É muito importante para as populações do Médio Oriente que se invista numa utilização inteligente dos recursos do petróleo daquela região, garantindo (como sugere Shimon Peres) por exemplo uma equitativa distribuição de água e, portanto, de riqueza. MST acha que Shimon Peres não tem razão quando afirma que "o terror está condenado porque não traz quaisquer sinais de futuro, alimenta-se do ódio do passado". Para MST, é precisamente ao contrário: «o terror a que os palestinianos lançam mão alimenta-se do ódio do presente, causado pelo terror israelita, e subsiste exactamente porque não há, para os palestinianos, qualquer sinal de esperança no futuro». Então e o terror dos árabes dos países vizinhos? Também é provocado pelo “terror israelita”? O que é que leva um saudita, um iraquiano, um sírio, um libanês, um turco ou um iraniano a cometer um atentado suicida do qual pode até resultar a morte de compatriotas? Será pelo que sofreram às mãos dos israelitas? Mais uma vez, MST não tem sucesso na sua tentativa de desculpabilização do terrorismo. Esta é a via errada para resolver o problema pois só o agrava. Se os israelitas cedessem ao terrorismo, estariam a ceder a uma chantagem muito violenta e criariam um precedente para futuros ressurgimentos do terrorismo sempre que se verificasse um desentendimento político entre Israel e os vizinhos árabes (incluindo a Palestina).
Infelizmente, MST acha que devemos todos ceder às chantagens, por mais violentas e desumanas que estas sejam. Por isso é que MST insiste na tal “kabbala” e associa a política externa americana aos interesses israelitas. Para MST, a agenda para a política externa de Bush consistia em «apoiar Israel em qualquer circunstância e demitir-se de forçar qualquer acordo de paz no Médio Oriente; invadir o Iraque, ocupá-lo e exercer um direito de controlo sobre as suas reservas de petróleo, como salvaguarda perante uma eventual instabilidade declarada na Arábia Saudita; e levar até ao extremo necessário o confronto do Ocidente com o mundo árabe e muçulmano, sob pretexto de combate ao terrorismo, mesmo correndo o risco de o agravar». Volto a fazer a pergunta que já fiz no post 21 do Carimbo: será que se a Operação Tempestade no Deserto (1ª Guerra do Golfo, em 1991) tivesse sido continuada por uma segunda operação militar do género daquela a que estamos agora a assistir no Iraque, teria sido possível evitar o alastramento do fundamentalismo islâmico? Será que teria sido possível aplicar as ideias de Shimon Peres? Não nos esqueçamos que, nessa altura, a França e a Alemanha não teriam tido a possibilidade de inviabilizar uma decisão americana de ocupação do Iraque. Será que não dar sequência à Operação Tempestade no Deserto não foi uma oportunidade perdida por uma cedência de Bush (pai) à chantagem do terrorismo?
MST e Vital Moreira, entre outros, adoptam a solução mais fácil (e que, normalmente, não é solução) e defendem a cedência à chantagem do terrorismo, condenando a política americana e culpando-a pelos novos ataques terroristas. Para eles, os EUA foram os primeiros culpados do 11 de Setembro de 2001. Para eles, os EUA não têm feito o suficiente para pressionar Israel a ceder na questão do traçado do muro de segurança. Para eles, a tentativa de derrube da ditadura de Saddam Hussein, seguida de uma rápida transição para um governo iraquiano apoiado militarmente pelos EUA, é um mero pormenor. O que interessa é insistir em afirmar que os americanos estão a ocupar ilegalmente o Iraque (o que dá sempre a ideia de que a ocupação é definitiva) e que ainda não encontraram armas de destruição maciça. Esquecem-se que se a França e a Alemanha não tivessem criado tantos problemas aos americanos e não tivessem feito o jogo de Saddam Hussein e de Tarek Aziz, talvez os americanos pudessem ter entrado mais cedo no Iraque e talvez pudessem ter encontrado alguma coisa. Eu não desejo outra guerra no Médio Oriente, mas continuo a achar que o que está agora a acontecer relativamente ao programa nuclear iraniano é, de certa forma, parecido com o que aconteceu com o Iraque. Talvez o desfecho seja semelhante e talvez os líderes iranianos o saibam. Talvez por isso continuem a ser os principais patrocinadores do terrorismo na tentativa de chantagear (pelo medo) os europeus anti-americanos.
Como escreveu José Manuel Fernandes, seria melhor que se fizessem grandes manifestações contra o terrorismo. Seria melhor que se apoiasse o combate americano ao já incontrolável terrorismo antes que este se transforme num ainda mais incontrolável “terror a esmo”.
ANS
21 novembro 2003
140 – POSSO ASSOBIAR?
Não pude ver os últimos jogos de preparação da selecção nacional de futebol. Na verdade, mesmo que tivesse tido a possibilidade de ver esses jogos, não o teria feito porque, para mim, os únicos jogos de carácter amigável (ou particular) que interessam são aqueles que eu disputo com os meus amigos (e dos quais resulta invariavelmente pelo menos um jogador lesionado). No entanto, agora que a fase final do Euro2004 se aproxima, tenho mais interesse em ler os comentários que a imprensa não desportiva faz aos jogos da selecção. Tenho a curiosidade de saber se a selecção está preparada para a fase final. É mais do que uma simples curiosidade, é uma expectativa. É a mesma expectativa que devem ter as pessoas que foram ao Estádio Municipal de Aveiro para ver o jogo contra a selecção da Grécia. É uma expectativa frágil porque a memória da desilusão do Mundial de 2002 ainda está muito fresca. É uma expectativa tão frágil que assim que se notam algumas dificuldades no futebol praticado pela selecção nacional, imediatamente começam os protestos e os assobios. Deve ter sido isto que aconteceu em Aveiro.
Parece que alguns jogadores ainda não compreenderam isto e, por esse motivo, queixaram-se das injustiças cometidas pelos adeptos portugueses no jogo de sábado. Foi o que fizeram o Pauleta, o Figo e o Rui Costa. De acordo com a TSF, o Figo acha que «se as pessoas vão ao estádio é para apoiar a sua equipa» e que se não for assim, então mais vale disputar a fase final do Euro2004 noutro país. O Figo revelou ainda que os assobios do público talvez sejam apenas uma libertação do stress acumulado durante a semana de trabalho. Esta hipótese também foi defendida pelo seleccionador nacional Luiz Felipe Scolari, o qual particularizou o actual contexto económico e social como factores que agravam o stress. Hoje em dia, o futebol profissional é um sector importante da indústria do espectáculo, a qual vende à população formas de libertação do stress acumulado. Os profissionais da área do futebol entenderam bem esta situação. Mas se é assim, então os frequentadores dos estádios deveriam ser encarados como meros espectadores que pagam para assistir a um espectáculo e que têm uma legítima expectativa de qualidade. Se essa expectativa for satisfeita, o público responderá aplaudindo. Se, pelo contrário, a expectativa do público for defraudada, então este terá toda a legitimidade para protestar. Isto é completamente diferente de ir ao estádio apoiar uma equipa. Se o futebol é apenas um espectáculo, os espectadores não têm de ser necessariamente apoiantes de uma das equipas em campo. Por outro lado, o Figo tem razão quando afirma que as pessoas vão ao estádio para apoiar a sua equipa. O problema é que isso significa que afinal o futebol não pode ser encarado como um espectáculo com a inerente função social de entretenimento e alívio do stress. Quando eu vivia em Portugal, costumava ver todos os jogos do Sport Lisboa e Benfica no antigo Estádio da Luz. Muitas vezes o jogo do Benfica era tão mau que o melhor espectáculo acontecia nas bancadas com as reacções dos adeptos antes, durante e após o jogo. Estas reacções reflectiam um aumento nítido dos índices de stress dos espectadores. Pois é. Há muitos portugueses adeptos de futebol que andam preocupados com os efeitos da crise económica nas suas vidas, mas mesmo assim ainda conseguem poupar o suficiente para acompanharem as suas equipas nos estádios. Outros ainda conseguem poupar para assistir também aos jogos da selecção. Como bons adeptos, quando a selecção não joga bem ou não ganha, regressam a casa "stressados" e ainda têm de ouvir o Figo dizer-lhes que as dúvidas que eles têm sobre a capacidade do Estado de recuperar os cerca de trezentos milhões de euros (sessenta milhões de contos) que gastou em estádios novos (incluindo acessos directos e estacionamentos) para o Euro2004 são irrelevantes e que os jogadores portugueses, habituados a jogar no estrangeiro, talvez até preferissem disputar o Euro2004 longe do assobio crítico dos portugueses. Tal como fizeram na Coreia do Sul...
O Figo mostrou-se ainda muito preocupado com a estabilidade dos mais jovens jogadores da selecção, pelo que pediu que o assobiem a ele e não à selecção. O Figo já joga há alguns anos em Espanha e, por isso, já se deve ter esquecido das características dos adeptos portugueses. Infelizmente (ou talvez não), os adeptos portugueses nunca culpam os jogadores individualmente e raramente culpam a equipa. Os culpados das más exibições são sempre o treinador, o árbitro ou a relva. Há outros países onde os adeptos são mais exigentes e são capazes de passar anos a assobiar um jogador por um erro cometido num jogo da selecção. Estou a lembrar-me, por exemplo, de dois jogadores da selecção inglesa que foram alvo de discriminação por parte dos adeptos. Um deles foi Gareth Southgate por ter falhado um pontapé de grande penalidade, o que deu a vitória à selecção alemã (por 6-5) no desempate da meia-final do Euro96 (em Inglaterra). O outro jogador a sofrer a ira dos adeptos ingleses foi David Beckham por ter sido expulso num jogo dos oitavos-de-final do Mundial de 1998 (em França), no qual a selecção inglesa acabaria por ser derrotada pela sua congénere argentina. Também poderia escrever sobre Chris Waddle, Stuart Pearce e David Batty, mas creio que os dois exemplos referidos são suficientes para ilustrar o grau de exigência dos adeptos ingleses. Será que os adeptos portugueses deveriam ser assim?
O Rui Costa atribui os assobios à frustração do público português com os resultados dos seus clubes, mas esquece-se que este incidente aconteceu na cidade de Aveiro e que o clube mais importante desta cidade é o Beira-Mar, o qual está a fazer uma excelente carreira na presente edição da Super Liga. O Rui Costa também parece esquecer que a eventual frustração dos adeptos portugueses está muito diluída agora que mais de metade dos clubes que competem na Super Liga têm estádios novos. A não ser que a frustração esteja relacionada com o elevado preço dos bilhetes para os jogos nos novos estádios e com a constatação de que os jogos acontecem com os estádios meio cheios e com milhares de adeptos à porta depois de terem desperdiçado horas numa fila interminável para tentar comprar um simples bilhete. O Rui Costa ainda se lamentou pelo facto de o país entender as vitórias da selecção como conquistas nacionais, alheando-se das dificuldades dos jogadores quando as coisas não estão bem («somos a selecção nacional quando tudo corre bem e aqueles gajos quando as coisas não estão bem»). Penso que o Rui Costa está equivocado. Infelizmente, os portugueses adeptos de futebol não se alheiam das suas equipas nem da selecção nacional e é por isso que continuam a ir ver os jogos, a assobiar e a regressar a casa mais "stressados" do que estavam antes dos jogos.
O Pauleta foi mais sensato e, depois de tentar refrear a expectativa dos portugueses com uma boa dose de realismo («não somos os melhores [...], há quatro ou cinco selecções melhores do que nós [...]»), afirmou que não admite que as pessoas comecem a assobiar logo aos cinco minutos de jogo. Eu também acho que o público poderia ter esperado um pouco mais para fundamentar a sua crítica, até porque não nos devemos esquecer que a selecção grega terminou em primeiro lugar no seu grupo de apuramento para a fase final do Euro 2004, obrigando a selecção espanhola (que, tradicionalmente, cumpre as fases de apuramento sem dificuldades) a disputar os “play-offs” com a selecção da Noruega.
Depois dos assobios de sábado, veio de jogo de quarta-feira contra o Kuwait com uma vitória folgada da selecção portuguesa por 8-0. Desta vez ficaram todos contentes. Os adeptos aplaudiram em vez de assobiar e os jogadores portugueses mostraram que sabem fazer do futebol um verdadeiro espectáculo. Só têm de lhes arranjar os adversários certos. Espero que as selecções da França, da Suécia, da República Checa, da Itália, da Espanha, da Inglaterra, da Alemanha, da Holanda, da Croácia, da Rússia, da Dinamarca, da Bulgária, da Suíça, da Grécia e da Letónia se enquadrem no que os nossos jogadores e o universo de adeptos entendem por adversário apropriado.
ANS
16 novembro 2003
139 - CANÇÕES DE 1973 (XVIII)
Foi em 1973 que a banda Derek & The Dominos, da qual fazia parte Eric Clapton, lançou o álbum Derek & The Dominos Live At The Fillmore. Uma das canções deste álbum era Got To Get Better In A Little While, da autoria de Eric Clapton.
GOT TO GET BETTER IN A LITTLE WHILE
Don't you know what's wrong with me?
I'm seeing things I don't want to see.
Sniffing things that ain't no good for me.
I'm going down fast, won't you say a prayer for me?
It's got to get better in a little while.
It's got to get better in a little while.
It's got to get better in a little while.
It's got to get better in a little while.
The sun's got to shine on my guitar someday.
Revolution all across the land.
Just like Sly, you got to take a stand.
Please don't hurt nobody, don't knock them down;
Give them a helping hand to get off the ground.
[Chorus]
Bridge
Still one thing that you can do;
Fall down on your knees and pray.
I know the Lord's gonna answer you.
Don't do it tomorrow, do it today.
[Chorus]
By Eric Clapton
ANS
14 novembro 2003
138 - DIA NACIONAL DA LÍNGUA GESTUAL PORTUGUESA
No dia 4 de Outubro, o Rui, do blog 3tesas não pagam dívidas, enviou um e-mail para diversos bloggers, entre os quais me incluía. Nesse e-mail, o Rui reproduzia o seu post com o título "O forro da gaiola dos hamsters, ou como fazer cair uma reclamação em saco roto". Esse post chamava a atenção para a insistência de alguns jornalistas do Expresso em utilizarem a expressão surdo-mudo para designar as pessoas que sofrem de surdez profunda desde a nascença ou desde uma idade muito jovem. Confesso que também me senti incomodado com essa forma de tratamento quando li a notícia do Expresso sobre o Café des Signes, mas penso que esse não é um motivo suficiente para deixar de saudar a sua publicação.
Este artigo descrevia um novo café de Paris, o Café des Signes, no qual, aparentemente, apenas trabalham pessoas com deficiências auditivas. Acho esta ideia brilhante porque constitui uma excelente forma de chamar a atenção para as dificuldades que a nossa sociedade coloca à integração dos surdos. De facto, para os clientes ouvintes, ir àquele café será como ir a um café no estrangeiro. Terão de se adaptar à língua gestual utilizada pelos empregados para fazerem os seus pedidos. Não me admiraria se muitos desses clientes saíssem do café com o desejo de aprender a língua gestual. Segundo o Público de hoje, já existem muitos jovens ouvintes portugueses com este desejo. Acho muito bem porque, embora a língua gestual não seja fundamental para uma conversa entre um surdo e um ouvinte, ela pode adquirir esse estatuto quando a conversa acontece entre um ouvinte (ou mais) e alguns surdos ou mesmo apenas entre surdos. É por isso que estranhei o facto de apenas se verem mesas rectangulares na fotografia que ilustrava o artigo online do Expresso sobre o Café des Signes. Esta geometria não favorece o diálogo em língua gestual. Na verdade, as mesas rectangulares não favorecem o diálogo em nenhuma língua, mas imagino que as dificuldades criadas sejam maiores quando a conversa decorre em língua gestual.
Amanhã é o dia nacional da Língua Gestual Portuguesa (LGP). Segundo o Público, a Associação Portuguesa de Surdos pretende assinalar o evento chamando a atenção para os problemas dos estudantes surdos que frequentam as escolas regulares portuguesas. Nestas escolas não é feita a tradução do português falado pelo professor para a LGP entendida pelo estudante surdo, o qual fica assim em desvantagem perante os alunos ouvintes.
Eu concordo com a existência de tradução para LGP nas escolas, mas acho que deve existir algum cuidado para não transformar esta língua na única língua dos surdos. Não nos devemos esquecer da importância da oralização dos surdos. Os surdos oralizados têm muito mais garantias de uma integração com sucesso na nossa sociedade. A prova desta afirmação reside em todos os casos de sucesso de pessoas que, tendo nascido com surdez profunda, hoje são capazes de comunicar oralmente, falando como os ouvintes (embora com algumas dificuldades compreensíveis) e entendendo o outro por leitura labial. Parece-me que se a LGP for encarada como a forma mais importante de comunicação dos surdos com a sociedade ouvinte, corre-se o risco de dificultar a integração dos surdos nessa mesma sociedade. Ainda que existam muitas pessoas ouvintes com desejo de aprender a LGP, a grande maioria da população nunca conhecerá essa língua. Como é que essa parte da população "falará" com os surdos?
De vez em quando assisto à repetição nocturna do See Hear (um programa da BBC sobre surdos e ouvintes e dirigido a surdos e ouvintes). Nesse programa é utilizada a linguagem gestual em simultâneo com tradução oral ou escrita (legendas). Numa das emissões desse programa, ocorreu um debate em BSL (British Sign Language) sobre a existência de intérpretes em todos os programas da BBC. Alguns dos participantes defendiam a sua existência. Outros afirmavam que era mais importante a existência de legendas porque, uma vez que existem vários tipos de língua gestual (BSL, ASL - American Sign Language, SEE - Signing Exact English, etc...), a escrita surge como uma forma de comunicação entendida por todos. No fim, todos concordaram que as legendas eram úteis, mas apenas quando não fosse possível ler nos lábios do orador. Ou seja, os próprios surdos atribuem uma enorme importância à comunicação oral.
Como conclusão aqui fica a hiperligação para o manifesto dos surdos oralizados brasileiros.
A título de curiosidade, refiro ainda uma outra emissão do See Hear, na qual se salientava a importância da língua gestual, associada à linguagem corporal, como forma de tradução da música. Eu já sabia que os surdos, tal como os ouvintes, eram capazes de sentir o som no corpo. Isso acontece para níveis sonoros muito elevados a frequências muito baixas (200 Hz: pernas; 12,5 a 16 Hz: peito; 10 Hz: peito e abdómen; 8 Hz: ouvido, peito e nádegas). Mas nunca supus que os surdos fossem capazes de traduzir melodias de uma forma tão clara. Foi uma surpresa quando vi aquele Deaf Idol (era mesmo assim que se chamava o concurso) com excelentes interpretações dos ABBA e de Michael Jackson, entre outros.
ANS
137 - O TESTE
Já vi resultados do teste do Ludwig Von Mises Institute publicados em diversos blogs. Este teste permite-nos averiguar qual é a teoria económica com que mais nos identificamos. O teste consiste em vinte cinco perguntas, para cada uma das quais existem quatro respostas possíveis. Essas respostas correspondem a quatro teorias fundamentais: a Escola de Viena, a Escola de Chicago (ou Neoclássica), a Escola Neo-Keynesiana (que é diferente da Escola Keynesiana de Cambridge) e, finalmente, o sistema Socialista.
Fiquei curioso e também fiz o teste. Sem surpresa, o resultado colocou-me alinhado com a Escola de Chicago. De facto, obtive 53 pontos (em 100 possíveis) distribuídos por 5 respostas típicas da Escola de Viena, 13 respostas típicas da Escola de Chicago e 7 respostas típicas da Escola Neo-Keynesiana. Ficaria muito surpreendido (e assustado) se alguma das respostas fosse considerada tipicamente socialista. Também me surpreenderia se os resultados do teste me colocassem alinhado com o total laissez-faire da Escola Austríaca.
ANS
13 novembro 2003
136 - CANÇÕES DE 1973 (XVII)
Em 1973, quatro anos antes da sua morte, Elvis Presley lançou o single Separate Ways, no qual se incluíam as canções Separate Ways e Always On My Mind. Existe uma versão anterior desta última canção, a qual foi gravada em 1972 por Brenda Lee. No entanto, a versão que aqui se apresenta é a de Elvis Presley:
ALWAYS ON MY MIND
Maybe I didn't treat you
Quite as good as I should have
Maybe I didn't love you
Quite as often as I could have
Little things I should have said and done
I just never took the time
You were always on my mind
You were always on my mind
Maybe I didn't hold you
All those lonely, lonely times
And I guess I never told you
I'm so happy that you're mine
If I make you feel second best
Girl, I'm so sorry I was blind
You were always on my mind
You were always on my mind
Tell me, tell me that your sweet love hasn't died
Give me, give me one more chance
To keep you satisfied, satisfied
Little things I should have said and done
I just never took the time
You were always on my mind
You are always on my mind
You are always on my mind
Maybe I didn't treat you
Quite as good as I should have
Maybe I didn't love you
Quite as often as I could have
Maybe I didn't hold you
All those lonely, lonely times
By Wayne Thompson, Mark James, Johnny Christopher
ANS
12 novembro 2003
135 - SÃO MARTINHO
Há alguns meses atrás (no Verão), Carlos Cruz presenteou os portugueses com estas afirmações: «Gosto de saber que este ano há Verão de São Martinho em Novembro. Alguém irá à prova da água-pé fazer novos amigos.»
Não estou em Portugal e, por isso, só posso confirmar o estado do tempo através das informações do Instituto de Meteorologia. Segundo essas informações, parece-me que afinal este ano não houve Verão de São Martinho. No entanto, o tempo também não está mau, pelo que é provável que a tal prova da água-pé se tenha realizado (ontem nalguma festa de São Martinho). Como ontem e hoje não surgiram notícias sobre o processo da Casa Pia que pudessem ser associadas às afirmações de Carlos Cruz, talvez estas não se referissem a esse processo. Ou será que Carlos Cruz se estava a referir aos arguidos do processo Casa Pia que estiveram em prisão preventiva durante todo o Verão e que foram entretanto libertados a tempo de gozarem o Verão de São Martinho? Talvez esteja na altura de Carlos Cruz revelar quem é esse "alguém" que terá feito "novos amigos" através dessa "prova da água-pé".
Estava à espera que Ana Gomes agisse relativamente a este assunto da mesma forma que o fez relativamente ao artigo da Le Point, vindo exigir publicamente uma investigação profunda das misteriosas afirmações de Carlos Cruz. Como não o fez, parece que Ana Gomes aprendeu a lição que recebeu dos seus "camaradas" de partido. Ainda bem. Agora só falta que "alguém" venha dar uma lição sobre o combate ao populismo a todo o Partido Socialista (começando por Ana Gomes e terminando no secretário-geral do partido). De facto, as recentes declarações do PS relativamente ao envio de um contingente de tropas da GNR para o Iraque são um exemplo da forma populista como este partido encara o seu escasso trabalho de oposição.
ANS
134 - UMA AGRADÁVEL ATITUDE NARCISISTA
Sei que se trata de uma evidência de narcisismo, mas gosto muito de ler opiniões que são coincidentes com as minhas. Foi o que aconteceu hoje quando li a entrevista a Paulo Teixeira Pinto (PTP) revelada pela TSF. As opiniões de PTP vêm reforçar as minhas próprias opiniões sobre a proposta de Tratado de Constituição para a Europa, as quais podem ser lidas no post 121 do Carimbo.
Também gostei de ler o editorial do Diário de Notícias de hoje, o qual reforça o que escrevi no post 132 do Carimbo relativamente à necessidade de informar a população quanto ao conteúdo do Tratado de Constituição Europeia em discussão na Conferência Intergovernamental. Aproveito para lembrar e saudar o esforço que o Diário de Notícias já fez nesse sentido através da publicação de pequenas fichas informativas. Foi um esforço, mas é preciso mais.
Lembro que também gosto muito de ler opiniões (bem fundamentadas) que são contrárias às minhas. É pena que, no que se refere ao Tratado proposto pela Convenção Europeia, essas opiniões não apareçam. Assim não é possível debater nada...
ANS
11 novembro 2003
133 - CANÇÕES DE 1973 (XVI)
Um dos cantores com mais sucesso no ano de 1973 foi Elton John. A causa desse sucesso foram as canções Crocodile Rock e Daniel. Estas canções surgiram com o álbum Don't Shoot Me, I'm Only The Piano Player, o qual, embora tenha sido lançado em 1973, foi gravado um ano antes. Outro álbum lançado em 1973 (cujas canções foram gravadas nesse mesmo ano) foi o Goodbye Wellow Brick Road, do qual se destacam as canções Goodbye Yellow Brick Road e Candle In The Wind. Esta última canção viria a conhecer duas novas versões, sendo a última um tributo à Princesa Diana lançado, em 1997, num single que foi o mais vendido de todos os tempos.
CANDLE IN THE WIND
Goodbye Norma Jean
Though I never knew you at all
You had the grace to hold yourself
While those around you crawled
They crawled out of the woodwork
And they whispered into your brain
They set you on the treadmill
And they made you change your name
And it seems to me you lived your life
Like a candle in the wind
Never knowing who to cling to
When the rain set in
And I would have liked to have known you
But I was just a kid
Your candle burned out long before
Your legend ever did
Loneliness was tough
The toughest role you ever played
Hollywood created a superstar
And pain was the price you paid
Even when you died
Oh the press still hounded you
All the papers had to say
Was that Marilyn was found in the nude
Goodbye Norma Jean
From the young man in the 22nd row
Who sees you as something as more than sexual
More than just our Marilyn Monroe
Lyrics by Bernie Taupin
ANS
10 novembro 2003
132 - SERÁ QUE O REFERENDO É MESMO ÚTIL?
No dia 6 de Outubro, escrevi (no post 112 do Carimbo), que era (e continua a ser) urgente informar a população portuguesa sobre o conteúdo da proposta do Tratado de Constituição para a Europa que se encontra actualmente em discussão na Conferência Intergovernamental (CIG). Só com base numa campanha de informação será possível promover um debate sério sobre este tema. Só assim os portugueses poderão afirmar, com legitimidade, que desejam referendar esta questão. Só assim se evitam os paradoxos como os divulgados hoje pelo Público, onde é revelado que, embora 54 % da população portuguesa desconheça totalmente o que está em discussão na CIG, 90 % dos portugueses consideram ser útil realizar o tal referendo. Se a amostra que foi utilizada para esta sondagem for mesmo representativa da população nacional, então os resultados de um eventual referendo não terão qualquer significado. Nesse caso, será preferível não avançar para o referendo.
É por esta razão, associada ao receio que o Partido Social Democrata (PSD) e o Partido Socialista (PS) revelam face a uma eventual vitória do “não”, que muitos acreditam que não haverá qualquer referendo. Porém, já todos os partidos com assento na Assembleia da República manifestaram o seu apoio (nem sempre sincero) à realização do referendo. Agora que se sabe que uma enorme maioria da população deseja o referendo, não vejo como conseguirão o PSD e o PS evitar a sua realização. A revisão da Constituição da República Portuguesa não é fundamental para a realização do referendo, desde que este incida apenas sobre questões concretas do eventual Tratado Constitucional. A questão da data do referendo também é de fácil resolução. Se excluirmos as semanas de campanha para as eleições para o Parlamento Europeu e o dia das eleições, ainda sobram muitos dias possíveis para fazer o referendo. Por estes motivos, os eventuais atrasos na revisão constitucional não servirão como desculpa para não realizar o referendo. Aliás, como escreveu Vital Moreira, na eventualidade de uma vitória do “sim”, será necessária outra revisão constitucional para permitir a ratificação do Tratado Constitucional (que deverá instituir a primazia interna do direito europeu).
Vital Moreira tem defendido a realização do referendo após a conclusão da CIG. O Presidente da República, embora nunca se tenha referido ao referendo, parece concordar com Vital Moreira e vai afirmando que só faz sentido discutir o Tratado que resultar da CIG.
Se, por um lado, concordo com Jorge Sampaio, por outro lado, parece-me que o Tratado proposto pela Convenção Europeia não será muito alterado na CIG, pelo que não seria desperdiçado o tempo gasto a debater o assunto enquanto esta decorre. Porque não começar já a informar a população para que esta esteja em condições de discutir o tema quando a CIG terminar?
Já se perdeu muito tempo. As campanhas de informação e o debate sobre as matérias do Tratado Constitucional já deveriam ter começado há muito tempo (os trabalhos da Convenção Europeia terminaram em Julho deste ano). Se isso tivesse sido feito, teria sido possível referendar questões concretas do Projecto de Tratado Constitucional agora em discussão na CIG. Os resultados desse referendo dariam a Portugal mais poder de negociação na CIG. Jorge Miranda acredita que isto ainda poderia ser conseguido se o referendo fosse feito já. Duvido. Não houve nem informação nem o subsequente debate, pelo que os resultados do referendo seriam de difícil interpretação (ainda que se tratassem apenas de questões concretas sobre a proposta de Tratado Constitucional).
Eu gostaria que houvesse referendo, mas como penso que acontece com Esther Mucznik, gostaria ainda mais de saber que os portugueses entendem como funciona a sua cidadania europeia (com ou sem Tratado de Constituição).
ANS
131 - PONTUALIDADE
Na passada quarta-feira, eu avisei que estava de volta à blogosfera. Entretanto, passaram mais quatro dias sem qualquer post novo no Carimbo. Isto significa que o post de quarta-feira deve ser encarado da mesma forma que aqueles telefonemas de pessoas que, quando estão atrasadas para um compromisso, telefonam a avisar que já estão mesmo a chegar e se esquecem de dizer que vão levar mais trinta minutos.
Infelizmente, eu sou uma dessas pessoas. Por mais que tente corrigir este defeito, os meus dias continuam a ser uma acumulação de atrasos. Quando vim viver para Inglaterra, já estava avisado da famosa pontualidade britânica. Pensei que seria obrigado a alterar os meus hábitos, mas estava enganado. Como já comentei em posts anteriores, os ingleses são tão pontuais como os portugueses. Mas como não há regra sem excepção, aqui vos deixo um episódio interessante. Há cerca de um ano atrás, um colega prometeu-me uma boleia para uma conferência em Manchester. Combinámos um ponto de encontro em Liverpool, onde deveríamos aparecer às sete horas da manhã. No dia combinado, quando cheguei ao ponto de encontro, tive a “agradável” surpresa de ver o carro do meu colega a afastar-se do local. Olhei para o relógio e este marcava sete horas e quarenta e cinco segundos. Será que os promotores da petição para a pontualidade teriam a coragem de agir assim?
ANS
05 novembro 2003
130 - MAIS AGRADECIMENTOS X
Regressei ontem a Liverpool e agora regresso à blogosfera. Depois deste "interregno", penso que um post de agradecimentos constitui a melhor forma de reiniciar a actividade bloguística. Peço apenas aos interessados que me desculpem pelo enorme atraso destes merecidos agradecimentos.
Em primeiro lugar, agradeço a João Carvalho Fernandes por ter colocado O Carimbo na secção "Os Imprescindíveis do Momento" do Fumaças durante o dia 13 de Outubro. Terá sido por causa da canção dos Eagles (post 123 do Carimbo) ou por causa de algum post anterior?
Também agradeço a Nélson Faria, do Veto Político, por ter recomendado a leitura do post 125 do Carimbo.
Agradeço ainda aos blogs Abaixo de Cão, A falar para o Boneco, Ai Jasus!, A Monarquia Portuguesa (relatada por um jovem de treze anos de idade), Analiticamente Incorrecto, Blog@Uni, Encapuzado Extrovertido, Janela para o Rio PT, Memória Virtual, Mephistopheles, Pensativa, Pessoal "in" Transmissível, O Projecto e Substrato por terem colocado O Carimbo nas suas listas de blogs recomendados.
Aproveito para registar os agradecimentos que os blogs AAANumberOne, A falar para o Boneco, Memória Virtual, O Bugue e The Amazing Trout Blog endereçaram ao Carimbo. No entanto, lembro que as referências do Carimbo a estes blogs foram mais do que merecidas e, por esse motivo, não careciam de agradecimento.
ANS
17 outubro 2003
129 - AMBIENTE DE FESTA
Hoje, ao fim da tarde, voarei para Lisboa. Ficarei em Portugal durante as próximas duas semanas. Infelizmente, não poderei assistir ao jogo de inauguração do Estádio da Luz (não quis obrigar ninguém a ir para aquelas filas intermináveis só para comprar um bilhete). Não faz mal. Assistirei, com certeza, ao próximo jogo a contar para a Super Liga.
Espero que o novo estádio contribua para a melhoria do espectáculo, fora e dentro do campo (por esta ordem). Espero que as claques benfiquistas estejam mais activas do que é habitual no apoio à equipa. Espero encontrar um ambiente de festa. Espero que exista segurança. Espero que seja vedada a entrada aos três indivíduos dos No Name Boys que, depois de terem sido apanhados na posse de armas, explosivos e droga, foram apenas sujeitos a termo de identidade e residência, ficando a aguardar o seu julgamento em liberdade. Espero que isto não volte a acontecer. Se estes indivíduos não são perigosos, então ninguém o é!
ANS
128 - ANFIELD ROAD OU PENNY LANE?
Na quarta-feira fui, mais uma vez, ao estádio do Liverpool Football Club (LFC), em Anfield Road. Fui assistir ao encontro entre este clube e o NK Olimpija Ljubljana (NKOL). O jogo terminou com uma vitória fácil dos “Reds” por 3-0, existindo pouco para contar além de algumas excelentes defesas do guarda-redes da equipa eslovena. O jogo decorreu, em ambas as partes, junto à área do NKOL, o que, para mim, foi conveniente. É que eu estava na chamada Main Stand do estádio do LFC, onde existem quatro pilares que suportam a cobertura e que não permitem que os espectadores sentados no seu enfiamento vejam a totalidade do campo. No meu caso, a parte escondida era precisamente a zona do meio campo.
Na última vez que tinha estado neste estádio assisti ao jogo a partir da Kop, a qual se situa atrás de uma das balizas e, por esse motivo, não oferece uma boa visibilidade da baliza oposta. No entanto, a Kop (que se distingue pelas enormes letras “LFC” que, quando o estádio está vazio, sobressaem do fundo de cadeiras vermelhas) é uma bancada exclusiva dos adeptos caseiros, os quais criam sempre um ambiente fantástico e convidativo. É por isso que a Kop é tão conhecida. Se nunca ouviram falar da Kop, vejam (ou revejam) o filme The 51st State, com Samuel L. Jackson no papel do “escocês” Elmo McElroy e Robert Carlyle no papel de Felix DeSouza (um scouser fanático pelo LFC).
A dedicação dos adeptos deste clube é, de facto, incrível. A forma como apoiam sempre a sua equipa e como, em simultâneo, tentam moralizar cada jogador é exemplar. O jogo de quarta-feira, apesar do empate a uma bola no jogo da primeira mão, era considerado como uma tarefa simples para os futebolistas do LFC. Mesmo assim, com os seus níveis de entusiasmo relativamente baixos, os adeptos do LFC entoaram uma série de cânticos e não se cansaram de comentar as jogadas da sua equipa. A expressão “Well dsone!” foi uma das que mais se ouviu. Esta expressão revela que a equipa jogou bem e que os adeptos eram scousers (post 124 do Carimbo).
À saída do estádio (por volta das dez horas da noite) tive outra demonstração da dedicação dos adeptos, os quais formaram um fila enorme em frente à loja do clube (que estava cheia). A minha surpresa ainda foi maior quando constatei que a maioria desses adeptos já vestia camisolas, cachecóis e chapéus do LFC. O que iriam eles comprar?
Ontem, li num jornal local que estão a decorrer negociações com vista à construção de um novo estádio na cidade. Este estádio ficaria do outro lado da cidade, junto a Sefton Park, num dos extremos de Penny Lane (lembram-se da canção dos Beatles?), e seria utilizado pelo LFC e pelo Everton Football Club. Isto significaria o fim da Kop, o que seria uma pena. Por outro lado, o novo estádio deverá permitir aos espectadores uma visibilidade adequada do campo (desde que não coloquem cadeiras atrás do ecrã gigante...). Outra vantagem do novo estádio será a sua localização. Os turistas que vierem a Liverpool não deixarão de aproveitar para ver Penny Lane e o estádio dos maiores clubes da cidade. Já estou a imaginar as filas à porta das lojas do estádio. Penny Lane ficará um pouco diferente da descrição que os Beatles nos deixaram:
PENNY LANE
In Penny Lane there is a barber showing photographs
Of every head he's had the pleasure to know
And all the people that come and go
Stop and say hello
On the corner is a banker with a motorcar
The little children laugh at him behind his back
And the banker never wears a mack
In the pouring rain, very strange
Penny Lane is in my ears and in my eyes
There beneath the blue suburban skies
I sit, and meanwhile back
In Penny Lane there is a fireman with an hourglass
And in his pocket is a portrait of the queen
He likes to keep his fire engine clean
It's a clean machine
Penny Lane is in my ears and in my eyes
A four of fish and finger pies
In summer, meanwhile back
Behind the shelter in the middle of a roundabout
The pretty nurse is selling poppies from a tray
And though she feels as if she's in a play
She is anyway
In Penny Lane the barber shaves another customer
We see the banker sitting waiting for a trim
And then the fireman rushes in
From the pouring rain, very strange
Penny lane is in my ears and in my eyes
There beneath the blue suburban skies
I sit, and meanwhile back
Penny lane is in my ears and in my eyes
There beneath the blue suburban skies
Penny Lane
By John Lennon and Paul McCartney
ANS
127 - CANÇÕES DE 1973 (XV)
Foi no ano de 1973 que os Electric Light Orchestra lançaram o álbum On The Third Day, do qual se destacam as canções Ma-Ma-Ma Belle e, principalmente, Showdown. Há quem acredite que foi esta canção, cuja letra é aqui reproduzida, que lançou a carreira desta banda até ao final dos anos setenta.
SHOWDOWN
She cried to the southern wind
About a love that was sure to end
Every dream in her heart was gone
Headin' for a showdown
Bad dreamer, what's your name
Looks like we're ridin' on the same train
Looks as though there'll be more pain
There's gonna be a Showdown
And it's rainin' all over the world
It's raining all over the world
Tonight, the longest night
She came to me like a friend
She blew in on a southern wind
Now my heart is turned to stone again
There's gonna be a Showdown
Save me, oh save me
It's unreal, the suffering
There's gonna be a Showdown
And it's rainin' all over the world
It's raining all over the world
Tonight, the longest night
By the ELO
ANS
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